Nem toda obra de arte foi feita apenas para ser observada. Em “Fluxos II”, Janet Vollebregt parte justamente dessa ideia para criar uma exposição em que tocar, perceber, desacelerar e participar fazem parte da experiência. Em cartaz na Galeria Filomena, no Rosewood São Paulo, a mostra reúne instalações que aproximam arte, natureza, espiritualidade e bem-estar.
Com curadoria de Marc Pottier, o projeto explora temas como energia, movimento e transformação. Em vez de estabelecer uma distância entre obra e visitante, Janet propõe uma relação mais direta, na qual o corpo também participa da leitura do trabalho.
Arte para além do olhar
Arquiteta de formação, Janet transita entre diferentes campos em sua produção. Filosofia, referências orientais, natureza e práticas contemplativas aparecem como parte de uma pesquisa dedicada à maneira como os espaços podem afetar quem os ocupa.
Esse pensamento ganha forma em trabalhos como “Salão Jin Shin Jyutsu”, “Cilindros de Oração” e “João Zen”. As obras integram um conjunto de “objetos relacionais”, criados para estimular interação, escuta e diferentes formas de percepção.
Assim, o visitante deixa de apenas circular pela exposição. A proposta é que ele encontre seu próprio ritmo diante das obras e construa uma experiência particular a partir delas.

Talismãs e caminhos pessoais
Outro fio condutor de “Fluxos II” aparece na figura do talismã. No trabalho de Janet, ele se afasta de uma leitura puramente decorativa ou simbólica para representar intenções, desejos e processos de transformação.
A partir daí, a exposição também ganha uma dimensão pessoal. Os ciclos da natureza, os fluxos de energia e as relações entre indivíduos e ambientes servem como ponto de partida para pensar mudanças, escolhas e caminhos individuais.
Uma trajetória entre arquitetura e bem-estar
Formada pela Universidade de Delft, na Holanda, Janet Vollebregt trabalha desde 1994 com a criação de ambientes relacionados ao bem-estar.
Ao longo dos anos, aprofundou estudos em arquitetura centrada no ser humano, meditação, Feng Shui e Jin Shin Jyutsu.
Depois de se mudar para o Brasil, em 2005, passou a desenvolver também projetos relacionados à arte, ao reflorestamento e à consciência ambiental. Desde 2016, lidera o Studio Janet Vollebregt, com trabalhos realizados entre Brasil e Holanda.
Na Galeria Filomena, “Fluxos II” ocupa um espaço no qual arte e hospitalidade já convivem, mas propõe uma experiência que vai além da contemplação tradicional. É uma exposição para olhar, mas também para sentir, atravessar e participar.
Serviço
“Fluxos II”, de Janet Vollebregt
Curadoria: Marc Pottier
Galeria Filomena, Rosewood São Paulo
Até 2 de novembro
Aberta ao público
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