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Intervenção de Ana Dias Batista ocupa o espaço projetado por Burle Marx e revisita as origens arquitetônicas da residência

Durante quatro domingos, figuras imóveis ocuparão o jardim da Casa Museu Ema Klabin, em São Paulo. À primeira vista, poderão parecer esculturas incorporadas à paisagem criada por Roberto Burle Marx. No entanto, são corpos vivos que integram “SANS, SOUCI.”, performance da artista Ana Dias Batista.

A intervenção estreia em 26 de julho e volta a acontecer nos dias 2, 9 e 16 de agosto, sempre das 11h às 17h. O trabalho foi selecionado para a edição de 2026 do programa Jardim Imaginário, iniciativa dedicada ao diálogo entre arte contemporânea, arquitetura, acervo e memória.

Para desenvolver a obra, Ana parte de uma conexão que atravessa a história da própria residência. Ao idealizar a casa onde viveu entre 1961 e 1994, Ema Klabin buscou referências no Palácio de Sanssouci, construído em Potsdam, na Alemanha, como residência de verão de Frederico, o Grande.

Concebido no século XVIII como um refúgio dedicado ao descanso e à filosofia, o palácio empresta não apenas sua arquitetura à casa brasileira, mas também seu nome à performance. Em francês, “sans souci” significa “sem preocupação”.

O corpo como monumento

Na obra, quatro atores especializados em estátuas vivas representam as cariátides e os atlantes presentes na fachada do palácio alemão. Essas figuras arquitetônicas, tradicionalmente usadas como elementos de sustentação, assumem forma humana no jardim da casa museu.

Ao permanecerem estáticos e silenciosos, os performers deslocam para o presente questões associadas ao trabalho, ao descanso e ao uso do tempo. A ação propõe uma reflexão sobre as fronteiras entre produtividade e ócio, presença e imobilidade, função e contemplação.

Assim, o jardim deixa de funcionar apenas como cenário e passa a participar da obra. Os corpos dialogam com a vegetação, a arquitetura e o ritmo da visita, criando uma imagem que aproxima a antiga residência paulistana do palácio europeu que inspirou sua construção.

Na abertura, em 26 de julho, Ana Dias Batista participa de um arte-papo com o curador Gilberto Mariotti, idealizador do Jardim Imaginário. A conversa começa às 11h, na área de eventos da instituição, com entrada gratuita e lugares disponíveis por ordem de chegada.

Uma casa atravessada pelo século XVIII

A relação entre os dois edifícios também orienta a programação educativa da mostra. Nos dias 2, 9 e 16 de agosto, às 14h30, a Casa Museu promove a visita mediada “Palácio de Sanssouci e a casa da rua Portugal”.

O percurso apresenta as referências do século XVIII presentes na residência e na coleção de Ema Klabin. Depois da atividade, os participantes poderão acompanhar a performance no jardim.

Além da arquitetura, a história dessa conexão aparece nos registros da própria família. Fotografias preservadas pelo arquivo da instituição mostram Ema Klabin e seus familiares durante uma visita ao Palácio de Sanssouci, em Potsdam, ainda na década de 1920.

Arte contemporânea em diálogo com a memória

Em sua sexta edição, o Jardim Imaginário convida artistas a desenvolverem trabalhos relacionados aos espaços e às narrativas da casa museu.

Ao longo dos anos, o programa recebeu nomes como João Loureiro, Paulo Climachauska, Leandro Lima e Gisela Motta, Marcius Galan e Marcia Pastore. Esta última participou da primeira edição realizada por meio de edital.

Agora, “SANS, SOUCI.” amplia esse percurso ao transformar elementos arquitetônicos em presença física. Em vez de reproduzir o passado, Ana Dias Batista o coloca em movimento — ainda que por meio de corpos que parecem não se mover.

Uma coleção de 35 séculos

Aberta ao público desde 2007, a Casa Museu Ema Klabin preserva os ambientes da residência onde viveu a colecionadora. O acervo reúne obras de Marc Chagall, Frans Post, Tarsila do Amaral e Candido Portinari, além de peças arqueológicas, artes decorativas e livros raros.

A coleção percorre aproximadamente 35 séculos e reúne referências de diferentes culturas. Já a residência combina a arquitetura inspirada no Palácio de Sanssouci, a decoração criada por Terri Della Stufa e o jardim projetado por Roberto Burle Marx.

Serviço

“SANS, SOUCI.”, de Ana Dias Batista
26 de julho e 2, 9 e 16 de agosto de 2026
Das 11h às 17h
Entrada gratuita

Arte-papo com Ana Dias Batista e Gilberto Mariotti
26 de julho, às 11h
100 lugares, ocupados por ordem de chegada
Entrada gratuita

Visita mediada “Palácio de Sanssouci e a casa da rua Portugal”
2, 9 e 16 de agosto, às 14h30
Inscrições pelo site da Casa Museu
R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)
Gratuidade para crianças de até 7 anos, professores e estudantes da rede pública

Casa Museu Ema Klabin
Rua Portugal, 43, Jardim Europa, São Paulo

foto principal: Nelson Kon/Arquivo Casa Museu Ema Klabin

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