
Durante anos, a mamoplastia de aumento ocupou um lugar central entre os desejos estéticos de muitas mulheres. Seios maiores, mais marcados e com volume evidente eram vistos como referência de beleza. No entanto, esse padrão vem mudando.
Hoje, a busca por naturalidade ganhou força nos consultórios. Muitas pacientes passaram a procurar resultados mais discretos, próteses menores ou até a retirada dos implantes de silicone. O movimento acompanha uma mudança mais ampla na estética: menos exagero, mais harmonia e maior atenção à individualidade de cada corpo.
“Esse ano, particularmente, eu fiz muito explante mamário e redução de mama. Os casos de aumento mamário foram muito pequenos, muito menor que a média dos outros anos”, afirma a cirurgiã plástica Dra. Beatriz Lassance, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.
Quando o corpo muda, o desejo também muda
Segundo a médica, a decisão pelo explante ou pela troca da prótese nem sempre está ligada apenas à estética. Muitas vezes, ela acompanha uma nova fase de vida.
“A principal razão é uma mudança de vida. Às vezes o implante mamário não está mais cabendo naquele momento da paciente que colocou a prótese há alguns anos e agora está com mais idade e prefere uma mama menor”, diz a cirurgiã plástica.
Além disso, o conforto também pesa na decisão. Próteses maiores podem se tornar incômodas com o passar dos anos, especialmente diante das mudanças naturais do envelhecimento. Em alguns casos, seios muito volumosos podem causar dores, prejudicar a postura e favorecer a distensão da pele.
“Então, se a paciente começa a sentir que o tamanho das próteses está atrapalhando sua rotina e qualidade de vida, é possível optar pelo explante ou troca”, afirma a Dra. Beatriz.
Outro fator que tem aparecido com frequência é a perda de peso. Com o avanço das chamadas canetas emagrecedoras, algumas pacientes emagrecem de forma significativa e passam a perceber a prótese de maneira mais evidente.
“Agora, com as canetas emagrecedoras, algumas pacientes perdem peso e a prótese passa a ficar mais evidente, então me procuram para fazer a retirada”, acrescenta.
Retirar volume também exige planejamento
Apesar de parecer simples, a retirada ou redução da prótese exige avaliação cuidadosa. Isso acontece porque a pele da mama se adapta ao volume do implante ao longo do tempo.
“Quando realizamos um implante de silicone, o objetivo é aumentar o volume das mamas. Então, quando retiramos a prótese, procedimento conhecido como explante mamário, há uma diminuição deste volume e, portanto, além da prótese, a pele também deve ser tratada”, explica a médica.
Segundo ela, quando a pele não retrai o suficiente após a retirada do volume, a região pode ficar flácida. Por isso, em muitos casos, a cirurgia envolve também a retirada de pele e a modelagem da mama.
A abordagem depende de fatores como o tamanho da prótese original, a quantidade de glândula mamária e o desejo da paciente. Algumas mulheres podem retirar o implante. Outras preferem trocar por uma prótese menor.
“Se a paciente que deseja diminuir o tamanho dos seios possui uma boa quantidade de glândula mamária, a prótese pode ser retirada ou trocada por um tamanho menor, mas será necessário retirar pele também para deixar a forma bonita, então cicatrizes serão inevitáveis, por exemplo, no formato de T invertido. Esse procedimento é chamado de mastopexia”, diz a Dra. Beatriz.

Expectativa e resultado precisam caminhar juntos
Quando a paciente tinha mamas muito pequenas antes da primeira cirurgia, a retirada completa da prótese pode não entregar o formato esperado. Nesses casos, uma prótese menor pode ser necessária para dar forma e volume.
“É possível retirar a prótese caso a paciente deseje, mas isso deve ser muito bem conversado com o médico para alinhar as expectativas da paciente quanto ao resultado final. Vale lembrar que, quanto maior a quantidade de pele que precisa ser retirada para dar forma à mama, mais significativas serão as cicatrizes resultantes”, afirma.
Outra possibilidade é o preenchimento da mama com enxerto de gordura retirada da própria paciente por meio de lipoaspiração. No entanto, a médica ressalta que esse recurso pode ter resultado menos previsível do que a prótese.
“Mas o efeito não é tão previsível quanto com a prótese e mais cirurgias podem ser necessárias para obtenção do resultado desejado”, acrescenta.
Naturalidade com segurança
Para a Dra. Beatriz Lassance, a retirada da prótese pode ser simples, mas a reconstrução da forma da mama exige atenção. Dependendo do caso, a modelagem pode ser mais demorada e demandar conhecimento anatômico aprofundado.
Por isso, o explante e a troca de silicone devem ser encarados como procedimentos cirúrgicos. Assim, os cuidados antes e depois da operação são fundamentais.
“É importante lembrar também a cirurgia de retirada ou troca de prótese é um procedimento cirúrgico como qualquer outro, logo, os cuidados pré e pós-operatórios devem ser seguidos à risca”, recomenda a cirurgiã plástica. “E quanto maior for a cirurgia necessária para modelar a mama após a retirada ou troca da prótese, maiores serão os cuidados perioperatórios necessários”, conclui.
Fonte: Dra. Beatriz Lassance, cirurgiã plástica formada pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, com residência em cirurgia plástica na Faculdade de Medicina do ABC. Membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e da ISAPS. CRM 69759 | RQE 15053.
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