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Após anos dando vida a personagens na televisão, Caroline Dallarosa inicia uma nova etapa de sua trajetória criativa ao lançar seu primeiro romance. Conhecida por trabalhos em “Malhação: Toda Forma de Amar”, “Além da Ilusão” e “Garota do Momento”, a atriz agora troca o roteiro pelo papel em branco e assume a autoria de sua própria narrativa.

Intitulado “De Coração”, o livro acompanha uma protagonista que passa a receber cartas misteriosas enquanto se envolve em um romance marcado por silêncios, expectativas e decisões difíceis. Ao falar sobre a construção da história, Caroline deixa claro que sua intenção não foi idealizar o amor, mas encará-lo em suas complexidades:

“Eu quis escrever sobre sentimentos intensos sem transformá-los em uma promessa de salvação. O romance, para mim, apesar de mágico, é um lugar que pode ser de dúvida, de crescimento. É onde a personagem precisa se encarar, e não se esconder. A história nasce dessa tensão entre o que a gente deseja e aquilo que a vida, de fato, permite.”

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A escrita, segundo a autora, exigiu um tipo diferente de entrega. Ao contrário da atuação, em que há uma equipe e um texto prévio, a literatura trouxe um confronto direto com o próprio silêncio. “Na atuação, existe um texto que chega até você, uma equipe, um olhar externo que constrói junto. Na escrita, o silêncio é maior. É você, o papel e aquilo que insiste em ser dito. Mesmo sendo ficção, tem muita verdade emocional ali. É a Carol organizando pensamentos e afetos sem a mediação da câmera.”

A música também desempenha papel fundamental em “De Coração”. Cada capítulo se conecta a uma playlist interativa, pensada como parte do projeto. Entre os artistas presentes estão Hozier e Lana Del Rey, cujas canções dialogam com o clima emocional da narrativa. Caroline explica:
“Teve cenas que só existiram porque uma música me colocou naquele estado emocional específico. Eu ouvia a faixa repetidas vezes até entender o que a personagem estava sentindo. A playlist não ilustra o livro, ela conversa com ele, quase como uma camada invisível da narrativa.”

Essa relação com o audiovisual aparece também na forma como o texto se organiza. O romance aposta em cenas bem definidas, ritmo marcado e pausas que deixam espaço para o não dito. A autora reforça essa escolha: “Eu confio na compreensão das reticências e entrelinhas de quem não dispensa folhear um livro. Acho que o não dito, também comunica.”

Embora seja um livro de estreia, “De Coração” não se fecha de maneira definitiva. A história resolve seus conflitos, mas deixa frestas para o futuro. Caroline fala sobre essa decisão com franqueza:

“Eu não acredito em finais que se fecham como uma porta trancada. Quis oferecer ao leitor uma sensação de conclusão, mas sem apagar a possibilidade do depois. Essas brechas são um gesto de oposição à ideia de finitude com quem lê e também comigo mesma. Eu gostei muito de escrever, me envolvi com esse processo, então deixar essa porta aberta também significa admitir que pode existir uma continuação, se fizer sentido mais adiante”.

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