Dra Bibiane Lago – Foto: André Ligeiro

Envelhecer é um processo contínuo, e não algo que começa de repente diante do espelho. Ao longo dos anos, o corpo feminino passa por diferentes transformações hormonais, metabólicas e estruturais que impactam não apenas a aparência da pele, mas também a saúde, o bem-estar e a qualidade de vida.

Para a Dra. Bibiane Lago, bióloga, mestre em Biologia Celular e cirurgiã-dentista com atuação na área de saúde e estética, compreender essas mudanças é essencial para construir uma relação mais consciente com o próprio envelhecimento.

“Não existe uma idade em que precisamos começar a nos preocupar com o envelhecimento. O que existe é um processo biológico contínuo, que pode ser compreendido e acompanhado de forma individualizada, afinal quanto mais conhecemos o nosso corpo, melhores são as escolhas que fazemos ao longo da vida”, explica.

A seguir, a Dra. Bibiane explica algumas das principais transformações que costumam acontecer aos 35, 45 e 55 anos e como olhar para cada fase com mais informação e menos imediatismo.

Aos 35: uma fase de construção e prevenção

Por volta dos 35 anos, muitas mulheres começam a perceber mudanças sutis no corpo e na forma como ele responde à rotina. Fatores como estresse, qualidade do sono, alimentação e atividade física passam a exercer um impacto cada vez mais evidente na saúde e no bem-estar.

É também uma fase em que a prevenção ganha ainda mais importância. Na aparência, algumas mudanças podem começar a se tornar mais perceptíveis, como alterações na pele e uma redução gradual na produção de colágeno. No entanto, o cuidado vai muito além do espelho.

“Eu gosto de pensar nos 35 como uma fase de construção. É quando começamos a entender melhor quais são as necessidades do nosso corpo e a importância de construir hábitos que vão nos acompanhar ao longo dos próximos anos. A prevenção não significa tentar permanecer igual para sempre, mas cuidar da nossa saúde de forma consciente e individualizada.”

Mais do que buscar soluções pontuais, este é um momento de construir uma rotina consistente de cuidados, pensando não apenas no presente, mas também nas próximas fases da vida.

Aos 45: uma nova relação com os hormônios

A partir dos 40 anos, muitas mulheres começam a vivenciar mudanças hormonais importantes, especialmente durante o período da perimenopausa. Alterações na produção hormonal podem influenciar o sono, o humor, a disposição, a composição corporal e também a qualidade da pele.

É comum que a pele apresente maior ressecamento, mudanças na elasticidade e alterações na estrutura facial. Ainda assim, a experiência não é igual para todas.

“Essa é uma fase em que precisamos abandonar comparações, duas mulheres com a mesma idade podem viver processos completamente diferentes. Por isso, o cuidado precisa ser individualizado e, muitas vezes, multidisciplinar”, afirma a Dra. Bibiane.

Na clínica, essa visão integrada é parte importante do acompanhamento das pacientes. A presença de diferentes especialidades permite olhar para além de uma única queixa e compreender fatores que podem estar relacionados à saúde como um todo.

“Quando falamos de envelhecimento, não estamos falando apenas de estética, mas sim de hormônios, nutrição, qualidade do sono, saúde emocional e tantos outros aspectos que fazem parte desse processo.”

Aos 55: cuidado, longevidade e qualidade de vida

Por volta dos 50 anos, muitas mulheres já estão na menopausa ou vivenciam as transformações dessa nova fase. A queda do estrogênio pode impactar diferentes sistemas do organismo, influenciando a saúde óssea, a massa muscular, o metabolismo, o sono e a disposição.

Por isso, o acompanhamento de profissionais da saúde e a manutenção de hábitos consistentes tornam-se ainda mais importantes.

Essas transformações também podem se refletir na aparência. No rosto, por exemplo, processos de reabsorção óssea e de gordura alteram estruturas e podem mudar a forma como ele se apresenta, trazendo um aspecto de cansaço ou até uma expressão mais brava.

Para a Dra. Bibiane, é uma mudança para a qual muitas mulheres não são preparadas.

“A partir dessa fase, muitas pacientes chegam com uma frase importante: ‘Não me reconheço mais no espelho’. Existe uma mudança no rosto que acompanha todas as outras transformações do corpo e que pode impactar a forma como a mulher se enxerga. Entender essas mudanças é também parte de um processo de aceitação das novas formas que o rosto começa a expressar.”

Para a Dra. Bibiane, olhar para essa fase de maneira integral é fundamental. Mais do que tentar interromper ou reverter o tempo, o cuidado deve acompanhar as transformações do corpo com informação, prevenção e consciência.

“Existe uma mudança muito bonita quando deixamos de enxergar o cuidado como uma tentativa de voltar no tempo e passamos a enxergá-lo como uma ferramenta para viver bem em cada fase da vida.”

Não existe uma fórmula única

Embora algumas transformações sejam comuns em determinadas faixas etárias, a idade cronológica é apenas uma parte da história. Genética, estilo de vida, histórico de saúde, exposição solar, alimentação e fatores hormonais influenciam diretamente a forma como cada mulher envelhece.

Por isso, a Dra. Bibiane acredita em uma abordagem que une ciência, prevenção e individualidade.

“Cuidar de si não deveria ser uma corrida contra o tempo. É um processo de entendimento. Quando conseguimos olhar para o envelhecimento com mais informação e menos medo, também conseguimos fazer escolhas mais conscientes.”

Mais do que buscar soluções imediatas, compreender as diferentes fases da vida permite construir uma rotina de cuidados que acompanhe as necessidades reais de cada mulher. Envelhecer, afinal, não significa perder quem você é, mas continuar reconhecendo a sua identidade em cada nova fase.

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