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Julio Vilani – Foto Divulgação

A Galeria Raquel Arnaud participa da ARCO Madrid 2026, de 4 a 8 de março, nos pavilhões 7 e 9 do IFEMA Madrid, reafirmando seu compromisso com a difusão da arte contemporânea brasileira no circuito internacional. Para esta edição, a galeria propõe um diálogo rigoroso e sensível entre as práticas de Marina Weffort e Julio Villani, articulando aproximações e contrastes a partir de processos construtivos opostos.

Subtração e adição como estratégias poéticas

A proposta expositiva parte de um eixo conceitual claro: enquanto Marina Weffort constrói pelo gesto do desfazer — desfiando, tensionando e revelando vazios —, Julio Villani trabalha pela acumulação, sobreposição e apagamento contínuo. Assim, subtração e adição tornam-se estratégias complementares, criando um campo comum de reflexão sobre estrutura, materialidade e impermanência.

No trabalho de Weffort, a memória familiar e a tradição têxtil feminina orientam um gesto paciente de “des-tecer”. Ao transformar o tecido em estrutura flexível, a artista desafia a rigidez da escultura e a bidimensionalidade do desenho. Os vazios ganham protagonismo e passam a dialogar com os cheios, instaurando uma tensão delicada entre presença e ausência. Sua produção ecoa uma abstração silenciosa, na qual rigor formal e delicadeza convivem em equilíbrio.

Arquiteturas colapsáveis e camadas de tempo

Marina Weffort – Foto Divulgação

Já nas pinturas de Villani, a investigação recai sobre a memória cultural e a história da arte. Em suas telas, imagens e arquiteturas emergem de forma velada, organizadas em camadas que sugerem a convivência de diferentes tempos. O artista define suas construções como “arquiteturas colapsáveis”: linhas frágeis e campos de cor insinuam estruturas provisórias, marcadas pela instabilidade.

O apagamento, longe de ser ausência, integra o próprio processo construtivo. A obra não se apresenta como forma definitiva, mas como vestígio de uma busca contínua. Com paleta contida e construção pictórica precisa, Villani propõe uma pintura reflexiva, na qual o visível e o oculto coexistem e convidam o espectador à contemplação atenta.

Convergências na abstração contemporânea

Ao ocuparem o mesmo espaço na ARCO Madrid 2026, Weffort e Villani estabelecem uma relação conceitual marcada pela complementaridade. A desmaterialização do tecido encontra eco nas construções instáveis da pintura e da colagem. Embora pertençam a gerações distintas, ambos dialogam com a abstração geométrica — eixo central do programa da galeria — e ampliam a leitura da produção brasileira contemporânea.

Mais do que evidenciar diferenças, a apresentação demonstra como processos distintos podem convergir em reflexões comuns, preservando a singularidade de cada artista e reafirmando a potência da arte brasileira no cenário internacional.

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