Cabides nunca foram apenas funcionais, mas, por muito tempo, foram tratados assim. Discretos, escondidos atrás de portas ou comprimidos em closets, cumpriam seu papel silencioso. Sob o olhar de designers, no entanto, o objeto do vestir se transforma em escultura.
Entre curvas inesperadas, materiais nobres e composições quase gráficas, esses cabideiros extrapolam a utilidade e se aproximam do território da arte. São peças que não pedem para ser guardadas, mas para serem vistas — e que ajudam a construir a identidade visual dos ambientes com personalidade e leveza.
Do utilitário ao elemento decorativo
Assinado pela designer Linda Martins, o mancebo Gatito aposta em um desenho leve e cheio de graça. Os braços, com linhas soltas e bem resolvidas, criam movimento e trazem um ar contemporâneo à peça, que funciona quase como um elemento decorativo.
Com uma proposta divertida, é perfeito para organizar bolsas, chapéus e lenços do dia a dia, mantendo tudo à mão sem abrir mão do charme.
Memória afetiva e inspiração no litoral
O cabideiro Joaquina integra a coleção Pra Perto do Sol, assinada pela arquiteta e designer Juliana Pippi com exclusividade para a Dona Flor Mobília. Inspirada nas paisagens e memórias afetivas do litoral catarinense, a coleção batiza cada peça com o nome de uma praia de Florianópolis.
Com composição que equilibra madeira e metal, o cabideiro explora linhas contínuas e orgânicas que remetem ao movimento fluido do mar e ao gesto manual presente no design autoral. Compacto e versátil, funciona como apoio para bolsas e acessórios, ao mesmo tempo em que se comporta como elemento gráfico na parede, trazendo leveza e identidade ao ambiente.
Design que fala sobre coletividade
A linha Coletivo, com design de Roberta Banqueri e confecção da Todo, parte de uma reflexão sobre convivência e relações humanas. A proposta se traduz em uma peça de madeira maciça multifuncional, composta por elementos que dialogam com diferentes necessidades do usuário.
Jovem e arrojada, a linha aposta em formas que expressam movimento e conexão, transformando o cabideiro em um objeto que vai além da função e assume papel simbólico dentro do espaço.
Natureza como referência estética
Também assinada por Roberta Banqueri, a peça Sem Igual foi concebida para agregar funcionalidade e identidade ao ambiente, transformando um objeto utilitário em destaque escultórico. Feito em madeira, o mancebo valoriza a matéria-prima natural por meio de linhas orgânicas e um desenho autoral que remete à delicadeza dos galhos de uma árvore.
Além de cumprir sua função de apoio, atua como elemento decorativo, reforçando o conceito do projeto ao dialogar com a paleta neutra e com a presença marcante da madeira no espaço. O resultado é um design brasileiro atemporal, no qual forma e função se encontram de maneira equilibrada.
Narrativa regional e presença escultórica
Onde falta água, sobra força — e, às vezes, beleza também. É desse contraste que o Estúdio Mula Preta parte para criar o cabideiro Cacto, uma peça que evoca o imaginário do Nordeste sem recorrer ao óbvio.
Robusto na forma e quase lúdico no desenho, o acessório intriga à primeira vista. Mais do que função, o Cacto se aproxima de uma pequena escultura, daquelas que ocupam o espaço com presença e história. Não por acaso, o projeto foi reconhecido no A’ Design Award & Competition, reforçando o olhar do estúdio para narrativas que nascem do território e ganham forma no design.
Essencialidade e força da matéria
O cabideiro Cápsula, do estudiobola, é feito em mármore maciço e parte de um desenho direto. A peça se sustenta pela presença da pedra e pelas nuances naturais do material, que tornam cada unidade única.
O projeto explora proporção e equilíbrio para resolver a função com o mínimo de elementos. Sem excessos formais, o desenho valoriza o essencial e destaca a atemporalidade da matéria — uma abordagem que dialoga com ambientes contemporâneos e sofisticados.