As vitórias de Wagner Moura como Melhor Ator em Filme de Drama e de “O Agente Secreto” como Melhor Filme em Língua Não Inglesa no Globo de Ouro 2026 marcaram um novo capítulo para o cinema brasileiro no circuito internacional. O longa dirigido por Kleber Mendonça Filho, que chegou à premiação sem o status de favorito absoluto, terminou a noite como um dos grandes destaques e reforçou seu potencial na corrida pelo Oscar.
Para a cineasta Fernanda Schein, radicada em Los Angeles e atuante no mercado audiovisual norte-americano, o reconhecimento é fruto de uma construção estratégica ao longo da temporada de festivais. “O Agente Secreto vai sendo trabalhado de uma maneira muito bonita e muito efetiva. É um filme que passa por Cannes, ganha visibilidade e vai crescendo até chegar ao Globo de Ouro com chance real de vitória para o Wagner”, afirma.
Um novo olhar sobre o cinema brasileiro
Segundo Fernanda, a repercussão do filme nos Estados Unidos simboliza uma mudança profunda na forma como o Brasil é visto no exterior. “Quando cheguei a Los Angeles, o repertório era muito restrito. As pessoas falavam basicamente de ‘Cidade de Deus’ e ‘Central do Brasil’. Agora há mais curiosidade, mais interesse. A percepção sobre o cinema brasileiro mudou”, diz.
Ela ressalta, no entanto, que esse novo momento precisa ser sustentado por políticas públicas e estrutura de mercado. “É essencial ter regulamentação do streaming e leis de incentivo fiscal mais robustas, como já acontece em outros países. Sem isso, é muito difícil competir em igualdade no mercado internacional”, avalia.
O Oscar no horizonte
Com o Globo de Ouro, “O Agente Secreto” entra em uma nova fase da temporada de premiações. “Quando você ganha um Globo de Ouro, as pessoas passam a olhar para o filme de outra forma”, afirma Fernanda. “Ele passa a ser visto, comentado, discutido. É o momento em que o radar dos votantes realmente se abre.”
Para ela, o impacto vai além de um único título. “Quando um filme brasileiro chega nesse patamar, ele acaba puxando outros. Abre espaço para o cinema brasileiro como um todo ser levado mais a sério”, explica.
Quem é Fernanda Schein
Natural do Rio Grande do Sul e radicada em Los Angeles, Fernanda Schein é cineasta, editora e montadora com carreira consolidada entre o Brasil e os Estados Unidos. Formada pela New York Film Academy, participou de projetos de destaque como “Neymar: O Caos Perfeito” (Netflix), “Poisoned” (Netflix, vencedor do Emmy), “Forbidden Wish” (Prime Video) e o documentário “O Caso dos Irmãos Menéndez”.
Também trabalhou em produções independentes premiadas, como “The Boy in The Mirror”, vencedor no California Women’s Film Festival, além de colaborar com diretores como Rob Styles em projetos audiovisuais de impacto internacional.
Com o sucesso de “O Agente Secreto” no Globo de Ouro, Fernanda acredita que o cinema brasileiro entra definitivamente em uma nova fase de visibilidade e prestígio global — um movimento que pode redefinir o lugar do país na indústria audiovisual nos próximos anos.