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A acessibilidade ocupa um lugar central na estreia de Mia Kamimura na CASACOR 2026. Em “Entre o Visível e o Invisível”, a arquiteta apresenta um espaço público de 32 metros quadrados pensado para acolher diferentes corpos e formas de uso, sem separar funcionalidade, conforto e expressão estética.

Com cabines, área de trocador e estrutura acessível, o ambiente traduz o tema “Mente e Coração” a partir de uma experiência que se revela aos poucos. Luz, superfícies translúcidas, reflexos e diferentes camadas de privacidade conduzem o percurso, enquanto as escolhas técnicas passam a integrar a própria narrativa do projeto.

“A ideia surgiu da vontade de criar um espaço que acolhesse o corpo e também a mente. Um ambiente onde a experiência não estivesse apenas na função, mas na forma como cada pessoa percebe a luz, os materiais, os reflexos e a própria sensação de permanência”, afirma Mia.

Inclusão desde a concepção

Em vez de aparecer como uma adaptação posterior, a acessibilidade orienta a organização do espaço desde o início. A circulação fluida e as áreas destinadas a diferentes necessidades de uso fazem parte de uma proposta que procura tornar a experiência mais autônoma e acolhedora.

Essa abordagem também ajuda a afastar a ideia de que recursos acessíveis precisam seguir uma linguagem estritamente técnica ou hospitalar. No projeto, segurança, privacidade e conforto convivem com materiais de presença marcante e acabamentos associados aos interiores contemporâneos.

Assim, a inclusão deixa de funcionar como um elemento isolado e passa a participar do desenho, da materialidade e da forma como o visitante percebe o ambiente.

Tecnologia entre o que se mostra e o que se preserva

Um dos pontos centrais do projeto está nas cabines executadas em vidro comutável PDLC. A tecnologia permite alternar a superfície entre os estados transparente e leitoso por meio de um pulso elétrico acionado pelo trinco.

Quando a porta se fecha, o vidro muda de aparência e garante a privacidade do usuário. A solução materializa o conceito do ambiente ao criar uma transição direta entre aquilo que permanece visível e o que deve ser resguardado.

“Queria que o ambiente não fosse percebido apenas pela função, mas também pela forma como a luz, os reflexos, as texturas e os planos de privacidade conduzem a experiência”, explica a arquiteta.

Texturas e cores criam uma atmosfera acolhedora

A materialidade amplia essa leitura sensorial. As bancadas foram revestidas com ripas abauladas de granito abstrato, cuja superfície reúne veios em tons de bege, cinza e verde.

A pedra orienta o restante da paleta, combinada a nuances de rosé e dourado. Na marcenaria, o freijó aparece ao lado do tom hibisco, criando uma atmosfera quente e sofisticada.

O equilíbrio entre rochas, madeira, vidro e superfícies reflexivas suaviza a presença dos elementos técnicos. Ao mesmo tempo, evita que a estética se sobreponha às necessidades práticas de um ambiente de uso público.

Um projeto entre precisão e sensibilidade

À frente do escritório Mia Kamimura Arquitetura e Design, a arquiteta atua principalmente em reformas completas e projetos residenciais de alto padrão. Seu trabalho combina interiores contemporâneos, atenção ao modo de viver dos clientes e acompanhamento próximo da execução.

Ao lado do marido e sócio, Rafael Sandim, responsável pela gestão e pelo acompanhamento das obras, Mia desenvolve projetos nos quais o rigor técnico se relaciona à experiência cotidiana dos espaços.

Na CASACOR 2026, essa visão ganha uma dimensão pública. Em “Entre o Visível e o Invisível”, a acessibilidade não interrompe a linguagem do projeto: ela ajuda a defini-la.

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