Em resposta ao aumento expressivo de denúncias de violência digital contra mulheres, o O Boticário lança o movimento Code Her, iniciativa que busca conscientizar sobre crimes de manipulação de imagens pessoais por inteligência artificial e incentivar a denúncia dessas práticas. O projeto reúne ferramentas tecnológicas e conteúdos educativos que orientam mulheres sobre seus direitos e os caminhos legais disponíveis.
Dados da Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos da SaferNet Brasil apontam que denúncias relacionadas a misoginia, violência ou discriminação contra mulheres cresceram 224,9% em relação ao ano anterior. O cenário evidencia um medo crescente de exposição pública por meio de imagens falsas geradas por inteligência artificial — prática que tem ganhado visibilidade nos debates sobre segurança digital e direitos individuais.
A iniciativa integra o movimento Her Code, lançado pela marca em 2023, que propõe abrir conversas sobre temas ainda cercados por tabus, especialmente aqueles relacionados ao corpo e à autonomia feminina.
Tecnologia como ferramenta de proteção
O principal recurso do projeto é um bot desenvolvido para atuar dentro da plataforma X. A ferramenta pode ser acionada pelas próprias usuárias ao compartilhar fotos na rede social e passa a monitorar possíveis tentativas de manipulação ou sexualização das imagens por sistemas de inteligência artificial.
Caso haja tentativa de alteração da foto — como a geração de conteúdo falso ou sexualizado — o sistema envia um alerta à usuária e indica os canais oficiais para denúncia, além de disponibilizar informações sobre direitos e medidas legais.
O projeto também inclui uma cartilha digital com orientações jurídicas e educativas, reforçando que a internet não é um ambiente sem regras e que existem legislações específicas para proteger vítimas de crimes digitais.
Campanha amplia debate sobre violência digital
Criado pela agência AlmapBBDO, o movimento se desdobra em uma campanha multiplataforma que busca ampliar a conscientização sobre o tema. Entre as ações está um filme digital protagonizado pela cantora Marina Sena, além de conteúdos com a jornalista Rose Leonel, que teve imagens íntimas divulgadas sem consentimento no início dos anos 2000 e se tornou referência na luta por proteção legal contra crimes digitais.
A campanha reforça ainda a existência de legislações que amparam vítimas desses crimes, como a Lei Rose Leonel, a Lei Carolina Dieckmann, a Lei Maria da Penha e o Marco Civil da Internet.
Um debate que extrapola o universo da beleza
Mais do que uma ação de comunicação, o movimento posiciona a marca em uma discussão mais ampla sobre segurança digital, autonomia e responsabilidade no uso da tecnologia. Ao utilizar inteligência artificial como ferramenta de proteção, a iniciativa propõe uma abordagem preventiva e educativa, alinhada às transformações do ambiente digital e às novas formas de violência online.
O projeto reforça uma mudança de papel das marcas no debate público — especialmente em temas que atravessam comportamento, tecnologia e direitos — e evidencia como o cuidado com a imagem e a privacidade se tornou parte central das conversas contemporâneas sobre liberdade e presença no ambiente digital.