
A Almeida & Dale anuncia a correpresentação de Grada Kilomba em parceria com a Goodman Gallery. Com o acordo, a galeria brasileira se torna a única representante da artista em língua portuguesa, fortalecendo a circulação e o desenvolvimento de projetos expositivos e institucionais de sua obra no Brasil e em outros países lusófonos.
O anúncio reforça o vínculo de longo prazo de Grada Kilomba com o país e acontece em um momento de ampla visibilidade de seu trabalho no circuito artístico brasileiro. A partir de agora, a Almeida & Dale assume a representação exclusiva da artista em português, atuando em diálogo direto com Kilomba para expandir sua presença institucional e curatorial na região.
Circulação ativa da obra no Brasil
A parceria é anunciada em meio a uma nova etapa de exibição da obra da artista no Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG). No sábado, 7 de fevereiro, o museu recebe atualizações da instalação O Barco (2021), apresentada na Galeria Galpão.
Nesta nova fase, Grada Kilomba incorpora à obra a videoinstalação de grande escala Opera to a Black Venus (2024), inédita para o público brasileiro. A adição amplia a dimensão sensorial e política do trabalho, aprofundando reflexões sobre memória, colonialidade e representação.
Narrativas silenciadas e desobediência poética
A prática artística de Grada Kilomba se constrói a partir do contar histórias como gesto político. Em uma abordagem subversiva, a artista dá forma, corpo, voz e movimento a narrativas historicamente silenciadas, atravessando linguagens como performance, texto, vídeo, escultura, instalação e som.
Suas obras interrogam criticamente as relações entre conhecimento, poder, repetição e violência, interrompendo o imaginário coletivo e propondo novos modos de percepção. Kilomba define esse processo como uma “desobediência poética”, em que a beleza formal contrasta com ciclos históricos de opressão.
Um minimalismo pós-colonial
As instalações imersivas da artista se caracterizam por composições precisas e esculturais, com linhas simples e espaços quase vazios, frequentemente habitados pela presença humana. Materiais como madeira queimada, têxteis, terra, café, açúcar, cacau, barro, vidro e pedras são utilizados de forma delicada e simbólica.
Esse encontro entre rigor formal e densidade conceitual tem levado sua obra a ser descrita como um novo minimalismo pós-colonial, no qual estética e política se articulam de maneira inseparável.
Trajetória internacional e reconhecimento institucional
Grada Kilomba possui uma trajetória consolidada em importantes exposições individuais e coletivas, além de participações em bienais internacionais. Seu trabalho já foi apresentado em instituições como o Museo Reina Sofía, o Palais de Tokyo, o Castello di Rivoli e o próprio Instituto Inhotim. Em 2023, foi uma das cocuradoras da 35ª Bienal de São Paulo.
A artista integra coleções de referência, como a Tate Modern e a Fundação Calouste Gulbenkian. Doutora em filosofia pela Freie Universität Berlin, Kilomba recebeu, em 2023, o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade ISPA, em Lisboa. Em 2024, foi homenageada com a Cátedra Angela Davis pela Goethe Universität, em Frankfurt.
Com a nova representação pela Almeida & Dale, Grada Kilomba amplia ainda mais sua presença no Brasil, consolidando um diálogo contínuo entre sua prática artística, o contexto institucional brasileiro e as discussões contemporâneas sobre arte, memória e poder.
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