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“Longe do Paraíso” (2002)_oportunidade para ver no cinema um dos maiores clássicos do diretor

O CCBB recebe, de 14 de janeiro a 9 de fevereiro, a Mostra Todd Haynes, uma ampla retrospectiva dedicada a um dos cineastas mais influentes do cinema contemporâneo. Com entrada gratuita, a programação reúne 23 filmes, além de debates, sessões comentadas, ações de acessibilidade, um curso gratuito e o lançamento de um catálogo inédito no Brasil.

Com curadoria de Carol Almeida e Camila Macedo, a mostra percorre quase cinco décadas de carreira de Todd Haynes, cineasta fundamental do New Queer Cinema, reconhecido por reinventar o melodrama, tensionar normas de gênero e construir narrativas centradas em personagens femininas complexas. A mostra tem idealização e produção executiva de Hans Spelzon e circula também por São Paulo e Brasília.

Um cinema que revela o que está por trás das aparências

A filmografia de Haynes é atravessada por uma pergunta recorrente: o que se esconde sob as superfícies aparentemente estáveis da vida cotidiana? Desejo, repressão, conflitos íntimos e tensões sociais emergem em narrativas que combinam rigor estético e potência política.

Vencedor de prêmios como o Teddy Award, o Grande Prêmio do Júri em Sundance e Veneza, além da Palma Queer em Cannes, Haynes também foi indicado ao Oscar pelo roteiro de Longe do Paraíso (2002). Seu maior sucesso comercial, Carol (2015), tornou-se um marco do cinema contemporâneo, com seis indicações ao Oscar.

Clássicos, filmes raros e cópias restauradas

A mostra apresenta 13 filmes dirigidos por Todd Haynes, do experimentalismo inicial à consagração internacional. Estão no programa títulos como Veneno, Velvet Goldmine, Não Estou Lá, Longe do Paraíso, Carol, The Velvet Underground e Segredos de um Escândalo. Algumas obras serão exibidas em cópias restauradas e outras chegam inéditas ao Brasil, como o curta Assassinos: Um Filme sobre Rimbaud (1985).

As colaborações marcantes com atrizes como Julianne Moore, Cate Blanchett, Natalie Portman e Rooney Mara também atravessam a programação, reforçando o papel central das performances femininas na obra do diretor.

“Carol” (2015) um dos maiores sucessos de Todd Haynes, na programação da Mostra

Filmes em diálogo e a construção de um olhar queer

Além da filmografia de Haynes, a mostra inclui 10 filmes de outros realizadores que dialogam estética e politicamente com sua obra. Entre eles estão clássicos como Jeanne Dielman, de Chantal Akerman; O Medo Devora a Alma, de Rainer Werner Fassbinder; Tudo o Que o Céu Permite, de Douglas Sirk; e Uma Mulher Sob Influência, de John Cassavetes.

Segundo a curadora Carol Almeida, reunir esses títulos é também reconhecer a construção histórica de um olhar queer sobre o cinema, formado por imagens que desafiam normas, afetos e modos tradicionais de ver.

Música, melodrama e cultura pop

Outro eixo fundamental da mostra é a relação de Todd Haynes com a música e a cultura pop, presente em filmes como Velvet Goldmine, Não Estou Lá e no documentário The Velvet Underground. A música aparece como estrutura narrativa, ferramenta política e elemento sensorial que organiza emoções e atmosferas.

O melodrama, muitas vezes associado a um estatuto menor dentro do cinema, também ganha destaque. A programação propõe reflexões sobre como Haynes reinventa o gênero e tensiona preconceitos históricos ligados ao feminino, ao afeto e à sensibilidade.

Debates, sessões comentadas e formação

A Mostra Todd Haynes amplia a experiência cinematográfica com mesas de debate, sessões comentadas e um curso gratuito em dois encontros, que aprofundam temas como cinema queer, melodrama, representação feminina e linguagem audiovisual.

Entre os convidados estão pesquisadoras, críticos e realizadores como Mariana Baltar, Denilson Lopes, Daniel Nolasco, João Luiz Vieira, Kariny Martins e os próprios curadores. As atividades propõem espaços de troca e reflexão, tratando o cinema de Haynes como um corpo vivo, em diálogo com questões urgentes do presente.

“Não Estou Lá” (2007)_ Cate Blanchett dá vida a Bob Dylan

Catálogo inédito e acessibilidade

A mostra lança ainda um catálogo inédito, com textos de pesquisadoras e pesquisadores brasileiros e estrangeiros, incluindo a tradução de um artigo nunca antes publicado em português de Mary Ann Doane, referência dos estudos feministas do cinema e ex-professora de Todd Haynes.

A programação conta com sessões acessíveis, incluindo exibição de Carol com audiodescrição, legendagem descritiva e tradução em Libras, além de debates com tradução simultânea, ampliando o acesso do público às obras e aos conteúdos críticos.

Ao reunir filmes, debates e formação, a Mostra Todd Haynes propõe uma imersão profunda em um cinema atento às superfícies e, sobretudo, ao que insiste em emergir por trás delas — desejos, conflitos e formas de existência que seguem ecoando no presente.

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