Obra “Sobre melanina, vitamina e maestria” de Zéh Palito – Foto Divulgação

O Sesc Belenzinho, em São Paulo, recebe a partir de 10 de novembro a exposição Do pranto o oceano, e nadamos no amor, do artista Zéh Palito. Com curadoria de Daniel Rangel, a mostra apresenta 23 pinturas, além de obras inéditas e intervenções desenvolvidas especialmente para os espaços da unidade.

A exposição explora temas como identidade brasileira, ancestralidade, memória afetiva e pertencimento. Para isso, o artista utiliza uma linguagem visual marcada por cores vibrantes, especialmente o rosa, e por referências à cultura popular.

Além das pinturas, o público encontrará instalações que ocupam diferentes ambientes do Sesc, ampliando a experiência para além das salas expositivas.

Instalações ocupam diferentes espaços do Sesc

Entre os destaques da mostra está uma escultura feita com um carro, posicionada na entrada da unidade. Outra intervenção, com 12,5 metros de altura, ocupará o vão do edifício.

Já a piscina externa receberá uma escultura inflável em formato de cacho de bananas. A programação também inclui dois murais que serão pintados pelo próprio artista no local.

A montagem foi desenvolvida para dialogar com a arquitetura e os espaços de convivência do Sesc Belenzinho.

A exposição tem origem na individual apresentada por Zéh Palito em 2025, no Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC_BAHIA). No entanto, a edição paulista ganhou novos trabalhos e uma configuração própria.

Zéh Palito – Foto: @youknowmyface

Afeto e cultura popular aparecem nas obras

Um dos núcleos inéditos da exposição é dedicado às festas populares. Nele, Zéh Palito revisita sua relação com o samba e outras manifestações culturais brasileiras.

Outro espaço apresenta trabalhos relacionados à memória familiar, incluindo pinturas realizadas em colaboração com sua mãe.

Ela participa da criação por meio de fuxicos produzidos com tecidos que o artista trouxe de viagens a países africanos. Além disso, uma cortina confeccionada por ela integra a instalação.

Retratos de amigos próximos também fazem parte da mostra, trazendo elementos da vida pessoal do artista para a narrativa.

O rosa como expressão de identidade

O uso do rosa é uma das características mais marcantes da produção de Zéh Palito.

A escolha da cor teve origem em uma experiência do artista na Zâmbia, onde entrou em contato com um pigmento local de tonalidade pastel.

Ao longo dos anos, porém, o rosa ganhou novos significados em suas pinturas.

Na representação de corpos negros, especialmente masculinos, a cor aparece associada a situações de afeto, celebração e liberdade. Dessa forma, o artista questiona estereótipos ligados à masculinidade negra.

Além disso, a presença frequente de carros e piscinas acrescenta referências históricas às obras.

As piscinas remetem às restrições impostas à população negra durante o período de segregação racial nos Estados Unidos. Já os automóveis fazem referência ao Green Book, guia utilizado por viajantes negros para identificar estabelecimentos mais seguros.

Uma trajetória internacional

Natural de Limeira, no interior paulista, Zéh Palito começou a pintar aos 15 anos e desenvolveu uma trajetória que combina arte urbana e pintura contemporânea.

O artista já realizou murais em mais de 30 países. Além disso, possui trabalhos em acervos como os do Instituto Inhotim, do Baltimore Museum of Art e do Institute of Contemporary Art Miami.

Suas obras também integram coleções particulares de Beyoncé, Jay-Z e Pharrell Williams.

Em São Paulo, a exposição apresenta diferentes aspectos dessa trajetória, aproximando referências internacionais de experiências pessoais e elementos da cultura brasileira.

Do pranto o oceano, e nadamos no amor permanece em cartaz até 27 de junho de 2027, com entrada gratuita.

Serviço

Exposição: Do pranto o oceano, e nadamos no amor, de Zéh Palito
Curadoria: Daniel Rangel
Abertura: 10 de novembro de 2026, às 19h
Período: 10 de novembro de 2026 a 27 de junho de 2027
Local: Sesc Belenzinho, Rua Padre Adelino, 1000, Belenzinho, São Paulo
Horários: Terça a sábado, das 10h às 20h; domingos e feriados, das 10h às 18h
Entrada: Gratuita

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