A discussão sobre longevidade deixou de estar ligada apenas ao aumento da expectativa de vida. Cada vez mais, pesquisadores e profissionais da área de saúde voltam a atenção para a qualidade dos anos vividos, considerando fatores como autonomia, prevenção, bem-estar e hábitos cotidianos.
É a partir dessa perspectiva que a biomédica e pesquisadora Ursula Coelho desenvolve seu trabalho. Com formação em Biomedicina, mestrado em Biotecnologia Aplicada à Saúde e pós-graduação em Pesquisa e Gestão de Tendências, ela concentra sua atuação na relação entre biotecnologia, inteligência artificial e comportamento humano.
A proposta é aproximar recursos científicos da rotina das pessoas. Para Ursula, a tecnologia pode contribuir para uma leitura mais ampla dos sinais do organismo e, consequentemente, apoiar decisões relacionadas à saúde antes que determinados problemas se manifestem.
“O grande desafio da nossa geração não é apenas viver mais, mas viver com energia, autonomia e propósito. A ciência nos oferece recursos para compreender melhor nosso corpo e agir antes que os problemas apareçam”, afirma.
Ciência e tecnologia aplicadas à prevenção
Esse pensamento se conecta ao conceito de Saúde 5.0, que propõe uma abordagem na qual dados, tecnologia e comportamento são utilizados para tornar o cuidado mais personalizado e preventivo. Nesse modelo, ferramentas como a inteligência artificial funcionam como apoio à interpretação de informações sobre o organismo, sem substituir a avaliação e as decisões humanas.
Ursula também é CEO da EON 2Life, healthtech que trabalha com a análise de dados corporais aliada à inteligência artificial. Na empresa, ela lidera um comitê multidisciplinar formado por profissionais das áreas de neurociência, medicina, engenharia e nutrição.
A integração de diferentes áreas faz parte de uma visão menos fragmentada sobre saúde. Alimentação, sono, atividade física, equilíbrio emocional e tecnologia, por exemplo, passam a ser observados como fatores que se relacionam entre si e podem influenciar a qualidade de vida ao longo dos anos.
Longevidade além do laboratório
Para Ursula, outro desafio está em traduzir o conhecimento produzido no ambiente acadêmico para aplicações que façam sentido no cotidiano. A pesquisadora defende que informações científicas precisam ser apresentadas de forma acessível para que possam contribuir com escolhas mais conscientes.
O debate acompanha um movimento mais amplo em torno da longevidade, que passou a ocupar espaço não apenas em pesquisas científicas, mas também nas áreas de tecnologia, inovação e bem-estar. Nesse cenário, a proposta defendida por Ursula coloca a prevenção e a compreensão individual do próprio corpo no centro da discussão sobre como viver mais e com maior qualidade.