
Paisagem, geometria e cor se encontram na obra de Aldir Mendes de Souza, artista que fez do território brasileiro um ponto de partida para investigar formas, ritmos e perspectivas. A partir de 15 de agosto, cerca de 20 de seus trabalhos poderão ser vistos na exposição Aldir Mendes de Souza: Arteônica da Paisagem, na Galeria Contempo, em São Paulo.
Com curadoria de Fabrício Reiner, a mostra propõe olhar para a produção do artista a partir de sua aproximação com a Arteônica, conceito criado por Waldemar Cordeiro no início dos anos 1970 para pensar as relações entre arte, tecnologia e informação.
A exposição também coloca novamente em circulação parte das obras que permaneceu sob os cuidados da família por cerca de 15 anos após a morte de Aldir, em 2007. Reunido agora em um mesmo projeto, esse conjunto permite percorrer diferentes momentos de uma produção que atravessou mais de quatro décadas.

Quando a paisagem vira geometria
Um dos elementos mais reconhecíveis desse percurso aparece a partir de 1969, quando o cafeeiro e o cafezal passam a ocupar espaço recorrente em suas pinturas. Aos poucos, porém, a paisagem deixa de funcionar apenas como representação e se transforma em estrutura.
Linhas, planos e campos cromáticos passam a organizar a superfície das obras. O que começa na observação da natureza avança, assim, em direção à abstração geométrica, sem perder completamente a referência ao território que deu origem às composições.
Essa investigação fez da cor um dos pontos centrais do trabalho de Aldir. Em séries desenvolvidas ao longo de sua trajetória, o artista explorou repetição, perspectiva e relações cromáticas para construir paisagens que parecem oscilar entre o reconhecível e o abstrato.

Entre arte e ciência
A formação de Aldir também ajuda a compreender outro aspecto menos óbvio de sua produção. Médico cirurgião plástico pela Escola Paulista de Medicina, ele levou experiências ligadas à ciência e à imagem para sua prática artística.
Radiografias e termografias estiveram entre os recursos explorados pelo artista, ampliando uma pesquisa que passou ainda por desenho, gravura, escultura, performance, cinema experimental e técnicas mistas.
Essa conexão ganhou um capítulo importante em 1971, quando Aldir participou, a convite de Waldemar Cordeiro, da Arteônica – Exposição Internacional de Arte Eletrônica, realizada no Museu de Arte Brasileira da FAAP. A iniciativa esteve entre as experiências pioneiras no país dedicadas ao encontro entre produção artística e meios eletrônicos.
Agora, mais de cinco décadas depois, o conceito reaparece como chave para observar uma obra que nunca esteve restrita à pintura. Em Arteônica da Paisagem, a tecnologia, a ciência e a natureza ajudam a revelar diferentes dimensões de um artista que encontrou na cor e na geometria uma linguagem própria.
A exposição permanece em cartaz até 19 de setembro.

Serviço
Aldir Mendes de Souza: Arteônica da Paisagem
Abertura: 15 de agosto
Visitação: até 19 de setembro
Galeria Contempo
Alameda Gabriel Monteiro da Silva, 1644, São Paulo
Segunda a sexta, das 10h às 19h
Sábado, das 10h às 16h
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