Foto Reprodução Instagram

A relação de Manu Lima com a moda começou ainda na infância, atravessou sua formação acadêmica e, mais tarde, encontrou nas redes sociais um espaço para ganhar novas formas. Entre referências pessoais, beleza, viagens, gastronomia e lifestyle, essa trajetória se transformou em comunidade e também em profissão.

Ao longo dos anos, Manu acompanhou de perto as mudanças da internet, dos primeiros blogs à consolidação das plataformas digitais. Em bate-papo com o GLMRM, ela fala sobre o início da carreira como influenciadora, os desafios da exposição, a evolução da produção de conteúdo e a forma como moda, identidade e comportamento seguem conectados em sua rotina.

Como começou a sua jornada como influenciadora digital?

Minha relação com a moda começou muito cedo. Minha avó materna foi professora de corte e costura e chegou a trabalhar com Dener, um dos grandes estilistas brasileiros da época. Ela costurava para mulheres da alta sociedade paulista, inclusive vestidos de noiva, e eu cresci vendo ela costurar. Mais tarde, me formei em moda, mas profissionalmente segui outro caminho e fui trabalhar na empresa da minha família, em uma área completamente diferente.

Então encontrei no Instagram um espaço onde pude expressar essa paixão. Comecei compartilhando meus looks, referências e meu olhar sobre moda de forma muito natural. Aos poucos, vieram também outras paixões: beleza, maquiagem, skincare, lifestyle, viagens, gastronomia, receitas e mesa posta. Foi dessa troca espontânea que fui criando conexões, construindo uma comunidade e, naturalmente, transformando tudo isso também em uma profissão.

O que despertou seu interesse em começar a escrever o blog e compartilhar sua vida e estilo nas redes sociais?

Acho que nasceu principalmente da vontade de ter um espaço onde eu pudesse falar sobre assuntos que realmente me interessavam. Como profissionalmente eu atuava em uma área completamente diferente, o blog e, depois, o Instagram se tornaram uma forma de exercitar esse meu lado mais criativo.

No começo, era tudo muito espontâneo. Eu compartilhava aquilo de que gostava, o que estava usando, minhas descobertas de moda e beleza, lugares, viagens, enfim, coisas que faziam parte da minha vida. E o mais interessante foi perceber que outras mulheres se identificavam com esse olhar. Essa troca e essa conexão com quem estava do outro lado foram o que me fizeram querer continuar.

Você acompanha a transformação da internet desde os primeiros anos dos blogs até o cenário atual. O que mais mudou na forma de produzir conteúdo e se relacionar com o público?

Mudou praticamente tudo. No início dos blogs, o conteúdo era muito mais espontâneo e existia menos preocupação com formatos, métricas ou algoritmos. Hoje, a produção se profissionalizou muito: temos vídeo, edição, estratégia, diferentes plataformas e uma velocidade de consumo muito maior.

Ao mesmo tempo, acredito que uma coisa continua sendo essencial: a conexão. O público percebe quando existe verdade no que você compartilha. Hoje, existem muito mais ferramentas e estratégia por trás de um conteúdo, mas, para mim, o grande desafio é justamente usar tudo isso sem perder a espontaneidade e a identidade.

Quais foram os desafios que você enfrentou ao longo de sua trajetória?

Acho que o principal desafio sempre foi vencer o medo e a vergonha da exposição. Eu não cresci com essa naturalidade de me colocar diante de uma câmera e compartilhar a vida nas redes sociais, então sempre tive alguns bloqueios e inseguranças.

Além disso, o desafio constante é acompanhar uma internet que muda muito rápido: novos formatos, plataformas e novas formas de consumir conteúdo e, no meio de tudo isso, tentar manter a constância.

Acho que estou aprendendo, aos poucos, a me adaptar, me sentir mais segura e entender que também existe muita força em simplesmente ser quem você é, sem perder a própria identidade.

Depois de tantos anos falando sobre moda, o que ainda desperta o seu interesse e faz você se apaixonar pelo universo da moda?

Para mim, moda nunca foi apenas sobre roupa ou tendência. A forma como a gente se veste também é uma forma de posicionamento. Antes mesmo de falarmos, a nossa imagem já comunica alguma coisa.

Eu vivi isso de uma maneira muito pessoal. Foi através da forma como passei a me vestir e a me posicionar através da minha imagem que percebi uma mudança também na maneira como as pessoas me enxergavam e até me respeitavam. Isso transformou a minha vida e fez com que eu entendesse ainda mais a força da moda.

Por isso, tenho tanto respeito pela vestimenta e pelos códigos que ela carrega. O que escolhemos vestir diz muito sobre quem somos, sobre como queremos nos apresentar ao mundo e até sobre o espaço que queremos ocupar. Acho fascinante essa capacidade que a moda tem de comunicar sem precisar dizer uma palavra.

Como você definiria o seu estilo pessoal atualmente? Quais são as peças que você considera indispensáveis no seu guarda-roupa?

Hoje eu definiria meu estilo como clássico e sofisticado, mas sempre com alguma informação de moda. Gosto muito de misturar peças mais atemporais com elementos que tragam personalidade e deixem o look menos óbvio.

A alfaiataria está muito presente no meu guarda-roupa, assim como peças que valorizam a cintura, bons jeans, camisas, blazers e sapatos mais clássicos. Também acredito muito no poder dos acessórios, porque muitas vezes são eles que transformam completamente uma produção.

No final, gosto desse equilíbrio entre o clássico e o contemporâneo. Para mim, estar bem-vestida não significa estar excessivamente arrumada, mas encontrar uma imagem que faça sentido para quem você é e para o que quer comunicar.

Fora do trabalho e da produção de conteúdo, quais são os momentos e hábitos que fazem parte da sua rotina e ajudam a manter o equilíbrio no dia a dia?

Minha espiritualidade tem sido prioridade para mim, então oração, meditação e o estudo da Bíblia fazem parte da minha rotina. Também gosto de cuidar do corpo e da mente: pratico atividade física, faço terapia e tento reservar um tempo para a leitura.

Além disso, valorizo muito os momentos simples, como estar com a minha família, cozinhar, estar com os amigos. Acho que esse conjunto de pequenas coisas é o que me ajuda a manter o equilíbrio e a estar mais presente no meu dia a dia.

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