Acne adulta ou rosácea? Entenda as diferenças e por que o diagnóstico correto faz toda a diferença

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O surgimento de pápulas e pústulas — pequenas lesões vermelhas elevadas com pontos de pus — após os 25 anos costuma levar muitos pacientes a buscar tratamentos de venda livre para acne. No entanto, a automedicação sem diagnóstico adequado pode representar um erro importante. De acordo com a dermatologista Juliana Piquet, da Clínica Juliana Piquet, o uso de secativos e ácidos agressivos em quadros de rosácea — condição de natureza vascular e inflamatória — pode ter o efeito inverso, intensificando a vermelhidão e a sensibilidade da pele.

Como diferenciar acne adulta e rosácea

O principal ponto de distinção entre as duas condições está nas características das lesões. Enquanto a acne adulta costuma apresentar comedões — os conhecidos cravos —, a rosácea se manifesta de forma mais reativa e inflamatória, sem a presença desses elementos.

“O principal divisor de águas é a presença de comedões, que existem na acne e não fazem parte da rosácea. A rosácea é mais vascular; a acne é mais ligada à unidade pilossebácea”, explica a médica.

Além disso, a rosácea tende a se concentrar no centro do rosto, especialmente nas bochechas, no nariz e no queixo. Outro sinal característico é a sensação de ardor ou queimação persistente, sintoma que não costuma estar presente nos quadros clássicos de acne.

Uso inadequado de ativos pode piorar a inflamação

Segundo a dermatologista, um dos principais riscos está no uso incorreto de substâncias comuns em tratamentos antiacne, como o Peróxido de benzoíla e retinoides potentes. Em peles com rosácea, esses ativos podem comprometer a barreira cutânea e agravar a inflamação.

“Muitos pacientes tentam tratar a rosácea como acne e acabam piorando o quadro. O excesso de ativos irritantes pode amplificar a inflamação”, pontua Juliana.

Diferentemente da acne, que possui forte influência hormonal, a rosácea costuma ser desencadeada por fatores do cotidiano. Entre os gatilhos mais comuns estão a exposição solar, o estresse emocional, o consumo de álcool e alimentos picantes.

Tratamento personalizado e foco no controle contínuo

O manejo atual da rosácea é cada vez mais individualizado. Em vez de uma abordagem única, os protocolos modernos consideram o chamado fenótipo — ou seja, as características visíveis e específicas de cada paciente.

“Hoje tratamos a rosácea por fenótipos, e não mais de forma única. O objetivo não é apenas tratar crises, mas manter o controle contínuo”, afirma a médica.

Entre as opções terapêuticas mais utilizadas estão medicamentos tópicos, como o Metronidazol e o Ácido azelaico, além de antibióticos em doses anti-inflamatórias para casos moderados. Em todos os cenários, a recomendação é manter uma rotina de cuidados simples, com limpeza suave e hidratação adequada para peles sensíveis.

Fonte: Juliana Piquet — Dermatologista da Clínica Juliana Piquet, no Leblon (RJ).

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