
A Galeria Mario Cohen celebrou seus 25 anos com a abertura de A Elegância do Olhar, exposição que reúne fotografias de Sebastião Salgado e Mirella Ricciardi. A mostra, com curadoria de Lilian Pacce, entrou em cartaz em São Paulo nesta terça-feira, 29 de setembro.
A noite marcou mais do que a estreia de uma nova exposição. Também simbolizou uma volta às origens da galeria, criada em 2001 com o propósito de dedicar seu espaço à fotografia como expressão artística.
Ao todo, A Elegância do Olhar reúne 17 imagens de povos amazônicos e comunidades africanas, incluindo fotografias de Ricciardi inéditas no Brasil. O recorte aproxima os livros Amazônia, de Salgado, e Vanishing Africa, de Ricciardi, criando pontos de contato entre dois olhares autorais distintos.
Um encontro que atravessa décadas
A relação entre os dois fotógrafos começou ainda nos anos 1970, quando Lélia Wanick Salgado presenteou Sebastião Salgado com Vanishing Africa. O impacto das imagens de Ricciardi foi importante na decisão de Salgado de deixar a carreira de economista e seguir a fotografia.
Décadas mais tarde, os dois se aproximaram pessoalmente e reconheceram afinidades entre seus trabalhos.
“Como nunca conversei com Sebastião sobre o que particularmente o atraiu no meu trabalho, vou remediar isso agora. Sou uma grande admiradora de suas imagens e fico muito honrada pelo seu interesse no meu trabalho e por tê-lo influenciado de alguma forma, talvez. Ele disse que minhas fotos tinham um toque feminino, em contraste com o toque masculino das suas. Foi bom ouvir dele como minha visão afetou a dele e mudou sua vida — de economista para fotógrafo. Acho que ambos criamos trabalhos influentes”, afirmou Mirella Ricciardi.
Elegância sem construção
No percurso da mostra, a curadoria aproxima imagens em que a força estética surge da própria presença das pessoas retratadas.
“Embora a linguagem dos dois se aproxime em muitos pontos, a identidade autoral de cada um é evidente. Aqui queremos ressaltar as semelhanças, especialmente a sensibilidade de ambos ao jogar luz à elegância genuína que emana da natureza e das pessoas retratadas, seja pelo gesto, o adorno ou a relação de cada um com seu território”, descreve Lilian Pacce.
A menina Marubo fotografada por Salgado e a mulher Turkana registrada por Ricciardi são alguns dos exemplos desse diálogo. Em ambos os casos, a elegância aparece menos como encenação e mais como consequência natural do gesto, do corpo e da relação com o ambiente.
Um aniversário em forma de exposição
Para Mario Cohen, a escolha da mostra como celebração dos 25 anos retoma a essência que acompanha a galeria desde sua fundação.
“Em 2001, aproveitei um pequeno espaço no andar de baixo do meu escritório recém-inaugurado em Copacabana para realizar um desejo antigo: abrir uma galeria dedicada à fotografia como expressão artística. Nascia a ‘Pequena Galeria 18’, guiada pela ideia de que fashion é, acima de tudo, elegância. Vinte e cinco anos depois, já em São Paulo e com outra maturidade, entendo o quanto ser galerista é complexo — ainda mais quando se escolhe um único tema dentro do vasto universo das imagens. Hoje, com a exposição Elegância do Olhar, percebo que nunca perdemos nosso foco. Esta mostra representa, de forma plena, aquilo que sempre buscamos: a verdadeira elegância”, afirma.
A Elegância do Olhar segue em cartaz até 11 de novembro, na Galeria Mario Cohen, no Jardim Europa, em São Paulo.
Fotos: Maria Mariana
- Neste artigo:
- arte,
- cultura,
- Fotografia,
- Galeria Mario Cohen,
- Mirella Ricciardi,
- Sebastião Salgado,






































