Esperar o corpo dar sinais de desgaste para só então começar a cuidar dele parece perder espaço entre os brasileiros. Às vésperas da Semana do Bem-Estar das Américas 2026, realizada pela Organização Pan-Americana da Saúde entre 14 e 20 de setembro, Isa Santini chama atenção para uma mudança na forma como o autocuidado vem sendo incorporado à rotina.
Empresária e investidora do setor de wellness, Isa acompanha um consumidor menos interessado em soluções pontuais e mais atento a prevenção, equilíbrio e continuidade. Nesse cenário, beleza, saúde, atividade física, alimentação e bem-estar passam a ser vistos de maneira mais integrada.
“O autocuidado deixou de ser apenas uma resposta para quando alguma coisa não está bem. Hoje, existe uma busca maior por prevenção, equilíbrio e por experiências que ajudem a manter a qualidade de vida no dia a dia”, afirma.
Um mercado que acompanha novos hábitos
A mudança de comportamento acontece em paralelo ao crescimento da economia do bem-estar. Segundo dados do Global Wellness Institute, o Brasil movimentou US$ 125,4 bilhões nesse mercado em 2024 e ocupou a 11ª posição entre os maiores do mundo.
Globalmente, o setor alcançou US$ 6,8 trilhões no mesmo período, com avanço de 7,9% em relação ao ano anterior. O cálculo reúne segmentos como beleza e cuidados pessoais, atividade física, saúde mental, alimentação e turismo de bem-estar.
Para Isa, porém, os números revelam mais do que um aumento de consumo.
“As pessoas estão entendendo que esperar o corpo apresentar sinais de desgaste para começar a cuidar dele já não faz sentido. A prevenção passa a ser uma forma de preservar não só a aparência, mas também a disposição e o bem estar”, complementa.
Essa lógica também dialoga com uma visão mais ampla de prevenção em saúde. Hábitos ligados ao sono, alimentação equilibrada, atividade física e atenção à saúde mental ganham mais espaço na rotina de quem busca qualidade de vida no longo prazo.
Personalização ganha peso
O avanço do wellness também vem mudando a maneira de escolher tratamentos e experiências. Segundo o Global Wellness Institute, o setor brasileiro registrou crescimento médio anual de 8,57% em moeda local entre 2019 e 2024.
Ao mesmo tempo, o consumidor passou a avaliar com mais atenção aquilo que recebe em troca de cada experiência.
“O consumidor está mais criterioso e quer entender o que aquela experiência entrega para além do resultado imediato. Personalização, acolhimento e continuidade passaram a ter um peso muito maior na escolha”, relata Isa.
Na prática, isso significa que o interesse não está apenas no efeito imediato. A experiência, a recorrência e a adaptação às necessidades individuais também entram na equação.
Para Isa, essa mudança ainda desloca o autocuidado de uma lógica ligada exclusivamente à estética para uma relação mais constante com o próprio corpo.
“O cuidado mais inteligente é aquele que acontece antes do corpo pedir socorro. Quando transformamos o autocuidado em hábito, conseguimos olhar para a beleza de uma forma mais saudável, preventiva e conectada ao bem estar”, conclui.