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Do pôr do sol cinematográfico do Fasano Salvador às novas mesas do centro histórico e à poesia de Itapuã, um roteiro sensorial pelos hotspots que estão redefinindo o lifestyle da capital baiana.

Salvador me ganhou de novo

Salvador ganhou meu coração há quase 13 anos, quando me casei com um soteropolitano. Desde então, a cidade nunca mais saiu da minha vida. Mas confesso: foi nessa última viagem que Salvador me surpreendeu de verdade.

Existe algo diferente no ar. Uma energia nova, vibrante. O centro histórico mais vivo, novos restaurantes surgindo, galerias ocupando prédios antigos, gente criativa trazendo frescor para lugares que já carregavam tanta história. É uma revitalização que lembra algumas capitais europeias, penso muito em Lisboa, mas com algo que nenhuma delas tem: a alma indomável da Bahia.

E no meio desse renascimento existe um endereço que parece ter nascido exatamente para traduzir esse momento da cidade: o Fasano Salvador.

O Fasano mais cinematográfico do Brasil

Confesso que sempre chego a um Fasano com expectativa alta. A marca transformou hospitalidade em linguagem própria, aquela elegância que aparece em cada gesto, em cada detalhe, em cada olhar atento da equipe.

Mas Salvador tem algo a mais.

O hotel ocupa um edifício histórico da década de 1930, de frente para a Praça Castro Alves, olhando diretamente para a imensidão azul da Baía de Todos-os-Santos. A vista é tão poética que poderia facilmente virar trilha de uma canção de Caetano Veloso.

O prédio, que durante décadas abrigou o jornal A Tarde, foi restaurado com uma delicadeza impressionante pelo arquiteto Isay Weinfeld, de quem sou fã.

Ele fez algo raro: preservou a alma do edifício enquanto elevava tudo a um nível de sofisticação contemporânea. Os mármores verde-ágape, os lustres de prata do lobby e o jacarandá natural das paredes permanecem ali, acrescidos de rendas, palhas e arte local, e iluminados por um projeto de luz que valoriza cada detalhe do pé-direito monumental.

O resultado é cinematográfico, daqueles lugares em que a arquitetura não apenas impressiona, ela emociona.

Os quartos seguem a mesma lógica de amplitude e elegância. Ficamos em uma suíte de frente para o mar, onde todas as tardes acontecia um pequeno ritual poético: quando o sol começava a se despedir, uma luz alaranjada banhava o quarto inteiro e parecia se mimetizar com a decoração.

Era impossível não parar por alguns minutos para contemplar e agradecer.

Outro detalhe que me emocionou foi o cuidado com o Léon. Cada gesto da equipe parecia dizer, sem palavras: vocês são bem-vindos aqui. Algo cada vez mais raro em hotéis desse perfil.

Um rooftop que rouba a cena

Se existe um momento obrigatório no Fasano Salvador, ele acontece no rooftop.

A piscina azul-Bahia parece flutuar sobre a cidade, e a vista da Baía de Todos-os-Santos é simplesmente hipnotizante.

No fim da tarde, o céu se transforma em um degradê de laranja, rosa e dourado, um espetáculo que faz todo mundo naturalmente desacelerar. Sem exagero: um dos pores do sol mais impressionantes que já vi no Brasil.

É o tipo de cena que deveria entrar direto para a bucket list de quem ama esse espetáculo da natureza.

Gastronomia e vida no centro histórico

Dentro do hotel, o Restaurante Gero Salvador mantém os clássicos italianos executados à perfeição, mas com algumas pitadas baianas no cardápio, uma combinação que funciona surpreendentemente bem.

Outro detalhe delicioso é poder sair caminhando pelo entorno e perceber como o centro histórico está renascendo.

A poucos metros está o Palacete Tira-Chapéu, que ganhou nova vida com restaurantes e cafés que vêm movimentando a região, como o Casaria, o Chocolate du Jour e o restaurante do chef Claude Troisgros, que tem um rooftop com uma vista bucólica e linda.

Outro almoço memorável foi no Restaurante da Preta, um mergulho delicioso nos sabores e nas texturas da culinária baiana, servido em um ambiente cheio de personalidade, que, na minha opinião, é parada obrigatória.

A Bahia vista do mar

E claro: estando diante da Baía de Todos-os-Santos, navegar era inevitável, além de ser uma das coisas que eu mais amo na vida.

Como sou caçadora de experiências incríveis, pesquisei bastante até encontrar a PDR Náutica, que é uma das poucas que organiza roteiros exclusivos e privativos saindo da Bahia Marina, a poucos minutos do hotel.

Nosso passeio foi a bordo de uma Schaefer 510, novíssima, com três suítes e um sistema de som que mais parecia um trio elétrico em alto-mar, com uma tripulação mega atenciosa que fez tudo ser perfeito do início ao fim.

Passar pelo Farol da Barra, com champagne gelada, música boa e a brisa do mar no rosto, é daquelas experiências que redefinem o que a gente entende por felicidade.

O momento mais especial veio no final: mergulhar com meu neném aventureiro e assistir ao pôr do sol dentro do mar, com vista para o Elevador Lacerda.

Um daqueles instantes que entram direto para o coração e para a coleção de memórias mais preciosas.

Casa di Vina: poesia à beira-mar

No último dia da viagem, como estávamos em um casamento da família, seguimos para a praia de Itapuã.

E ali tive uma surpresa deliciosa: conhecer o Casa di Vina Boutique Hotel, lugar que sempre ouvi mencionar desde a infância.

O hotel ocupa a antiga casa onde viveu o poeta e compositor Vinicius de Moraes por sete anos, com sua sétima esposa.

A residência foi incorporada ao hotel e preserva, de forma muito íntima, a história do artista. O antigo quarto do casal foi mantido quase intacto e hoje funciona como um pequeno museu sensorial: é possível entrar, se hospedar e observar os objetos pessoais e originais do quarto de Vinicius e Gesse.

O hotel tem uma atmosfera leve, com bossa nova tocando suavemente pelos ambientes e uma vibe de praia acolhedora, com muita natureza e área kids. A gastronomia é ótima, e ficamos em um quarto equipado com uma mini copa, bem interessante para quem vai com família.

A praia em frente tem mar mais agitado, mas, a poucos metros, se formam piscinas naturais perfeitas para banho. E ali, entre o barulho das ondas e o vento salgado que sopra do mar, fica fácil entender por que tantos versos nasceram nesse pedaço de Salvador.

Sem dúvida, Salvador vive uma fase ótima, deliciosamente vibrante, que precisa ser experienciada de perto.

 

Fotos: Arquivo Pessoal

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