À primeira vista, o Paradise Bird Toucan poderia ocupar uma vitrine de alta joalheria. Há um tucano esculpido em ouro, dezenas de pedras coloridas, uma calcedônia de 2,5 quilates e centenas de diamantes. Mas, por trás dessa composição tropical, há também um relógio. A peça da Tiffany & Co. acaba de ser selecionada como finalista na categoria Gem-Set do Grand Prix d’Horlogerie de Genève (GPHG) 2026.
Criado em 2001, o prêmio suíço se tornou uma das principais vitrines da relojoaria contemporânea. Neste ano, a Tiffany chega à seleção com uma peça que aproxima dois territórios historicamente ligados à Maison: o trabalho com gemas e a construção de objetos marcados pela precisão.
O Paradise Bird Toucan nasceu no universo da coleção de alta joalheria Blue Book 2026: Hidden Garden. A referência visual parte do célebre Bird on a Rock, mas ganha uma interpretação própria a partir do broche Toucan, desenhado por Nathalie Verdeille em colaboração com o Tiffany Design Studio e inspirado no imaginário de Jean Schlumberger.
Um jardim tropical no pulso
Boa parte da complexidade está concentrada em poucos centímetros. No mostrador, um pequeno tucano cravejado de gemas repousa sobre uma calcedônia em lapidação cabochão de 2,5 quilates. A pedra parece suspensa sobre uma superfície azul construída com diferentes camadas de esmalte.
São três camadas de esmalte folheado pintado à mão aplicadas sobre outras quatro de esmalte azul opaco. Apenas essa etapa exige mais de 80 horas de trabalho.
O pássaro, por sua vez, é esculpido em ouro amarelo 18k e reúne 69 gemas. Safiras azuis, tsavoritas e diamantes brancos e amarelos criam a plumagem, enquanto uma safira rosa forma o olho e a turquesa aparece no bico. Entre escultura em miniatura e cravejamento, são outras 32 horas de execução.
425 diamantes em 36 milímetros
A caixa de 36 mm segue pelo caminho da alta joalheria. Feita em ouro branco 18k, recebeu 425 diamantes de lapidação brilhante redonda, que somam mais de 3 quilates.
As pedras são aplicadas pela técnica snow-set, na qual diamantes de diferentes dimensões são posicionados de forma a preencher a superfície com o mínimo de metal aparente. Essa parte do trabalho leva aproximadamente 55 horas.
Outro detalhe só aparece ao virar o relógio. A calcedônia foi posicionada sobre uma abertura alinhada a uma lupa no fundo da caixa. Assim, a luz atravessa a gema e permite observar a pedra também pelo verso.
Entre mostrador, tucano e caixa, são mais de 167 horas dedicadas somente às etapas artesanais descritas pela Tiffany & Co. antes mesmo de considerar os demais processos envolvidos na construção da peça.
Fotos: Divulgação