
Jacqueline Sato vive uma fase de novos projetos na carreira, ampliando sua atuação para além das câmeras. A atriz, roteirista e produtora participa nesta quarta-feira (4) da FRAPA, em uma conversa sobre representatividade asiática no audiovisual. Além disso, prepara seu retorno ao cinema com o longa-metragem Uma Praia em Nossas Vidas, dirigido por Guto Arruda Botelho.
A artista também tem dedicado parte de seu trabalho à criação de projetos que valorizam diferentes experiências femininas. Entre eles estão a série Mulheres Asiáticas, disponível no Universal+ dentro do Prime Video, e o livro AmarElas, desenvolvido em parceria com Janaína Tokitaka.
Representatividade em pauta na FRAPA
No dia 4 de novembro, Jacqueline participa da mesa Histórias Amarelas: representatividade nos roteiros e nas salas. O debate propõe uma reflexão sobre a presença de personagens asiáticos nas produções brasileiras.
A discussão também aborda a importância de ampliar a diversidade entre roteiristas, produtores e profissionais responsáveis pelas decisões criativas.
Para a atriz, a representatividade precisa ir além da presença de determinados grupos diante das câmeras. É necessário, também, criar oportunidades para que diferentes pessoas participem da construção das histórias.
Essa perspectiva está presente em Mulheres Asiáticas, projeto idealizado por Jacqueline. Na produção, ela assumiu funções de roteiro, apresentação e produção, acompanhando o desenvolvimento do programa desde sua concepção.
A série reúne mulheres brasileiras de ascendência asiática para conversar sobre identidade, ancestralidade, carreira e experiências pessoais.
“Eu sentia falta de encontrar histórias nas quais a experiência asiático-brasileira não fosse tratada como algo uniforme, como se a origem familiar determinasse uma maneira específica de pensar, sentir ou viver. Quando idealizei ‘Mulheres Asiáticas’, queria ouvir pessoas com trajetórias distintas, que pudessem falar sobre suas próprias experiências sem precisar representar uma comunidade inteira”, explica.
Novo livro apresenta trajetórias de mulheres asiáticas
O interesse por histórias femininas também inspirou Jacqueline a desenvolver AmarElas, livro escrito com Janaína Tokitaka e ilustrado por Amy Maitland.
Voltada ao público infantojuvenil, a publicação apresenta mulheres de diferentes origens asiáticas que construíram trajetórias importantes em áreas como ciência, cultura, artes e negócios.
A proposta é ampliar as referências disponíveis para crianças e adolescentes, apresentando histórias que nem sempre recebem espaço nas narrativas mais conhecidas.
“Quando uma criança conhece apenas um conjunto muito restrito de referências, também pode acabar enxergando menos possibilidades para o próprio futuro. Por isso, acho importante apresentar mulheres com trajetórias, origens e campos de atuação diferentes, sem resumir suas histórias à identidade que compartilham”, afirma.
Personagem de Volta por Cima abordou violência psicológica
Na televisão, Jacqueline interpretou Yuki na novela Volta por Cima, de Claudia Souto, exibida pela TV Globo.
A personagem vivia um relacionamento abusivo com Gerson Barros, interpretado por Enrique Diaz. A trama abordou situações de controle, violência psicológica e dependência emocional.
Para construir a personagem, a atriz buscou compreender as dificuldades enfrentadas por mulheres que vivem relações abusivas, sem limitar suas identidades à violência sofrida.
“Interpretar a Yuki exigiu olhar para uma realidade que não pode ser explicada por uma única reação ou decisão. Muitas vezes, quem está de fora se pergunta por que uma mulher ‘não foi embora’ já no primeiro alerta, mas essa pergunta ignora uma série de fatores emocionais que podem tornar a ruptura muito difícil”, destaca.
A atriz também defende que a ficção apresente essas situações com responsabilidade, preservando a complexidade das personagens e evitando julgamentos sobre as vítimas.
Retorno ao cinema com Uma Praia em Nossas Vidas
Entre os próximos trabalhos de Jacqueline está o longa-metragem Uma Praia em Nossas Vidas, dirigido por Guto Arruda Botelho.
Ambientado no Brasil do início dos anos 1980, durante o período posterior à ditadura militar, o filme traz a atriz no papel de Fernanda.
A personagem é uma mulher independente, que questiona as convenções sociais de sua época e não busca aprovação para suas escolhas.
O projeto marca o retorno de Jacqueline aos longas-metragens após Talvez uma História de Amor, lançado em 2018.
Segundo a atriz, Fernanda representa um tipo de personagem que sempre despertou seu interesse: mulheres que desafiam expectativas e reivindicam liberdade para construir suas próprias trajetórias.
“Sempre tive interesse em interpretar mulheres que desafiam as expectativas e não abrem mão de decidir quem querem ser. A Fernanda tem algo dessa postura que me fez pensar em Madonna, uma artista que transformou a própria imagem em instrumento de ruptura e reivindicou para as mulheres o direito de falar sobre desejo, sexualidade e liberdade sem se submeter ao julgamento alheio”, comenta.
Jacqueline também destaca que suas experiências com roteiro, produção e escrita transformaram sua maneira de enxergar a atuação.
“Hoje, tenho mais interesse em compreender não só quem é a personagem, mas também as convenções sociais que moldam sua trajetória”, conclui.
Com projetos que transitam entre televisão, cinema, literatura e produção audiovisual, Jacqueline Sato amplia sua participação na criação de narrativas. Ao mesmo tempo, mantém a representatividade e a diversidade de experiências femininas como temas centrais de seu trabalho.
Fotos: Tiago Carvalho
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