Com a chegada do Lollapalooza Brasil, que começou nesta sexta-feira e segue até domingo em São Paulo, os festivais voltam a ocupar o centro das atenções não apenas pela música, mas também pelo impacto direto que exercem sobre comportamento, consumo e tendências de moda. Mais do que um evento cultural, o festival se consolida como vitrine de estilo e criatividade, onde o público experimenta novas combinações, mistura referências e transforma o look em parte essencial da experiência.
Nesse contexto, o Lollapalooza funciona como um verdadeiro radar de tendências — um espaço onde estética, funcionalidade e atitude se encontram. A busca por produções versáteis, confortáveis e cheias de personalidade reflete um consumidor cada vez mais consciente de seu estilo e interessado em peças que acompanhem o ritmo intenso de shows, deslocamentos e longas horas ao ar livre.
GLMRM conversou com executivas e diretoras criativas de marcas e plataformas que acompanham de perto o comportamento do público para entender quais tendências devem dominar os looks dentro e fora dos festivais.
“As tendências de moda hoje refletem muito mais comportamento do que estética pura. Existe um desejo crescente por peças que traduzam autenticidade e versatilidade. Ao mesmo tempo, vemos uma valorização do styling como ferramenta de expressão individual, em que o novo não está necessariamente no produto, mas na forma de usá-lo e adaptá-lo. Festivais são o momento perfeito para trazer a sua autenticidade”, afirma Nati Vozza, diretora criativa e fundadora da NV.
Na mesma linha, a leitura do mercado aponta para um equilíbrio cada vez mais evidente entre funcionalidade e expressão. A moda atual abraça referências diversas — do boho ao esportivo — e reforça a ideia de que estilo não se resume a uma estética única, mas à capacidade de adaptar tendências ao cotidiano.
“Os festivais se consolidaram como verdadeiros termômetros de comportamento e estilo, antecipando movimentos que rapidamente chegam ao guarda-roupa cotidiano. Tendências como o boho revisitado, a estética sportstyle e o avanço de um styling mais funcional mostram que a moda vive um momento de equilíbrio entre expressão e praticidade. Mais do que seguir uma única estética, o diferencial está na capacidade de traduzir essas referências em escolhas versáteis, desejáveis e, principalmente, pessoais”, destaca Vivian Zwir Wertheimer, CMO do Shop2gether e OQVestir.
Já do ponto de vista criativo, os festivais também se consolidam como territórios de linguagem e experimentação estética, onde a roupa ganha significado simbólico e narrativo. Coleções inspiradas em movimentos culturais e referências históricas reforçam a moda como ferramenta de expressão e posicionamento.
“Festivais são espaços de expressão. A roupa deixa de ser função e se torna linguagem. Em On Tour, essa ideia se traduz em peças emblemáticas, com presença e leveza. A coleção parte de mulheres que desafiaram padrões e traz referências do universo folk-psicodélico dos anos 70 em shapes fluidos, texturas marcantes e códigos reinterpretados, como o Deer Print. Uma coleção precisa, onde atitude e naturalidade coexistem”, afirma Bel Yunes, diretora criativa e de estilo da Animale.