Transformar um hobby em profissão exige mais do que visibilidade. No caso de Lara Akel, também significou deixar para trás uma trajetória no mercado financeiro, reorganizar prioridades e entender que criar conteúdo poderia ocupar o centro de sua vida profissional.
Entre mudanças de algoritmo, novos formatos, parcerias, viagens e uma rotina compartilhada com milhares de pessoas, Lara construiu sua presença digital apostando em adaptação e disciplina. Ao mesmo tempo, estabeleceu limites claros entre aquilo que escolhe mostrar e o que prefere preservar longe das redes.
Em conversa com o GLMRM, Lara Akel fala sobre o momento em que percebeu que a influência poderia se tornar carreira, os desafios para continuar relevante em um mercado em constante transformação e as escolhas que precisou fazer ao longo desse caminho. Ela também revela como lida com exposição e privacidade e antecipa um dos próximos capítulos de sua trajetória: a criação de um projeto próprio de impacto social.
Qual momento em que você percebeu que poderia transformar a criação de conteúdo em profissão?
Foi quando as marcas começaram a chegar pedindo orçamento. Até ali, era um hobby que eu levava a sério porque me dava prazer: gravava vídeo antes do trabalho, editava no fim de semana, sem grande pretensão. Mas quando a primeira proposta comercial apareceu, e depois a segunda, e a terceira, eu comecei a entender a dimensão real do que era esse trabalho. Não era mais um passatempo. Era uma profissão inteira que estava se desenhando à minha frente.
O mercado de influência mudou bastante nos últimos anos. Quais foram os maiores desafios que você enfrentou para se manter relevante nesse cenário?
O maior desafio é aceitar que zona de conforto é o pior lugar que uma criadora pode habitar. O algoritmo muda o tempo todo, os formatos que funcionavam ontem já não performam hoje, e quem se apega a uma fórmula acaba engolido pelo próprio sucesso passado. Eu aprendi a ser flexível, maleável, disposta a experimentar formato novo antes que outra pessoa chegue lá primeiro. Se reinventar não é opcional nesse mercado. É a única forma de continuar existindo dentro dele.
Você compartilha viagens, experiências e momentos pessoais com seus seguidores. Como encontra o equilíbrio entre exposição e privacidade?
Se eu dissesse que existe um equilíbrio perfeito, eu estaria sendo irônica. Mas ele existe, sim, com algumas regras que eu levo a sério. Eu mostro minha vida, meu relacionamento, minha família, os lugares por onde passo. As pessoas sabem quem é o Lipe, quem é meu pai, quem é minha mãe. Mas ninguém sabe tão profundamente assim. Situações frágeis, momentos íntimos, os detalhes que pertencem só àquelas pessoas ficam de fora. Eu respeito a privacidade de quem está ao meu redor. Ao mesmo tempo em que estou me expondo, eu não estou vulnerabilizando ninguém. Essa é a linha.
Entre tantas parcerias, eventos e projetos realizados, qual momento da sua carreira você considera um divisor de águas?
O divisor de águas foi a decisão de me demitir do mercado financeiro. Eu trabalhei em banco por nove meses, ia muito bem, tinha uma carreira que a sociedade valida de forma fácil. Mas os meus olhos nunca brilharam ali como brilhavam quando eu criava conteúdo. Antes dessa decisão, ser influenciadora era um hobby: eu adorava postar no TikTok, e pronto. No dia em que eu pedi demissão, alguma coisa mudou dentro de mim. Eu falei: isso aqui vai ser o meu trabalho, e eu vou fazer muito bem feito. Quando eu decido uma coisa, eu decido com muita certeza.
Quando olha para a Lara que começou a produzir conteúdo e para a profissional que é hoje, qual foi o principal aprendizado desse caminho?
Foco. Simples assim. Eu sempre fui aquela amiga muito presente, do tipo que jantava com uma na segunda, ia pra casa de outra na terça, saía com o grupo inteiro na sexta. Quando eu decidi colocar a carreira em primeiro lugar, precisei abrir mão dessa vida social em exagero. Foi difícil no começo: ver menos as amigas, sair menos, dizer não com uma frequência que eu não estava acostumada. Mas ainda mantenho uma vida equilibrada, e muita gente comenta isso comigo. A diferença é que dentro da minha semana, dentro da minha rotina, é trabalho. É trabalho e ponto. Foco foi a habilidade que mudou o jogo pra mim.
Quais são os próximos sonhos e objetivos que você ainda deseja realizar dentro e fora das redes sociais?
O sonho maior agora é criar um projeto de impacto social próprio. Eu já ajudo de várias formas, de forma discreta, no dia a dia, mas ter um projeto meu, com nome, com estrutura, com continuidade, é algo que está sendo encaminhado e já está prestes a acontecer. Eu amo ajudar. E acho que trazer esse propósito de forma mais concreta pra minha carreira vai ser um dos capítulos mais bonitos do que ainda está por vir.
Foto: Acervo Pessoal