André Lucian – Triton – Foto Divulgação

Em uma temporada que celebra movimento, contraste e liberdade, a Triton apresenta On The Move, coleção Primavera 27 que revisita códigos da marca com um olhar mais contemporâneo. Jeans de proporções amplas, alfaiataria desconstruída, tecidos fluidos e referências utilitárias aparecem lado a lado em uma proposta que acompanha um consumidor menos preso a regras e mais interessado em versatilidade e identidade.

À frente desse novo momento está André Lucian, Coordenador de Estilo da Triton. Em conversa com o GLMRM, ele fala sobre as mudanças no comportamento de quem consome moda, a força do denim, o diálogo com o arquivo da marca e o desafio de atualizar uma identidade historicamente ligada ao universo jovem e urbano sem perder sua essência.

A coleção “On The Move” fala muito sobre movimento, liberdade e novas possibilidades de vestir. O que mudou no comportamento do consumidor e que vocês sentiram que era importante traduzir nesta temporada da Triton?

O consumidor mudou a relação que tem com a moda. Hoje, ele busca muito mais do que uma peça bonita: ele quer versatilidade, identidade e liberdade para construir diferentes versões de si mesmo. A roupa precisa acompanhar a vida real, que é cada vez mais dinâmica, híbrida e menos presa a códigos tradicionais. “On The Move” nasce justamente dessa percepção. A coleção fala sobre movimento não apenas de forma literal, mas como um estado de espírito: estar aberto a novas experiências, misturar referências, experimentar proporções e encontrar novas formas de usar aquilo que já faz parte do nosso guarda-roupa. Para a Triton, esse movimento também representa uma evolução. Queremos uma marca cada vez mais conectada ao comportamento jovem e às transformações culturais, traduzindo isso em produto de forma desejável, comercial e, ao mesmo tempo, autoral.

A coleção trabalha bastante com contrastes, fluidez e estrutura, funcionalidade e sofisticação, peças amplas e construções mais precisas. Como esses opostos ajudam a traduzir o momento atual da moda e da própria Triton?

A moda hoje está muito menos interessada em regras. O que existe é uma vontade de misturar códigos que antes pareciam opostos. A gente pode ter uma peça extremamente utilitária combinada com outra mais sofisticada, uma alfaiataria com uma construção descontraída, um shape amplo com algo mais ajustado. É justamente nessa tensão que surge uma linguagem contemporânea. Na Triton, usamos esses contrastes para criar uma coleção que tenha energia e personalidade, mas que também seja muito usável. A ideia não é escolher entre sofisticação ou streetwear, entre funcionalidade ou moda. É encontrar um ponto em que esses universos coexistam. Acredito que essa capacidade de transitar entre diferentes códigos é muito importante para o novo momento da marca.

O jeanswear feminino aparece com modelagens mais amplas, como a baggy, enquanto a alfaiataria ganha novas interpretações. Quais peças ou tendências você acredita que têm maior potencial para se tornar desejo na próxima primavera?

O jeans continua sendo um dos grandes territórios de expressão da Triton, e acredito muito na força das modelagens amplas e mais relaxed, principalmente a baggy. Existe uma mudança importante na maneira como a mulher quer vestir o jeans: buscando mais conforto, mas sem abrir mão de atitude e informação de moda. Ao mesmo tempo, a alfaiataria aparece de uma maneira menos tradicional. Trabalhamos proporções, volumes, tecidos e combinações que tiram a alfaiataria daquele lugar excessivamente formal e aproximam a peça do cotidiano. Para a primavera, vejo muito potencial justamente nessa combinação: jeans com novas proporções, alfaiataria mais desconstruída, peças utilitárias sofisticadas e itens versáteis que possam transitar entre diferentes ocasiões. Acredito também que o desejo vai estar muito ligado à capacidade de uma peça transformar o look, peças que tenham presença e que sejam capazes de construir uma imagem imediatamente.

A Triton tem uma identidade muito ligada à moda jovem e urbana. Como equilibrar essa história e esse DNA com a necessidade de renovar constantemente a marca e dialogar com uma nova geração?

Acho que o ponto principal é entender que DNA não significa repetição. A Triton tem uma história muito forte dentro da moda jovem brasileira. Temos códigos reconhecíveis, uma relação histórica com o denim, com a cultura urbana, com a música, com a atitude e com a experimentação. Isso é um patrimônio da marca. Mas uma nova geração não necessariamente quer consumir a Triton da mesma maneira que as gerações anteriores consumiram. Nosso papel é preservar a essência e atualizar a linguagem. Estamos olhando para o nosso próprio arquivo, para o nosso heritage, mas também para o que está acontecendo nas ruas, na cultura, na música, na arte e no comportamento. É desse cruzamento que nasce uma Triton mais contemporânea. Para mim, renovar a marca não significa apagar o que veio antes. É usar a nossa história como matéria-prima para criar o próximo capítulo.

Se “On The Move” representa um novo momento da Triton, qual é a principal mudança de olhar que você gostaria que o público percebesse ao entrar em contato com essa coleção?

Eu gostaria que os clientes percebessem uma Triton mais madura na sua direção criativa, mas ainda muito jovem na sua atitude. “On The Move” representa uma marca que não está parada. Estamos nos movimentando, experimentando novas proporções, novos materiais, novas construções e novas maneiras de combinar os nossos códigos. Quero que, ao olhar para a coleção, o consumidor reconheça a Triton, mas talvez pense: “essa é uma Triton que eu ainda não tinha visto.” Esse é o equilíbrio que estamos buscando: manter a atitude, a energia e a irreverência que fazem parte da nossa história, mas apresentar tudo isso através de uma perspectiva mais contemporânea, mais desejável e mais conectada com o que a nova geração quer vestir. “On The Move” é sobre levar a essência da Triton para novos territórios, é sobre não ter medo de mudar de direção. E acredito que esse também é o momento da Triton!

 

Fotos: Divulgação

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