
Há quase três décadas acompanhando de perto as transformações do audiovisual brasileiro, Danni Suzuki construiu uma trajetória que atravessa gerações, formatos e plataformas. Da época em que a TV aberta concentrava as principais oportunidades até o atual cenário dominado pelo streaming e pelo conteúdo digital, a atriz, apresentadora e criadora seguiu abrindo caminhos e se reinventando sem romper com a própria história.
Foi no início dos anos 2000, em um mercado ainda rígido e pouco diverso, que Danni deu seus primeiros passos. O reconhecimento nacional veio com a personagem Miyuki, em Malhação (2003–2005), papel que a projetou para o grande público. Em seguida, consolidou sua presença na TV Globo com participações em produções como Sandy & Junior, Bang Bang e Pé na Jaca, tornando-se um rosto familiar da dramaturgia brasileira.
“O mercado mudou radicalmente e não só em formato, mas em mentalidade. Quando comecei, a televisão ainda era o centro de tudo. Havia um modelo mais fixo, com caminhos muito definidos”, observa a artista. Segundo ela, a ascensão da internet, das redes sociais e das plataformas digitais transformou profundamente a forma de contar histórias e de se relacionar com o público. “A linguagem mudou, o público mudou, a velocidade mudou. E quem quiser permanecer relevante precisa estar em sintonia com esse novo tempo, sem perder sua verdade no processo”, afirma.
À medida que o audiovisual se expandia para além da TV aberta, Danni também ampliava suas frentes de atuação. Tornou-se apresentadora, passou pelo cinema, integrou produções independentes e se adaptou à lógica do conteúdo digital, transitando com naturalidade entre diferentes funções, à frente e atrás das câmeras. “Percebi que minha inquietação não era falta de foco, era potência criativa”, conta. “Cada mudança do mercado me instigava a entender onde eu poderia contribuir mais com verdade.”

Um dos marcos mais simbólicos dessa fase madura foi o protagonismo no longa “Segredos”, em que interpretou Naomi. Além da complexidade da personagem, o trabalho entrou para a história ao torná-la a primeira atriz brasileira de ascendência asiática a protagonizar um longa-metragem no cinema nacional. O filme estreou nas salas de cinema e, depois, chegou ao Prime Video e à Apple TV. “‘Segredos’ foi simbólico. Não é uma questão de ego, mas de reparação”, diz. “Hoje, outras meninas asiáticas se veem no meu lugar e pensam: ‘eu também posso’.”
Em 2025, Danni reforçou o diálogo com o novo mercado ao apresentar a segunda temporada do reality “New Faces”, no canal E! Entertainment. O projeto celebrou a pluralidade da mulher brasileira, reunindo PcDs, mulheres 60+, indígenas, asiáticas, mulheres trans e outros perfis historicamente pouco representados na mídia. O movimento sintetiza sua trajetória: formada na TV aberta, mas plenamente integrada aos formatos híbridos e multiplataformas.
O mesmo se reflete em seus trabalhos no streaming. Em “Capoeiras”, série lançada no Disney+ em agosto de 2025, ela interpreta Nia em uma narrativa que mistura drama, ação e identidade cultural. Já em “Arcanjo Renegado”, do Globoplay, integra um universo marcado por tensão social e conflitos contemporâneos, ampliando ainda mais seu repertório de personagens.
“Hoje, eu escolho projetos que tenham raiz com minha essência”, afirma. “Identidade, cultura e vulnerabilidade atravessam minha própria trajetória. A arte precisa tocar, mas também precisa servir.”
Ao olhar para o caminho percorrido, Danni define sua reinvenção como um processo contínuo. “Eu não rompi com nada. Eu me transformei”, resume. “Cada etapa me construiu, mas seguir viva artisticamente exige movimento, liberdade e propósito.”
E o futuro já aponta novos passos. Entre os próximos projetos está a série “(In)Vulneráveis”, da NBC Universal, com atmosfera de Grey’s Anatomy, na qual interpreta uma médica ao lado de Zezé Motta e Juliana Alves. Mais um capítulo que confirma sua capacidade de acompanhar — e ajudar a moldar — um audiovisual brasileiro em constante transformação.
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