Com uma trajetória construída entre televisão, teatro, cinema e entretenimento, Monique Alfradique chega a 2026 celebrando dois marcos importantes: 30 anos de carreira e 40 anos de vida. Ao longo dessa caminhada, a atriz também ampliou sua atuação para a apresentação e a produção, estando à frente de projetos como “Crush Animal”, do Multishow, e “Beach Life”, do canal E!, como apresentadora e coprodutora.

Agora, inicia uma nova fase na dramaturgia ao protagonizar “Dra. Perfeita e o Senhor Caótico”, nova novela vertical do Globoplay, na qual interpreta Catarina, uma advogada desacreditada no amor que terá sua história transformada ao longo da narrativa.

Em entrevista exclusiva ao Glamurama, Monique Alfradique fala sobre o novo desafio na dramaturgia, a experiência de protagonizar uma novela vertical, a carreira e as mudanças que chegam com uma nova década de vida.

Monique, você chega aos 40 anos e celebra também três décadas de carreira com um novo protagonismo. O que representa viver Catarina justamente neste momento da sua trajetória?

É muito simbólico. Eu olho para esses 30 anos com muito carinho e com uma sensação enorme de gratidão por tudo que vivi, pelas pessoas que encontrei e por tudo que aprendi. É muito especial celebrar esses marcos tanto da minha vida quanto da minha trajetória, mantendo esse desejo de continuar experimentando e me desafiando. Catarina chega em um momento em que me sinto mais madura e mais segura das minhas escolhas. Acho que a gente não pode perder essa curiosidade. É ela que faz a gente continuar se movimentando artisticamente.

“Dra. Perfeita e o Senhor Caótico” aposta em um formato diferente de dramaturgia, com uma novela pensada para o ambiente digital e para o consumo vertical. O que te despertou a curiosidade e a vontade de embarcar nesse projeto?

Eu gosto muito de experimentar novas linguagens e acho que a dramaturgia está acompanhando as transformações na forma como as pessoas consomem histórias. A novela vertical tem uma dinâmica própria, é mais ágil e exige uma outra relação com o público. Quando recebi o convite, achei interessante justamente por ser um desafio diferente. Além disso, é uma comédia romântica escrita pelo Gustavo Reis e dirigida pela Roberta Richard, e tem uma história muito gostosa. Estou fazendo par com o Diogo Novaes, que é um ator muito talentoso, e tem sido muito especial construir essa troca com ele.

 

O que você pode adiantar sobre a personagem e sobre o que o público pode esperar dessa protagonista?

A Catarina é uma advogada forte, independente, que perdeu um pouco a fé no amor depois de sofrer uma grande decepção. Mas ela é cheia de contradições, e acho que é justamente isso que deixa a personagem tão interessante. Ela tem humor, tem força, mas também tem suas fragilidades. É uma mulher que tenta se proteger, mas que vai ser colocada diante de situações que vão mexer com algumas certezas dela, e essa mistura é muito divertida de interpretar. Não posso contar muito, mas espero que o público se apaixone por essa história.

Ao longo desses 30 anos, você transitou por diferentes frentes do entretenimento, da atuação à apresentação e à produção. O que essa multiplicidade de experiências trouxe para a profissional que você é hoje?

Trouxe muita liberdade. Quando você entende que pode ocupar lugares diferentes, começa também a olhar para o seu trabalho de outra maneira. Ser apresentadora me ensinou muito sobre escuta, improviso, sobre estar presente e lidar com o que acontece naquele momento. E estar na produção me aproximou ainda mais do processo criativo, de entender como uma ideia nasce, se desenvolve e chega ao público. Hoje me sinto uma profissional mais completa justamente porque pude experimentar essas diferentes possibilidades.

Você também esteve à frente de “Crush Animal”, do Multishow, e “Beach Life”, do canal E!, assumindo não apenas a apresentação, mas a coprodução. Como foi descobrir esse outro lugar, de estar envolvida nas decisões e na construção dos projetos?

Foi muito especial. É diferente, pois, além de apresentar algo, você acompanha o projeto desde o início, pensa junto, troca ideias e ajuda a construir. Descobri que gosto muito desse processo, de estar nos bastidores também, de pensar em formatos e entender o que pode funcionar. A apresentação me trouxe um lugar muito espontâneo, de muita troca com o público, e a produção ampliou ainda mais meu olhar. Acho que essas experiências me deram uma visão mais ampla do entretenimento.

Depois de três décadas de carreira e chegando aos 40, você sente que está vivendo uma fase de mais liberdade para escolher os trabalhos e caminhos que fazem sentido para você? O que hoje é indispensável em um projeto para despertar seu interesse?

Com certeza. Acho que o tempo vai trazendo uma clareza muito grande sobre quem você é, o que quer e o que não quer mais. No início da carreira, a gente está muito preocupada em provar que consegue, em aproveitar as oportunidades, e isso também faz parte. Com a maturidade, você começa a entender que não precisa dizer sim para tudo. A liberdade de escolha também é uma forma de amor-próprio.

Gosto de personagens que me tiram da zona de conforto e de formatos diferentes, como está sendo agora com a novela vertical. Acho que minha carreira foi me levando para esse lugar de mais autonomia, de poder escolher histórias que tenham a ver com o que estou vivendo e com a artista que quero continuar me tornando. Chegar aos 40 e olhar para trás com 30 anos de carreira é perceber justamente isso: eu quero continuar me reinventando. É isso que ainda me dá frio na barriga e vontade de trabalhar.

 

Fotos: Henrique Tarricone 

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