Na ARCOmadrid 2026, Ana Cláudia Almeida ganha um estande solo dedicado, reunindo pinturas sobre papel de algodão e tecido, além de uma composição escultórica de grande escala desenvolvida em colaboração com a Quadra. A participação integra a seção Profiles | Latin American Art, com curadoria de José Esparza Chong Cuy, voltada a artistas que tensionam e expandem as fronteiras da produção latino-americana contemporânea.
Corpo, natureza e matéria em diálogo
Entre pintura, escultura e práticas transdisciplinares, a seção reúne nomes que reconfiguram as relações entre corpo, mundo natural e materialidade. Ernesto Neto explora dimensões sensoriais e orgânicas por meio de materiais maleáveis e processos manuais, enquanto Rivane Neuenschwander propõe uma reflexão sobre violência a partir de pinturas de ambientes esvaziados.
As composições abstratas de Janaina Tschäpe articulam movimento fluido e intensidade cromática, ao passo que Cristiano Lenhardt combina cerâmica, pintura, têxteis e relevos de parede em obras que tensionam os limites entre objeto e imagem. Já Luiz Zerbini e Márcia Falcão mobilizam vocabulários pictóricos distintos — um atento aos sistemas e ritmos do mundo natural, o outro voltado à figura humana em contornos mutáveis.
Nesse contexto, Ana Cláudia Almeida e Pélagie Gbaguidi destacam gesto, memória e ressonância cultural como eixos centrais de suas práticas.
Memória e transformação como matéria
No estande solo, a produção de Ana Cláudia Almeida evidencia um engajamento dinâmico com a materialidade. Pintura, tecido e imagem se entrelaçam em superfícies que preservam vestígios de ações anteriores, criando obras em que o processo permanece visível. Assim, transformação e resiliência tornam-se elementos constitutivos da forma.
Seu manejo fluido das superfícies — ora tensionadas, ora atravessadas por camadas sutis — convida o público a perceber a abstração como espaço de memória e subjetividade. Cada trabalho funciona como um campo de ressonância entre mente e corpo, onde gesto e matéria se encontram.
Ao apresentar esse novo conjunto na ARCOmadrid 2026, Ana Cláudia Almeida reafirma uma pesquisa consistente, na qual a abstração se transforma em território sensível para narrativas íntimas e possibilidades abertas.