
A cerâmica voltou a ocupar um lugar de destaque no design de interiores. Presente em vasos, luminárias, esculturas, castiçais, centros de mesa, pratos e até mobiliário, o material atravessa diferentes linguagens e ajuda a construir ambientes com mais textura, personalidade e informação visual.
Além do caráter artesanal, a cerâmica permite explorar volumes, relevos, esmaltes e acabamentos que tornam cada peça parte ativa da decoração. Em alguns casos, assume função quase escultórica. Em outros, aparece de maneira mais discreta, compondo mesas, estantes e aparadores. Entre produções contemporâneas, peças vintage e referências à tradição manual, o material amplia suas possibilidades dentro de casa.
Formas artesanais na FITZ

Entre os lançamentos que chegam à FITZ, em Pinheiros, vasos de formas alongadas e alças marcantes exploram tons terrosos e acabamento de inspiração artesanal.
As diferentes alturas permitem que as peças sejam usadas de forma isolada ou em conjunto. Assim, criam composições com ritmo e reforçam a presença da cerâmica nos ambientes. Os vasos integram a curadoria da marca, que reúne mobiliário e objetos voltados ao universo da casa.
Uma peça dos anos 1960 no Acervo Jorge Feitosa

A cerâmica brasileira de outras décadas também encontra espaço nesse movimento. Selecionado por Jorge Feitosa, um vaso cornucópia produzido por volta dos anos 1960 combina história e força visual.
A peça tem formato inspirado na cornucópia, símbolo de abundância, e apresenta relevo geométrico em toda a superfície. O esmalte em tons de ocre, caramelo e marrom café destaca a textura e reforça seu desenho orgânico.
Além de acrescentar personalidade ao espaço, o objeto mostra como peças vintage podem estabelecer diálogos com interiores contemporâneos.
Matéria e processo no estudiobola

No vaso Elementos, do estudiobola, a cerâmica aparece em uma leitura minimalista. O desenho contido contrasta com o esmalte reativo, responsável por criar diferentes nuances e texturas durante a queima.
Como resultado, cada peça apresenta particularidades próprias. O processo cerâmico fica visível na superfície e dá ao objeto uma presença escultórica capaz de transitar por diferentes propostas de decoração.
Geometria na coleção Vector

A designer holandesa Inge Simonis explora outra possibilidade do material na coleção Vector, comercializada com exclusividade pela 6F Decorações.
Volumes, geometrias e linhas precisas orientam a criação das peças, que apostam em uma linguagem contemporânea. Nesse caso, a cerâmica não funciona apenas como matéria-prima, mas define a identidade visual da coleção ao evidenciar forma, textura e processo artesanal.
Flora brasileira encontra cerâmica italiana

Também na 6F Decorações, a coleção Orquídea, da Les Ottomans, leva a cerâmica para a mesa sob uma perspectiva mais exuberante.
Assinadas por Marcelo Antunes, as louças são produzidas em cerâmica italiana e recebem pinturas de orquídeas, folhagens e outros elementos tropicais. A paleta vibrante reforça o caráter maximalista da coleção, que aproxima referências da flora brasileira da tradição artesanal italiana.
Arthur Casas leva o azulejo ao mobiliário

Na Tecline, a cerâmica deixa os pequenos objetos e chega ao mobiliário com a Mesa Antigua, assinada por Arthur Casas.
O projeto parte de um azulejo cerâmico originalmente desenvolvido para revestimento de parede. Na mesa, as peças são organizadas em um mosaico horizontal e formam o tampo, marcado pelo relevo e pelo acabamento areia matte.
Uma estrutura fina em aço galvanizado completa o desenho e deixa a superfície cerâmica em evidência. Dessa forma, um elemento ligado à arquitetura passa a integrar o mobiliário sem perder sua linguagem original.
O gesto artesanal na Breton Casa

Na coleção de vasos da Breton Casa, pequenas assimetrias, curvas e relevos colocam o processo manual no centro da criação.
Em vez de buscar superfícies completamente uniformes, as peças valorizam os sinais deixados pelo fazer artesanal. Os volumes ganham caráter escultórico, enquanto a argila assume protagonismo como elemento de identidade.
Entre abordagens minimalistas, maximalistas, históricas ou experimentais, a cerâmica mostra por que permanece tão presente na decoração. Mais do que um material funcional, ela passa a atuar como linguagem, conectando técnica, gesto e design dentro de casa.
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