A relação de Beatriz Milhazes com a cor, a geometria e os padrões ornamentais ganha um novo recorte na Pinacoteca de São Paulo. Em cartaz na Pina Estação, a exposição Beatriz Milhazes: gravuras do acervo da Pinacoteca de São Paulo reúne, pela primeira vez, um conjunto de 27 gravuras produzidas entre 1996 e 2019, revelando um lado menos óbvio — e igualmente potente — da trajetória da artista carioca.
Conhecida internacionalmente pelas pinturas marcadas por sobreposições vibrantes e referências à cultura brasileira, Milhazes surge aqui em diálogo com a gravura, técnica que atravessa sua produção há décadas e que ganha protagonismo na nova mostra.

Gravuras revelam outra dimensão da obra da artista
Com curadoria de Renato Menezes, a exposição ocupa o segundo andar da Pina Estação e explora justamente os desafios técnicos e visuais das impressões em grande formato.
Algumas obras chegam a quase dois metros de largura e revelam jogos de transparência, profundidade e vibração cromática construídos a partir da serigrafia, técnica que a artista desenvolveu em parceria com Jean-Paul Rusell, fundador da Durham Press, estúdio norte-americano especializado em gravuras e livros de artista.
Ao longo da mostra, o público encontra florais, mandalas, arabescos, discos e composições geométricas que ajudam a construir o vocabulário visual da artista. Elementos ligados à chita, à arte têxtil, aos grafismos populares e à tradição modernista brasileira aparecem reinterpretados em camadas de cor e ritmo visual.

Exposição destaca processo e construção das imagens
Mais do que apresentar obras prontas, a mostra também lança luz sobre o processo criativo de Milhazes e sua relação com o tempo da gravura.
“O respeito e compreensão do tempo de cada prática carregam para o meu processo criativo inovação e elementos novos”, afirma a artista.
Esse diálogo entre técnica, repetição e construção visual aparece em trabalhos como Entre o mar e a montanha (1998), O pato (1996) e Noite de verão (2006), presentes na exposição.
Único conjunto do mundo está na Pinacoteca
A Pinacoteca é hoje o único museu do mundo a reunir esse conjunto de gravuras da artista. As obras passaram a integrar o acervo da instituição em doações realizadas em 2009 e 2024.
A exposição conta ainda com apoio do Iguatemi São Paulo, parceiro histórico da Pinacoteca em iniciativas voltadas à arte e à cultura.

SERVIÇO:
Pinacoteca de São Paulo
Edifício Pina Estação | 2º andar
De quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h)
Período: 16.05.2026 a 14.03.2027
Gratuitos aos sábados – R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia-entrada), ingresso único com acesso aos três edifícios – válido somente para o dia marcado no ingresso
2º Domingo do mês – gratuidade Mantenedora B3