Na reta final da novela, Monique Alfradique exalta poder feminino em seus projetos

Foto: Raul Bittencourt

À medida que Êta Mundo Melhor se aproxima da reta final, Monique Alfradique vive um momento emblemático de sua trajetória artística. Em cena, ela dá vida a Tamires, personagem que se consolidou como uma das figuras femininas mais marcantes da novela: vaidosa, sedutora e transgressora para os padrões dos anos 1950, a ruiva conquistou o público ao revelar coragem, autonomia e uma trajetória de constante evolução.

Gerente do Dancing, Tamires exigiu de Monique uma preparação intensa e multifacetada. Para construir a presença cênica da personagem, a atriz fez aulas de canto e dança e mergulhou no universo artístico da época. O trabalho também passou por um cuidadoso estudo estético, com referências em grandes ícones do cinema clássico de Hollywood, como Rita Hayworth, Marilyn Monroe e Liza Minnelli, que ajudaram a moldar o gestual, a postura e a força simbólica da personagem.

“A Tamires é uma personagem completamente diferente de tudo o que eu já fiz. Ela tem uma força feminina muito potente, é sensual, determinada e, acima de tudo, corajosa”, afirma Monique. “Ela é o espelho de muitas mulheres que, em algum momento da vida, precisaram escolher entre um amor e a própria presença. A Tamires traz essa nossa coragem de se escutar, de romper padrões e seguir em frente.”

Ao longo da trama, o público acompanhou a transformação de Tamires, que foi além da imagem inicial de mulher sedutora para revelar camadas mais profundas, entre fragilidades, ambições e o desejo de liberdade. Uma construção que, segundo Monique, dialoga diretamente com o momento em que ela vive fora da ficção. “Construir a Tamires foi um processo muito rico. Ela representa uma mulher à frente do seu tempo, que não pede licença para existir”, completa a atriz.

Para Monique Alfradique, esse discurso também se estende aos seus projetos recentes como cocriadora e apresentadora de Crush Animal (Multishow) e Beach Life (canal E!), que ampliam seu olhar sobre protagonismo, autonomia e identidade feminina em diferentes formatos e linguagens.

Foto Divulgação

Nesta entrevista exclusiva, Monique reflete sobre o poder feminino que atravessa seus personagens, suas escolhas profissionais e os projetos que têm marcado essa fase de sua carreira, dentro e fora da televisão.

Você tem vivido um período multifacetado na sua carreira, entre atuar na novela Êta Mundo Melhor, apresentar e também cocriar diferentes programas. Como você tem conciliado esses diferentes papéis e o que cada um representa para você?

Essa fase da minha carreira tem sido intensa e desafiadora. Em Êta Mundo Melhor, reencontro a essência do meu ofício ao dar vida a uma personagem complexa, cheia de nuances. Ao mesmo tempo, com Crush Animal e Beach Life, exercito um lado criativo e autoral que sempre me acompanhou, seja apresentando ou cocriando formatos. Cada projeto traz novos aprendizados. Tudo isso torna o percurso ainda mais significativo, porque me permite explorar diferentes camadas da minha expressão artística e, sobretudo, seguir contando histórias que dialogam comigo e com o público.

Ao longo da trama de Êta Mundo Melhor, o público acompanhou uma grande evolução da sua personagem Tamires. Como você enxerga essa transformação dela e de que forma isso se conecta com sua visão de protagonismo feminino?

A Tamires começa sendo percebida apenas como uma mulher sedutora, muitas vezes julgada pelas suas escolhas de vida. Ao longo da novela, porém, ela revela uma complexidade muito maior: uma mulher que vai atrás dos seus desejos e sonhos, mesmo em uma época em que a mulher não tinha voz; que sente, que sofre, que erra e que se reinventa. Vejo esse processo como um espelho do empoderamento feminino, em que se reconhecer e se afirmar é um ato de coragem. Ela acaba inspirando empatia e identificação, porque muitas mulheres já precisaram equilibrar seus desejos pessoais com expectativas externas — algo que ecoa diretamente na vida real e, infelizmente, ainda é muito atual.

Em projetos como Crush Animal, você não apenas está à frente das câmeras, mas também lidera um time majoritariamente feminino nos bastidores. O que significa, para você, construir projetos liderados por mulheres e fortalecer essa presença feminina em todas as etapas do audiovisual?

Para mim, isso é muito natural e, ao mesmo tempo, muito consciente. Criar o formato ao lado da roteirista Andrea Batitucci e contar com a direção da Carol Durão foi fundamental para que o projeto tivesse sensibilidade, escuta e um olhar realmente alinhado com o que queríamos contar, junto com a direção do Multishow, representada por Denise Figueiredo e Marysa Macedo.
Em Beach Life, tive minha diretora e produtora Tatiana Quintella como aliada nesse processo de criação. Estar à frente e também nos bastidores é uma forma de ampliar vozes, criar oportunidades e mostrar que o protagonismo feminino no audiovisual acontece de dentro para fora, em todas as etapas do processo.

Pensando no futuro, como você vê a sua trajetória olhando para essas experiências, entre atuação, apresentação e produção? Que mensagem você quer deixar para outras mulheres que estão construindo seus caminhos no audiovisual?

Eu me sinto cada vez mais conectada com o que escolho fazer e com o impacto que essas escolhas podem ter. Meu desejo é ser uma profissional que desafia papéis tradicionais, cria oportunidades e amplia a maneira como as histórias femininas são contadas. Acho que é isso que muda de verdade: a presença ativa das mulheres por trás e na frente das câmeras, mostrando que protagonismo é também ter voz, autoria e coragem de continuar se reinventando.

Sair da versão mobile