As tendências de cabelo não param de mudar, e a cada temporada surgem cores e formatos novos que tomam conta das cadeiras dos salões. Foi sobre esse movimento que a hair stylist Gabriela Balan, do salão TP Beauty Lounge, no Leblon (RJ), deu sua leitura, comentando o que está em alta agora em coloração e corte, o que explica essas escolhas e como elas mudam com a estação.

Entre os destaques que ela aponta está a busca por um visual com pouco contraste na cor, criando um efeito mais uniforme e natural, além de cortes mais repicados que ganharam força puxados por referências dos anos 90. Para Gabriela, essas escolhas têm menos a ver com uma estética específica do momento e mais com o desejo das clientes por praticidade no dia a dia, já que um cabelo fácil de arrumar em casa, sem depender de muita ferramenta, virou prioridade. Ela também explica por que a estação pesa mais na escolha da cor do que na do corte e quando vale adaptar o pedido da cliente em vez de seguir a tendência ao pé da letra.

Quais são as principais tendências de coloração que você está vendo ganhar força agora nos cabelos das clientes?

A tendência agora é cabelo com pouco contraste. Mesmo os que têm mechas, são mechas com pouco contraste, tendo um degradê da parte da raiz e deixando no comprimento e nas pontas.

E em corte, quais são os pedidos mais frequentes no salão neste momento?

O corte que está muito em alta é o repicado, é o butterfly, aquele bastante repicado na frente. A franja na altura dos olhos, entre os olhos e o nariz, é uma franja que está muito em alta, e o cabelo todo repicado. E, para quem gosta dos curtos, o pixie voltou com tudo e o chanel todo retinho, na altura do pescoço.

O que explica essas tendências estarem em alta agora? Tem a ver com alguma referência específica, mudança de comportamento das clientes ou é mais um movimento que vem das redes sociais?

Elas querem hoje muita praticidade. Então, num cabelo amassado, um cabelo repicado, você consegue amassar, consegue escovar e colocar um bob sem ficar com tanta ferramenta técnica, entendeu? E dá para ajeitar o cabelo melhor. Quando o cabelo tem uma forma, você consegue ajeitar ele melhor.

Sem contar que os anos 90 estão muito em alta, né? Anos 90, comecinho dos anos 2000, é uma tendência muito forte agora, tanto em moda quanto em cabelo. E esse tipo de corte, esse tipo de coloração, fica muito evidente nesse período.

Essas tendências costumam mudar com a estação? O que você recomendaria para quem já está pensando na primavera ou no verão?

No inverno, se usam cabelos mais retos, né? No verão, cabelos mais repicados, para dar movimento, até por conta da texturização natural. Mas eu acho que, hoje em dia, a pessoa quer aquela forma. Acho que a questão da estação pesa mais para a cor. Eu acho que, para a forma, ela não pesa tanto, porque quem tiver que arrumar, vai arrumar. E, obviamente, no inverno, se seca mais o cabelo, mas, em questão da forma, eu acho que não influencia.

Agora, na cor, sim, né? No inverno, os cabelos ficam mais frios, cores mais amendoadas, mais terrosas. E, no verão, cabelos mais dourados, mais luminosos, mais, né? Com brilho, com nuances. Isso sim faz diferença, mais a cor, não o corte, nem tanto.

Existe algum tipo de cabelo, textura ou tom de pele que se beneficia mais dessas tendências? E tem alguma situação em que você recomendaria não seguir ou adaptar bastante o pedido da cliente?

Eu acho que hoje em dia não existe mais essa coisa do “não fica bom”, “não combina”. Quando a pessoa quer fazer, ela vai dar um jeito de fazer. Isso é muito polêmico em relação à franja e a comprimentos de cabelos mais curtos, né? É claro que a gente usa o visagismo para orientar o que favorece o rosto, mas, se ela quiser tomar franja, mesmo ela tendo um redemoinho, ela vai secar, vai fazer a franja grande todo dia e ela vai fazer, entendeu?

Mas o que eu vejo é que hoje as pessoas querem mesmo é praticidade e um cabelo que não leve tanto a ferramenta técnica. Então, o ideal é fazer a forma do cabelo de acordo com a naturalidade dele, para que a pessoa não tenha tanto trabalho para arrumar, sabe? Para finalizar.

E aí a questão de textura também. Existem tratamentos que deixam o cabelo mais sem frizz, né? Um cabelo mais prático. Então, se ela tem, de repente, o cabelo muito enrolado, mas necessita que ele fique mais solto, vai fazer algum procedimento estético para poder soltar aí esses cachos.

E quem tem o cabelo muito liso e quer dar um movimento pode usar o corte, por exemplo, mas também usar leave-ins para amassar, para texturizar, para criar esse volume que, às vezes, o cabelo pode não ter. Hoje o mercado oferece muitos produtos para te ajudar na finalização. Não precisa ser necessariamente algo químico.

Para quem decide seguir a tendência, quanto tempo leva o processo no salão e qual manutenção é necessária depois, tanto no salão quanto em casa?

Bom, a questão de manutenção é muito relativa, do profissional. Eu indico a pessoa sempre fazer mecha a cada três meses. Se for coloração de raiz, uma vez no mês. E o tempo que ela fica no salão depende da técnica do profissional.

Comigo, os meus clientes ficam uma hora e meia, duas horas no máximo para fazer o cabelo, independentemente da cor, assim, loiro, ruivo, moreno. As minhas técnicas e os produtos que eu uso fazem com que eu execute o cabelo e realize ele nesse tempo. Mas cada profissional tem sua técnica, então é relativo. Tem pessoas que ficam oito horas no salão.

E a manutenção também depende do crescimento. Tem pessoas que, como eu, retocam em 15 dias, porque eu fico incomodada com um pouquinho de raiz que cresce e o meu cabelo cresce bem. Agora, pessoas que o cabelo já não cresce tanto vão espaçar: o que seria cada 20 dias, um mês, vai passar aí para 30 dias, 40. Mas depende do quanto essa raiz incomoda a pessoa. Se a pessoa tem muito branco ou não, entendeu? Acaba que os cabelos são personalizados. Não tem jeito, você não adianta falar de algo no todo assim, sabe? Acaba sendo uma coisa individual.

Tem uma tonalidade que eu não comentei, mas são os ruivos, que eles vieram assim, realmente, para ficar, sabe? Nada daquele ruivo muito fantasia. É aquele ruivo um pouco mais discreto, mas que imprime mais naturalidade. Ele veio muito para ficar.

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