A noite em que o propósito tinha endereço

Tem noites que você vai por convite. E tem noites que você vai por pertencimento. A oitava edição do Leilão Beneficente do Cidades Invisíveis, no Rosewood São Paulo, foi as duas coisas ao mesmo tempo, e foi exatamente por isso que ela ficou.

Chegamos como convidadas da Habitare, nossa cliente e uma das incorporadoras mais importantes de Niterói, que apoia o instituto há dois anos. Não era a primeira vez que ouvíamos falar do trabalho do Cidades Invisíveis. Mas foi a primeira vez que estivemos dentro dele, e há uma diferença enorme entre conhecer uma causa e senti-la.

O salão do Rosewood tinha aquela atmosfera de noite importante. Todo mundo presente honrou a ocasião, e havia uma elegância coletiva no ar que combinava com o peso do propósito. Usei (Barbara) joias Maxior, alta joalheria brasileira que já vestiu Michelle Obama, e sentimos que a escolha fazia sentido no contexto: uma noite de arte, impacto e presença real merece cada detalhe à altura.

Propósitos pessoais reais que se unem para transformar. Essa é a definição mais honesta do que vivemos naquela noite.

O espaço reuniu cerca de 500 pessoas, artistas, empresários, colecionadores e apoiadores, em torno de algo que raramente acontece com essa intensidade: arte servindo de ponte. As obras que foram leiloadas estavam ali como argumento de transformação da sociedade. Beto Gatti, Paulo Campos, Adriana Varejão e a raquete de João Fonseca receberam os maiores lances da noite. E a seleção de artistas do circuito contemporâneo brasileiro mostrou que impacto social e linguagem artística de alto nível não são universos separados.

Entrevistei (Vick) Samuel, o Samuka, fundador do instituto. Há mais de treze anos, ele constrói um trabalho que já destinou mais de R$ 8 milhões a projetos sociais e impactou mais de 140 mil vidas em comunidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

O que chama atenção não é só o número. É a consistência. É a clareza de propósito, que começou com um olhar sensível e a inquietude de perceber que podia fazer algo para tornar a comunidade visível. Por ser fotógrafo, começou estampando em camisetas imagens que fazia das comunidades. Depois, convidou artistas para realizar intervenções nessas fotografias. Assim nasceu algo que hoje é grandioso e se mantém depois de oito leilões, treze anos e centenas de vidas reconstruídas.

A vida é feita de propósitos pessoais reais que se unem. E é um privilégio genuíno fazer parte disso.

A Habitare entende isso com profundidade. Uma incorporadora que decidiu que o território onde constrói precisa ser mais do que endereço, precisa ser comunidade. Apoiar o Cidades Invisíveis há dois anos não é patrocínio. É posicionamento de alma. Ver isso de perto, como parceiras, renova aquilo em que acreditamos: negócios construídos com identidade real se alinham naturalmente a causas que têm o mesmo nível de integridade.

Saímos da noite com aquela sensação rara de ter estado no lugar certo, com as pessoas certas, pelo motivo certo. Neste ano, Jade Picon foi nomeada madrinha para dar ainda mais visibilidade ao instituto. Ao lado de Thaila Ayala, co-realizadora do leilão, ela resumiu bem: é sobre a força da mobilização em torno de uma causa comum. E nós concordamos, de coração.

Samuka, você é inspirador. Obrigada por transformar a carência em potência e dar visibilidade a cidades invisíveis.

Sobre o Cidades Invisíveis

Criado em 2012, em Florianópolis, o Cidades Invisíveis é uma organização social que atua na redução da pobreza e da desigualdade. Presente em diversas cidades do país, desenvolve projetos em parceria com artistas, revertendo renda em ações de impacto real em comunidades periféricas.

Alinhado à Agenda 2030 da ONU, o instituto mantém espaços Bonsai, onde crianças e jovens têm acesso gratuito a boxe, jiu-jítsu, yoga, informática, costura, arte e dança.

Faça parte desse movimento que transforma nossa sociedade.

www.cidadesinvisiveis.com /@cidadesinvisiveis

 

Fotos: Divulgação/Arquivo Pessoal

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