
Cada vez mais mulheres têm buscado alternativas para adiar a maternidade sem abrir mão do sonho de engravidar no futuro. Entre as principais estratégias está o congelamento de óvulos, técnica que preserva a fertilidade feminina e permite a gestação posterior por meio da Fertilização In Vitro (FIV).
O procedimento ganha ainda mais relevância para quem planeja realizá-lo em 2026. Isso porque as chances de gravidez diminuem com o avanço da idade, especialmente após os 35 anos. Segundo o Dr. Rodrigo Rosa, especialista em Reprodução Humana e diretor clínico da clínica Mater Prime, o congelamento é uma opção segura para quem deseja postergar a gestação. “Com o envelhecimento, há uma queda na quantidade e na qualidade dos óvulos, além do aumento de erros genéticos, o que dificulta a gravidez e eleva o risco de abortos espontâneos”, explica.
A técnica consiste na criopreservação dos óvulos em nitrogênio líquido a –196 °C. Ela pode ser indicada tanto por motivos médicos — como antes de tratamentos oncológicos ou em casos de doenças que levam à falência ovariana precoce — quanto por razões pessoais. Entre elas estão carreira, falta de condições no momento, não se sentir pronta para a maternidade ou não ter encontrado o parceiro ideal.
Apesar dos avanços, o médico alerta que o congelamento não garante uma gestação futura. “Não funciona como uma apólice de seguros. Alguns óvulos podem não sobreviver ao degelo ou não serem fertilizados com sucesso”, afirma. A idade no momento do congelamento segue sendo determinante, já que a mulher continua envelhecendo mesmo com os óvulos preservados. Ainda assim, as taxas atuais são animadoras: hoje, espera-se cerca de 75% de sucesso no descongelamento e na fertilização em mulheres de até 38 anos.
O ciclo completo do congelamento dura, em média, três semanas. Inicialmente, a paciente realiza exames e pode usar anticoncepcionais por uma a duas semanas para controle hormonal. Em seguida, aplica hormônios por cerca de dez dias para estimular os ovários. Após o amadurecimento, os óvulos são coletados sob sedação, por meio de uma agulha guiada por ultrassom, e congelados imediatamente.
Embora seja um procedimento seguro, alguns efeitos colaterais podem surgir. Dor de cabeça, inchaço, náusea, alterações de humor e dores musculares estão entre os sintomas mais comuns. “São efeitos semelhantes aos da TPM e tendem a desaparecer com o fim da estimulação hormonal, especialmente com acompanhamento médico adequado”, explica o especialista.
Não há uma idade limite que contraindique o congelamento, mas o ideal é realizá-lo até os 35 anos. Quanto mais jovem a mulher, maiores são as chances de sucesso no futuro. O custo também deve ser considerado. Além do procedimento, entram no planejamento as medicações, o armazenamento dos óvulos e, posteriormente, a fertilização in vitro.
Para o Dr. Rodrigo Rosa, o planejamento é o ponto-chave para o sucesso. “É fundamental escolher um médico experiente e definir quantos filhos a mulher deseja ter, pois isso impacta diretamente na quantidade de óvulos a serem congelados”, afirma. Em geral, recomenda-se armazenar cerca de 10 óvulos por tentativa de gravidez. Mulheres com até 38 anos costumam coletar entre 10 e 20 óvulos por ciclo.
Com informação, acompanhamento médico e planejamento adequado, o congelamento de óvulos se consolida como uma alternativa segura e eficaz para quem deseja preservar a fertilidade e decidir o melhor momento para a maternidade.
Fonte: Dr. Rodrigo Rosa – Ginecologista e obstetra, especialista em Reprodução Humana.
Sócio-fundador e diretor clínico da clínica Mater Prime (SP) e do Mater Lab.
Membro da Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) e da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH).
Instagram: @dr.rodrigorosa
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