
Uma antiga fábrica de vassouras construída em 1908 passa a abrigar um novo capítulo da história do design brasileiro. A Galeria Teo Cleveland abre as portas em 17 de agosto, no centro de São Paulo, com uma proposta dedicada à pesquisa, conservação e valorização do mobiliário moderno nacional.
O novo endereço ocupa cerca de 2.000 m² da antiga fábrica Cerello. O projeto de adaptação leva a assinatura do Tacoa Arquitetos, que preservou elementos da arquitetura industrial, como esquadrias, tijolos aparentes e parte do maquinário original. Dessa forma, a memória produtiva do edifício passa a dialogar com as peças que agora ocupam seus ambientes.
Além do acervo, o espaço reúne áreas dedicadas ao restauro e à conservação. A equipe técnica atua em frentes como marcenaria, preparação, pintura, verniz, acabamento, estofamento, elétrica e metal. Assim, os processos que normalmente permanecem nos bastidores passam a integrar o cotidiano da galeria.

Do restauro à pesquisa

A preservação do mobiliário também acontece por meio de diferentes frentes de investigação. A historiadora e curadora Fernanda Carvalho, ligada ao Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, pesquisa a trajetória da antiga fábrica, seus equipamentos e os vestígios encontrados no imóvel.
Já a professora e pesquisadora Ethel Leon se dedica aos designers e às empresas representados no acervo. A partir desse levantamento, desenvolve verbetes e uma linha do tempo destinada a organizar e contextualizar a produção do design brasileiro.
O projeto conta ainda com a participação do arquiteto, escritor e curador Francesco Perrotta-Bosch, responsável por pesquisas sobre Giuseppe Scapinelli. Além disso, Gregorio Ceccantini investiga as espécies de madeira presentes nas peças, ampliando o conhecimento técnico sobre os materiais utilizados.

Um olhar para o modernismo brasileiro
O acervo se concentra especialmente na produção realizada entre as décadas de 1940 e 1970, período em que o mobiliário brasileiro consolidou características próprias. Nesse momento, arquitetos e designers exploraram materiais locais e desenvolveram uma linguagem ligada às transformações da arquitetura moderna.
Entre os nomes presentes nesse repertório estão Jorge Zalszupin, Julio Katinsky e Giuseppe Scapinelli, além de outros autores que já tiveram seus trabalhos abordados em exposições promovidas pela Galeria Teo.

A criação da Cleveland amplia um projeto conduzido pelos irmãos Lis e Teo Vilela Gomes. A trajetória começou com a Casa Teo, aberta em 2007, na Rua João Moura. Em 2022, o trabalho ganhou um novo capítulo com a inauguração da Galeria Teo.

Agora, o novo espaço aproxima acervo, pesquisa e ofícios especializados em um mesmo endereço. Ao ocupar um edifício histórico nos Campos Elíseos, a Galeria Teo Cleveland também se insere em uma região marcada por instituições como a Pinacoteca de São Paulo, a Sala São Paulo e o Museu da Língua Portuguesa, reforçando a conexão entre memória urbana e produção cultural contemporânea.
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