Cuidar dos sinais do envelhecimento vai além da escolha de um procedimento estético. Para a dermatologista Laíse Leal, entender o estado da pele e os fatores que interferem em sua renovação deve vir antes de qualquer intervenção.
Sono, alimentação, exposição solar, estresse, alterações hormonais e perda de massa muscular estão entre os aspectos que podem influenciar a aparência e a saúde da pele. Por isso, pessoas da mesma idade e com queixas semelhantes nem sempre precisam seguir os mesmos tratamentos.
“A pele passa a ser vista como um biomarcador. Isso significa que vamos olhar para ela cada vez mais como um espelho de como as nossas células e o nosso metabolismo estão funcionando”, explica Laíse.
Na consulta, a avaliação não se limita à presença de rugas, manchas ou flacidez. A dermatologista também procura entender quando essas alterações surgiram, como evoluíram e quais características da rotina podem estar relacionadas a elas.
Estimular antes de transformar
A partir dessa análise, o planejamento pode incluir tecnologias voltadas ao estímulo de colágeno, bioestimuladores e cuidados diários com a pele. Mudanças de hábitos também podem fazer parte da estratégia.
A proposta, segundo Laíse, é preservar as características individuais e trabalhar a qualidade da pele de maneira gradual.
“Buscamos estimular a capacidade natural de regeneração do organismo. Quando associamos tecnologias a uma rotina adequada de cuidados, alimentação equilibrada, proteção solar e hábitos saudáveis, os resultados costumam ser mais naturais e duradouros”, afirma Laíse.
Outro ponto defendido pela médica é evitar a padronização dos rostos. Formato dos lábios, maçãs do rosto, contorno mandibular e proporções faciais variam de pessoa para pessoa e, portanto, não deveriam seguir uma mesma fórmula.
Antes de indicar uma intervenção, ela considera fatores como anatomia, idade, expressões e características individuais. Assim, em determinados casos, a decisão pode ser justamente não acrescentar volume ou não realizar um procedimento.
A chamada beleza metabólica
Essa aproximação entre estética, saúde celular, prevenção e personalização vem sendo associada ao conceito de beleza metabólica. A expressão aparece entre movimentos observados no mercado de beleza e propõe olhar para fatores internos que também podem se refletir na pele.
Na prática, porém, Laíse considera mais importante a mudança de comportamento dos próprios pacientes. Segundo ela, cresce o interesse por melhorar textura, firmeza e aparência de cansaço sem promover mudanças evidentes no rosto.
Essa lógica também influencia a escolha dos tratamentos. Nem toda flacidez exige preenchimento, assim como nem toda ruga precisa ser eliminada. Dependendo do caso, o caminho pode envolver estímulo de colágeno, tratamento de manchas, recuperação da barreira cutânea ou ajustes na rotina de skincare.
A personalização, nesse sentido, passa tanto por identificar o que uma pele precisa quanto por reconhecer aquilo de que ela pode prescindir.
Para Laíse, envelhecer bem não significa tentar impedir as mudanças provocadas pelo tempo. A proposta é acompanhar esse processo de forma gradual, preservando a saúde da pele e as características de cada pessoa.
Fonte: Dra. Laíse Leal, médica dermatologista formada pela Faculdade de Medicina de Petrópolis, pós-graduada pela Santa Casa da Gamboa, no Rio de Janeiro, e membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia.
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