Lifting facial vai além de esticar a pele e exige avaliação individualizada

Dra Beatriz Lassance – Foto Divulgação

A ideia de que o lifting facial serve apenas para “puxar” a pele ficou para trás. Hoje, a cirurgia pode envolver planos mais profundos da face e do pescoço, com foco principalmente no terço inferior do rosto, na linha da mandíbula e na flacidez cervical. Ainda assim, o procedimento não resolve todos os sinais do envelhecimento e exige uma avaliação individualizada antes da indicação.

Segundo Beatriz Lassance, cirurgiã plástica e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e da ISAPS, quatro pontos ajudam a entender melhor o que esperar da cirurgia.

1. O lifting não trabalha apenas a pele

As técnicas atuais podem incluir o reposicionamento de estruturas mais profundas, além do tratamento da flacidez cutânea. Dessa forma, o objetivo deixa de ser simplesmente tensionar a pele.

“As técnicas atuais podem envolver o reposicionamento de tecidos mais profundos, além do tratamento da flacidez cutânea. O objetivo não é simplesmente tensionar a pele, mas trabalhar diferentes planos anatômicos para melhorar o contorno facial e cervical de maneira mais equilibrada”, explica Beatriz.

Esse tipo de abordagem pode ser indicado, por exemplo, para perda de definição da mandíbula, flacidez no terço inferior da face e excesso de pele no pescoço. A extensão do tratamento, porém, varia de acordo com a anatomia de cada pessoa.

2. Nem todas as regiões do rosto entram na mesma cirurgia

Outro ponto importante é entender que o lifting facial não corrige sozinho todas as alterações relacionadas ao envelhecimento. A região dos olhos, por exemplo, pode exigir uma abordagem própria. Já perdas de volume podem demandar outro tipo de avaliação.

“Envelhecer é um processo que envolve pele, músculos, ligamentos, gordura e estrutura óssea. O lifting atua principalmente sobre determinados componentes e regiões”, afirma a cirurgiã plástica.

Em alguns casos, procedimentos como blefaroplastia ou lipoenxertia podem ser associados. No entanto, isso não significa que a combinação seja necessária para todos os pacientes.

3. Naturalidade passou a ter mais peso no resultado

A evolução das técnicas também mudou a maneira de avaliar o resultado de um lifting. Em vez de buscar um rosto excessivamente esticado, a proposta atual tende a priorizar contorno e reposicionamento sem apagar as características individuais.

“O parâmetro não deveria ser simplesmente quanto a pele foi esticada, mas se conseguimos melhorar a anatomia que está contribuindo para a flacidez e preservar as características individuais do paciente. O rosto precisa continuar pertencendo àquela pessoa”, destaca Beatriz.

Por isso, fotos de outras pessoas, filtros e imagens de redes sociais não devem servir como único parâmetro. O planejamento precisa partir das proporções e necessidades de cada rosto.

4. Não existe uma idade única para fazer lifting

A indicação também não depende apenas da idade. Grau de flacidez, qualidade dos tecidos, anatomia, condições clínicas e expectativas entram na decisão.

“Principalmente agora, com o uso de análogos de GLP-1, pacientes mais jovens também podem necessitar de um lifting facial, inclusive de plano profundo. Mais importante do que perguntar ‘qual é a idade certa?’ é avaliar se existe uma indicação cirúrgica real”, explica a médica.

Duas pessoas da mesma idade podem apresentar graus diferentes de envelhecimento facial e, portanto, receber recomendações distintas.

Além disso, o lifting é uma cirurgia de maior porte, com preparo pré-operatório, recuperação e acompanhamento médico. “Não é um procedimento que deve ser decidido apenas porque alguém percebeu uma mudança no espelho. É preciso entender a cirurgia como um processo completo, que começa na avaliação e continua durante a recuperação”, finaliza Beatriz.

Fonte

Beatriz Lassance: cirurgiã plástica formada pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, com residência em Cirurgia Plástica pela Faculdade de Medicina do ABC. Membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e da ISAPS. CRM 69759 | RQE 15053.

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