Lola Albonico apresenta primeira individual no Brasil com obras inspiradas em memórias afetivas

Amor colorido

A artista chilena Lola Albonico, radicada no Brasil há mais de três décadas, inaugura sua primeira exposição individual no país com a mostra “Fragmentos do Universo Feminino”, em cartaz a partir de 14 de abril no Solar Fábio Prado, em São Paulo. A exposição reúne dezenas de obras inéditas que exploram a memória como matéria-prima criativa, combinando cores intensas, colagens e símbolos afetivos em composições marcadas por forte carga emocional.

Com organização da Expo Arte e curadoria e expografia de Juliana Mônaco, a mostra apresenta um conjunto de telas que dialoga com a estética contemporânea e com referências ao universo da Pop Art. No entanto, mais do que um exercício formal, as obras nascem de experiências pessoais e de lembranças que atravessam a trajetória da artista — da infância até a vida adulta.

A memória como linguagem artística

Nas obras, pequenos recortes e elementos simbólicos se transformam em narrativas visuais. Tecidos, flores, frutas e referências familiares aparecem como fragmentos que, reunidos, constroem novas histórias e ressignificam experiências vividas. A colagem, nesse contexto, deixa de ser apenas uma técnica e passa a ocupar um papel central no processo criativo.

“São registros de pessoas amadas, lugares, tecidos, frutas, flores e narrativas que moldaram quem eu sou”, afirma Lola.

Para a artista, cada composição funciona como um gesto de reconstrução emocional. Ao selecionar e organizar elementos aparentemente simples, ela cria uma espécie de cartografia afetiva, na qual memória e identidade se entrelaçam.

Cactos

O coração como símbolo de afeto e continuidade

Um dos elementos mais recorrentes na produção de Lola Albonico é o coração, símbolo que aparece em todas as obras como representação de vida, vínculo e permanência. A imagem carrega uma dimensão autobiográfica, ligada a lembranças da infância e à relação com sua avó paterna.

Amor maior

Segundo a artista, muitas dessas memórias nasceram de momentos compartilhados, quando as duas recolhiam folhas em formato de coração. Hoje, essas recordações se transformam em linguagem visual e se consolidam como uma homenagem permanente às relações familiares.

“Minhas composições são marcadas pela vibração das cores e pela repetição de formas, criando ritmo e movimento”, diz.

Lola Albonio_foto de Victor Gelain

Assim, ao transformar lembranças pessoais em expressão artística, Lola Albonico constrói uma narrativa que une emoção, identidade e estética contemporânea. A mostra reforça seu percurso criativo e apresenta ao público brasileiro um olhar sensível sobre o universo feminino — feito de histórias, afetos e fragmentos que continuam em constante transformação.

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