Foto: Reprodução/Pedro Gomes/Redferns

Símbolo de liberdade e transgressão na música brasileira, Ney Matogrosso tem sido homenageado em uma sucessão de tributos espalhados pelo país ao longo de 2026, movimento que ganha novo capítulo no próximo domingo (27), no Rio de Janeiro. Seis cantoras da geração surgida nos anos 2010, Juliana Linhares, Linn da Quebrada, MC Tha, Melly, Tássia Reis e Xênia França, vão se reunir pela primeira vez no mesmo palco para o show inédito “Eu prefiro ser, uma homenagem a Ney Matogrosso”.

A apresentação acontece nos Arcos da Lapa, um dos principais cartões-postais do centro carioca, e encerra a Semana de Arte do Rio dentro da programação promovida pelo Solar em celebração ao cantor, que também conta com uma exposição em cartaz desde junho.

A reunião das seis artistas já seria motivo suficiente para transformar o evento em destaque na agenda cultural. No entanto, o tributo organizado pelo Solar está longe de ser um episódio isolado. Ao contrário, integra uma sequência de homenagens que vem sendo prestada a Ney Matogrosso ao longo deste ano, tanto no Brasil quanto, em algumas ocasiões, também em Portugal.

Uma sucessão de homenagens ao longo de 2026

Em fevereiro, duas semanas antes da estreia em São Paulo do espetáculo em que o cantor e ator Fitti interpreta o repertório de Ney com estética teatral, a escola de samba Imperatriz Leopoldinense já havia rendido homenagem ao artista, desfilando no Carnaval carioca com o enredo Camaleônico, inspirado diretamente em sua trajetória.

Em junho, foi a vez do cantor português César Soares abrir a temporada de verão da Casa da Música, no Porto, com um show dedicado à obra de Ney. Já em julho, o cantor Gustavus levou ao teatro do Sesc de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, o espetáculo “Eu bandoleiro, um tributo a Ney Matogrosso”.

Em agosto, mês em que o artista completou 85 anos, a ginasta Flávia Soares também prestou homenagem ao cantor, apresentando sua série solo para a temporada esportiva de 2026 com coreografia inspirada na música “Homem com H”, um dos maiores sucessos de Ney desde que regravou a composição originalmente escrita por Antônio Barros. Já neste mês de setembro, o ator e cantor Fabiano Medeiros voltou a apresentar em São José dos Campos o espetáculo “Pura alquimia”, turnê que percorre cidades brasileiras desde 2025 com o objetivo de celebrar a estética libertária do artista em clima psicodélico.

Um símbolo de liberdade que atravessa gerações

Para o colunista Mauro Ferreira, a sucessão de tributos não é mera coincidência. Aos 85 anos, Ney Matogrosso já se consolidou como uma lenda viva da música popular brasileira, mesmo recusando esse tipo de aura e mantendo naturalidade tanto na vida pessoal quanto em cena. Ao longo de sua trajetória, o cantor sempre representou uma voz de liberdade, ousadia e transgressão.

Não por acaso, boa parte das homenagens recentes parte de artistas ligados ao universo LGBTQIA+. Segundo a análise, à medida que Ney envelheceu sem perder sua postura libertária dentro e fora dos palcos, essa característica passou a ecoar ainda mais em um país que, apesar dos avanços, ainda carrega traços conservadores no campo moral.

Ao longo de 53 anos de carreira, Ney Matogrosso construiu uma trajetória marcada tanto pela força de suas apresentações ao vivo quanto por uma discografia praticamente irretocável, que também se tornou símbolo dessa liberdade que sempre guiou sua trajetória artística.

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