Se antes a escolha da roupa infantil estava quase exclusivamente nas mãos dos pais, hoje as meninas participam cada vez mais desse processo e chegam às lojas com referências, opiniões e desejos próprios. No Dia das Crianças, essa mudança ganha ainda mais força e revela uma nova relação entre infância e moda.
Para Sandra Bilibio, diretora de marcas da Nanai, marca do Grupo Kyly, entender esse comportamento é parte essencial do processo de criação da marca, que tem na cor, na tropicalidade, nas estampas e no movimento alguns de seus principais códigos. Nesta conversa, ela fala sobre como as tendências chegam ao universo infantil, o equilíbrio entre o olhar das meninas e das mães e os caminhos para construir uma moda que acompanhe essa nova geração sem antecipar a vida adulta.
A Nanai tem uma identidade muito ligada à cor, à feminilidade, às estampas e ao universo tropical. Como esse DNA aparece nas coleções e, ao mesmo tempo, acompanha as mudanças no comportamento das meninas?
A Nanai tem um DNA muito próprio, que passa pela tropicalidade, pelas cores, pelos aviamentos e, principalmente, pelo movimento. Gostamos de trabalhar com volumes, com malhas e tecidos que se movimentam e com peças que têm presença, mas que continuam permitindo que a criança viva a infância com liberdade.
Ao mesmo tempo, o estilo não é estático. As meninas de hoje têm mais repertório e opinião sobre o que querem vestir. A Nanai acompanha essa evolução sem perder sua essência. As tendências entram como caminho de estilo, nas proporções, nas combinações de cores, nas modelagens e nos detalhes, sempre mantendo o DNA e preservando aquilo que faz uma peça ser reconhecida como Nanai. Acho que esse é o nosso equilíbrio: acompanhar as meninas sem deixar de ser Nanai.
Hoje as crianças chegam às lojas com referências de moda muito mais cedo. Como a Nanai transforma tendências e inspirações do universo adulto em propostas que façam sentido para o olhar infantil?
Existe um trabalho de tradução. Não queremos simplesmente reproduzir uma tendência adulta para o infantil. Observamos o que está acontecendo na moda: cores, formas, volumes, materiais e proporções, e pensamos em como essas referências podem entrar no universo da Nanai.
A criança de hoje tem mais acesso à informação e reconhece rapidamente aquilo que está acontecendo ao seu redor. Ela quer participar, experimentar e fazer escolhas, mas isso não significa que precise parecer adulta. Por isso, uma tendência pode chegar à Nanai através de uma cor, de uma nova proporção, de uma estampa, de um volume ou de uma modelagem diferente.
Para nós, existe uma questão importante nessa tradução. A criança precisa continuar sendo criança, mesmo quando as referências de moda chegam cada vez mais cedo.
Como funciona o processo de criação de uma coleção da Nanai? O que vocês observam — comportamento, redes sociais, viagens, arte, moda — para entender o que vai despertar o desejo das meninas?
Nosso processo começa antes do desenho da peça. Observamos comportamento, moda, arte, viagens, vitrines, digital e movimentos culturais. Pesquisa, para nós, não significa reproduzir aquilo que está em alta. Precisamos interpretar, entender o que, entre tantos estímulos, realmente conversa com a identidade da Nanai e merece ser levado para a coleção.
A partir daí, as referências são traduzidas em cartelas de cores, estampas, tecidos, malhas diferenciadas, modelagens e decorações. E existe também uma dose importante de intuição no processo criativo. No final, buscamos aquela peça que tem algo especial, que traz o olhar da menina e da mãe.
Uma das grandes mudanças do mercado é que a criança passou a participar ativamente da escolha do que veste. Como a Nanai equilibra o desejo das meninas com aquilo que os pais procuram em uma roupa infantil, como conforto, qualidade e praticidade?
Sem dúvida, a menina participa cada vez mais das escolhas, e isso faz parte da evolução do comportamento de compra das famílias com crianças. Mas, na Nanai, temos um olhar muito atento para a mãe. É ela quem conhece a rotina da filha, entende o conforto, reconhece a qualidade e a praticidade e também escolhe a forma como quer ver sua filha vestida.
Por isso, quando desenvolvemos uma coleção, buscamos criar peças que encantem as meninas e também as mães. A cor, a estampa e o movimento precisam estar alinhados ao conforto, à qualidade e à funcionalidade. A melhor escolha acontece quando a mãe e a menina gostam do que a criança vai vestir.
O Dia das Crianças é uma data importante para o varejo. Que tipo de comportamento de compra vocês percebem hoje nessa época do ano? A roupa continua sendo um presente desejado ou a relação com a moda mudou?
A roupa continua tendo um espaço importante como presente, mas a relação com ela mudou. As crianças participam mais das escolhas, têm preferências e chegam hoje às lojas com um repertório que antes aparecia mais tarde.
Acho que hoje a experiência ficou mais compartilhada. A menina participa, opina e se reconhece naquilo que veste, mas a mãe continua tendo um papel muito importante na escolha. Quando as duas se encantam pela mesma peça, existe uma conexão muito bonita e especial.
Olhando para o futuro da Nanai, que menina vocês querem vestir? E quais são os principais caminhos que a marca enxerga para continuar crescendo junto com essa nova geração?
Mais do que definir uma menina, nós gostamos da ideia de definir o estilo da marca. Não queremos dizer quem é a menina Nanai ou como ela deve ser. As meninas são diferentes entre si, têm personalidades, referências e formas de se expressar muito próprias. E isso é algo que respeitamos.
O que queremos é que a Nanai tenha uma identidade cada vez mais reconhecível, um estilo ligado à tropicalidade, à cor, aos volumes e ao movimento. Uma moda que acompanha a menina.
Queremos estar presentes em diferentes momentos dessa infância. Há dias e ocasiões em que ela vai querer mais cor, mais movimento. Em outros, algo leve e descomplicado. A Nanai pode fazer parte desses diferentes momentos.
Queremos construir um estilo reconhecível, para que ela possa escolher a Nanai nos momentos em que esse estilo traduz aquilo que ela quer vestir.
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