
Referência quando o assunto é nutrição, qualidade de vida e bem-estar, Cynthia Howlett construiu uma trajetória singular ao unir ciência, comunicação e estilo de vida. Franco-brasileira, carioca de coração e mãe de dois filhos, ela iniciou sua carreira no jornalismo e se tornou um rosto familiar do público ao comandar, por mais de uma década, programas e quadros sobre saúde e esportes no SporTV, no GNT/Globosat e na TV Globo, além de passagens marcantes pelo rádio.
Ao longo desse percurso, Cynthia viveu uma virada profissional guiada pelo interesse profundo pelo corpo, pela alimentação e pelo bem-estar integral. Formou-se em Nutrição, com especializações em nutrição esportiva, psiconutrição e gastronomia funcional, somando ainda formações em Jornalismo e Direito. Hoje, atua como consultora e palestrante, desenvolve projetos de educação nutricional para empresas e escolas, coordena iniciativas de Educação Nutricional e Sustentabilidade na Sanutrin, leciona culinária na Escola Parque e é autora dos livros A Alma do Rio e Gravidez Saudável.
Figura histórica do carnaval de rua carioca, Cynthia também carrega uma relação afetiva profunda com o bloco Suvaco do Cristo, que se despede das ruas em 2026 após 40 anos de história. Porta-bandeira por mais de duas décadas, ela acompanhou de perto o papel do bloco na revitalização do carnaval do Rio. Grávida dos dois filhos durante desfiles do Suvaco, Cynthia celebra o último cortejo ao lado deles — Manu, hoje com 18 anos, e Digo, com 13 — em um encerramento marcado por memória, afeto e história, que também será retratado em um documentário produzido pela Casé Filmes.
Você construiu uma carreira sólida no jornalismo e, nos últimos anos, passou também a atuar como nutricionista. Em que momento sentiu que era hora de virar a chave profissionalmente?
O jornalismo nunca sai da gente. Sempre tive uma paixão enorme pela informação, pela escrita e pela comunicação. Tornar-me nutricionista não foi uma ruptura, foi um processo muito natural. Quando eu estava no GNT, apresentando o quadro Alternativa Saúde, senti vontade de estudar nutrição para ter ainda mais embasamento sobre os temas que abordava na TV. O programa acabou se encerrando, um novo projeto não entrou no ar e eu decidi seguir estudando: fiz uma pós-graduação em nutrição esportiva, comecei a atender e, aos poucos, o consultório passou a fazer parte da minha rotina profissional.
O que do jornalismo você carrega até hoje na sua atuação como nutricionista e o que precisou desaprender nesse processo de transição?
O jornalismo me acompanha em absolutamente tudo. A forma de comunicar, escrever, falar em público, a curiosidade constante, a necessidade de estudar e me manter atualizada — tudo isso fortalece muito a minha atuação como nutricionista. Não precisei desaprender nada. Pelo contrário: uso tudo o que o jornalismo me trouxe, seja ao dar palestras, escrever, estudar ou me posicionar profissionalmente. Não nego que sinto falta da TV, mas encontrei novos formatos para me expressar.
A nutrição entrou na sua vida como um novo olhar sobre o corpo, a saúde ou o estilo de vida como um todo?
Entrou como um olhar ampliado sobre a vida. A nutrição não é só sobre comida, é sobre escolhas, rotina, escuta do corpo, bem-estar físico e emocional. É um cuidado que atravessa o cotidiano e se conecta diretamente com qualidade de vida.
Você costuma falar sobre escolhas conscientes e bem-estar de forma muito conectada à vida real. Como foi equilibrar essa nova carreira com a imagem pública já construída ao longo dos anos?
De forma muito natural. A imagem pública, na verdade, me ajudou bastante na nutrição. Eu sou o que eu prego e o que eu falo — e as pessoas já sabiam disso. Isso traz credibilidade. Não precisei criar um personagem novo, apenas aprofundei um discurso que sempre esteve presente na minha vida.
Ser carioca é quase um traço de personalidade. De que forma o Rio de Janeiro atravessa suas decisões, sua forma de viver e até mesmo sua atuação profissional hoje?
O Rio de Janeiro é uma cidade que incentiva uma vida mais saudável. A geografia, o clima e a natureza convidam ao movimento e ao viver o dia. Sou muito apaixonada por essa cidade e aproveito tudo o que ela oferece: as praias, as florestas, o ar livre. Isso atravessa diretamente minhas escolhas pessoais e profissionais.
O Carnaval sempre teve um papel importante na sua trajetória, especialmente com o Suvaco do Cristo. O que esse bloco representa na sua história pessoal e afetiva?
O Suvaco do Cristo representa pertencimento, afeto e continuidade. É um espaço de encontro, de celebração da cidade, da cultura e das relações que se constroem ao longo do tempo. Faz parte da minha história de forma muito profunda.
Desfilar como porta-bandeira é também um ato simbólico de representação. O que esse papel te ensinou sobre pertencimento, exposição e identidade?
Ser porta-bandeira me ensinou muito sobre responsabilidade e entrega. Você carrega símbolos, histórias e emoções coletivas. É uma exposição que exige presença, respeito e consciência de quem você representa — e isso diz muito sobre identidade e pertencimento.
Existe uma emoção específica que você espera sentir neste último desfile?
Gratidão. Uma sensação de fechamento bonito, de celebração do caminho percorrido e de tudo o que foi vivido ali ao longo dos anos.
O que vem pela frente para a Cynthia neste novo momento: mais nutrição, mais comunicação ou um equilíbrio entre os dois mundos?
Um equilíbrio. A comunicação sempre vai fazer parte de quem eu sou, e a nutrição hoje é o meu campo de atuação principal. Gosto de pensar que uno os dois mundos para tornar a informação acessível, prática e aplicável à vida real.
Para quem acompanha sua trajetória e também pensa em mudar de carreira ou se reinventar depois de muitos anos, que conselho você daria?
Não encare a mudança como ruptura, mas como continuidade. Tudo o que você viveu até ali faz parte de quem você é. Quando a transição vem de forma honesta, ela soma — nunca apaga.
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