Morgan Freeman voltou a falar publicamente sobre seu novo projeto musical, o álbum “Morgan Freeman’s Symphonic Blues Experience”, resultado de uma parceria entre o Ground Zero Blues Club, casa que o ator ajudou a fundar em 2001 na cidade de Clarksdale, no Mississippi, e a orquestra londrina Chineke!. O disco reúne releituras orquestradas de clássicos do blues, com participações de nomes como Taj Mahal, Keb’ Mo’ e Shemekia Copeland, além de narrações históricas feitas pelo próprio ator. Toda a renda arrecadada é revertida para a fundação beneficente ligada ao clube.
Segundo Freeman, a ideia de abrir o espaço em Clarksdale surgiu ao perceber que visitantes da região, conhecida por ser um dos berços do gênero, não tinham onde ouvir blues ao vivo. O álbum recém-lançado nasceu, na verdade, de um show itinerante que já reunia orquestras locais e artistas frequentes do clube antes de ganhar formato de disco.
Em entrevista concedida por videochamada, o ator relembrou memórias de infância no Mississippi, quando ouvia música em varandas e observava vizinhos tocando violão, ainda que sem se sentir particularmente atraído pelo estilo musical naquela época. Ele também recordou um episódio da adolescência, quando problemas respiratórios o impediram de continuar tocando instrumentos de sopro, o que o levou a ingressar na Força Aérea americana em vez de seguir carreira musical.
Questionado sobre planos de aposentadoria, Freeman foi direto ao dizer que não pretende parar tão cedo, citando um mantra emprestado do colega Clint Eastwood sobre resistir ao envelhecimento como resumo de sua postura diante da idade.
O astro também refletiu sobre sua trajetória no cinema e admitiu certa inveja de Denzel Washington, cujo caminho profissional incluiu papéis de ação que ele próprio nunca teve oportunidade de viver. Freeman explicou que sua carreira só de fato decolou por volta dos 50 anos, após duas décadas dedicadas aos palcos da Broadway, o que, segundo ele, acabou afastando-o do tipo de produção física e arriscada que sempre admirou desde criança, quando praticamente vivia dentro dos cinemas.
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