A convite da Fashion TV, responsável pela transmissão ao vivo da grande final, Will Costa, especialista em Marketing de Influência, acompanhou de perto o Miss Universe São Paulo 2027. A partir dessa experiência, ele compartilhou uma percepção que vai além de quem era a mulher mais bonita da noite e propõe uma reflexão sobre o que um concurso como esse precisa representar hoje.
Para Will, estamos falando de uma competição tradicional, com décadas de história, que segue carregando símbolos muito fortes: a coroa, a faixa, a passarela, o ritual, o olhar do público e toda a expectativa construída em torno de quem será a próxima representante de São Paulo.
Na final, Larissa Galvão, representante de Atibaia, conquistou a coroa. Bella Soledade, de São Caetano do Sul, terminou na segunda colocação, enquanto Amanda Girotto, de Santana de Parnaíba, completou o Top 3.
O resultado, naturalmente, faz parte do espetáculo. No entanto, na percepção de Will, acompanhar tudo de perto também permite olhar para algo maior.
Quando todas são bonitas, o que realmente diferencia uma Miss?
Bella Soledade chegou à competição como um dos nomes de maior expectativa e confirmou sua força ao terminar na segunda colocação. Larissa Galvão, por sua vez, carregava uma trajetória construída há anos dentro desse universo. Modelo experiente, com passagem por outras competições e vivência internacional, mostrou durante a noite justamente algo que Will considera fundamental nesse tipo de disputa: consistência.
Outro nome que chamou sua atenção ao longo da competição foi Gabriela Pissinatti, representante de Araras. Pela consistência da apresentação, presença de palco e desempenho ao longo das etapas, ela se mostrou uma candidata bastante competitiva e, na leitura do especialista, tinha atributos para avançar ainda mais na disputa.
Essa percepção, como destaca Will, não significa questionar o resultado final. Ela reforça justamente uma das características que considera mais interessantes em uma competição como essa: existe a avaliação técnica dos jurados, o desempenho no momento decisivo e também a leitura de quem acompanha de fora.
Nem sempre essas percepções chegam à mesma conclusão. Para ele, talvez seja justamente essa combinação entre critério, performance e interpretação que mantenha vivo o interesse e o debate em torno do concurso.
Quando se reúnem dezenas de mulheres que já possuem um alto nível de preparação e apresentação, beleza deixa de ser suficiente para explicar quem vence.
Entram presença. Comunicação. Segurança. Postura. Desenvoltura. História. Capacidade de representar.
Na visão de Will, talvez seja justamente aí que esteja uma das principais evoluções desse universo: a beleza coloca a candidata na competição. A presença é o que começa a diferenciá-la.
O olhar de quem conhece esse mercado por dentro
Outro ponto observado por Will foi a composição do corpo de jurados e a presença de profissionais com experiência real no mercado da moda, do entretenimento e do conteúdo.
Entre eles estava David Zar, profissional com anos de atuação no mercado e também responsável por essa conexão com a Fashion TV e com a transmissão do evento.
Will considera essa presença particularmente relevante. Em sua leitura, alguém inserido há anos nesse ambiente não observa apenas se determinada candidata é bonita ou se realizou um bom desfile. Existe uma análise mais ampla.
Imagem. Comunicação. Comportamento. Posicionamento. Presença diante das câmeras. Capacidade de representar uma marca. E, principalmente, potencial para continuar relevante depois que aquela noite termina.
Para o especialista, moda nunca foi somente roupa. Ela sempre funcionou como uma linguagem capaz de traduzir comportamento, desejo e os códigos de uma determinada época. Por isso, profissionais que convivem com esse mercado conseguem perceber nuances que talvez passem despercebidas para quem observa apenas o espetáculo.
Ao mesmo tempo, Will chama atenção para uma responsabilidade de quem conhece esses códigos tradicionais: ajudar instituições como o Miss Universe a preservar aquilo que construiu seu prestígio sem se desconectar da forma como uma nova geração consome cultura e entretenimento.
Nesse sentido, ele enxerga David como uma ponte. Alguém que conhece os códigos da moda, entende o peso da tradição, mas também trabalha justamente no ponto em que tudo isso precisa se transformar em imagem, transmissão, narrativa e conteúdo.
Porque, em sua avaliação, hoje não basta reconhecer uma boa candidata. É preciso entender quem possui potencial para comunicar, gerar identificação e sustentar relevância quando sair do palco.
Uma passagem de faixa que representa continuidade
Houve também uma imagem particularmente simbólica aos olhos de Will durante a final.
Larissa Helena Fernandes, Miss Universe São Paulo 2026, encerrou seu ciclo e passou a faixa para Larissa Galvão, agora a nova representante paulista.
Uma Larissa entregando a faixa para outra Larissa.
Pode parecer apenas uma coincidência de nomes. Para Will, porém, existe ali algo muito característico das propriedades construídas sobre tradição: as pessoas passam. O símbolo permanece.
A geração muda. O contexto muda. A forma de consumir entretenimento muda. Mas existe uma história que precisa continuar sendo transmitida.
É a partir dessa percepção que surge uma das principais questões levantadas pelo especialista:
Como modernizar uma tradição sem perder aquilo que a tornou relevante?
Para Will, é muito fácil olhar para um concurso de beleza tradicional com a lente de hoje e simplesmente perguntar se aquele formato ainda faz sentido. Ele considera mais interessante perguntar como uma propriedade com tantas décadas de história consegue continuar culturalmente relevante para uma geração que consome entretenimento de uma maneira completamente diferente.
Em sua análise, o Miss Universe São Paulo não concorre apenas com outros concursos. Ele concorre por atenção. E atenção talvez seja um dos ativos mais disputados da nossa geração.
Enquanto uma candidata atravessa a passarela, parte do público está simultaneamente no Instagram, TikTok, WhatsApp e exposta a dezenas de outros estímulos.
Isso muda completamente a lógica de um evento.
Como observa Will, o concorrente de um programa de televisão já não é necessariamente outro programa de televisão. É o próximo conteúdo do feed.
Essa realidade coloca qualquer marca tradicional diante de uma equação delicada:
Como manter o prestígio sem parecer ultrapassada?
Como modernizar sem abandonar a própria identidade?
Como preservar o ritual da faixa, da coroa, da passarela e da expectativa do resultado e, ao mesmo tempo, transformar tudo isso em uma narrativa relevante para uma geração acostumada a consumir histórias em segundos?
Na visão do especialista, essa discussão não pertence apenas ao Miss Universe. Clubes de futebol, veículos de comunicação, grandes eventos, marcas de luxo e empresas tradicionais enfrentam exatamente o mesmo dilema.
Tradição é um ativo enorme. Mas tradição, sozinha, não garante relevância.
Hoje existem três eventos acontecendo ao mesmo tempo
Acompanhar a final a convite da Fashion TV também fez Will enxergar essa transformação por outro ângulo.
Na leitura dele, hoje existem praticamente três eventos acontecendo ao mesmo tempo.
Existe o evento que acontece no palco.
Existe o evento que chega por meio da transmissão.
E existe um terceiro, que talvez tenha se tornado tão importante quanto os dois primeiros: o evento que nasce a partir do evento.
Os bastidores. Os cortes. Os comentários. Os looks. As candidatas produzindo o próprio conteúdo. Os convidados compartilhando suas percepções. A reação do público. As discussões sobre o resultado.
São momentos que deixam de pertencer exclusivamente à organização e passam a circular pelas redes.
É justamente nessa integração entre evento, televisão, creators e redes sociais que Will identifica uma das maiores oportunidades para propriedades tradicionais.
Em sua visão, o Miss Universe pode ser muito maior do que algumas horas de espetáculo uma vez por ano. Pode funcionar como uma plataforma contínua de moda, comportamento, entretenimento, histórias femininas e produção de conteúdo.
O grande ativo, portanto, deixa de ser exclusivamente a final. Passa a ser todo o ecossistema ao redor dela.
Antes. Durante. E, principalmente, depois.
A beleza continua tendo padrões. A mulher, porém, não pode ser reduzida a eles
Existe uma contradição interessante quando falamos sobre beleza atualmente, aponta Will.
Nunca se falou tanto sobre autenticidade e individualidade. Ao mesmo tempo, redes sociais, referências estéticas e tendências continuam exercendo enorme influência sobre aquilo que entendemos como bonito.
Por isso, ele não acredita no discurso simplista de que os padrões de beleza desapareceram.
Não desapareceram.
Talvez tenham apenas ficado mais sofisticados.
Para Will, a evolução mais relevante está em outro lugar: na possibilidade de a mulher ocupar aquele palco sem ser percebida exclusivamente pela própria aparência.
Esse é um ponto que ele considera importante quando se discute o papel contemporâneo de eventos como o Miss Universe.
Um concurso de beleza continuará falando sobre beleza. Negar isso seria negar sua própria essência.
Mas existe uma diferença enorme entre valorizar beleza e reduzir uma mulher a ela.
Na percepção de Will, hoje a candidata precisa sustentar voz, presença, comunicação, repertório, personalidade e capacidade de representação.
E isso muda completamente o peso daquela faixa.
Mais do que beleza: protagonismo
Talvez esse seja, para Will, um dos pontos mais importantes da experiência.
Eventos como o Miss Universe continuam tendo relevância quando conseguem servir também como plataformas de visibilidade, confiança, carreira e protagonismo feminino.
Existe uma mulher antes daquela faixa. Existe outra depois.
Não porque a coroa muda quem ela é, mas porque amplia sua exposição, sua responsabilidade e as oportunidades que passam a existir.
Existe audiência. Existe influência. Existem marcas. Existem causas. Existem projetos. Existem outras mulheres observando.
É justamente por isso que Will prefere interpretar a coroa contemporânea como uma plataforma, e não simplesmente como um prêmio.
A vencedora não sai apenas como a mulher escolhida pelos jurados naquela noite. Sai como representante de São Paulo, carregando uma marca, uma história e uma expectativa pública.
Para ele, talvez seja justamente essa a defesa mais contemporânea que se possa fazer de um evento como o Miss Universe.
Não defender que a sociedade precise determinar quem é “a mulher mais bonita”. Mas reconhecer que essas plataformas podem continuar oferecendo espaço, experiência, visibilidade e protagonismo para mulheres que decidiram ocupar aquele ambiente.
Tradição não precisa significar nostalgia
Will deixou o Miss Universe São Paulo com a percepção de que existe ali uma propriedade extremamente potente justamente porque existe história.
Mas, como observa, marcas tradicionais não permanecem relevantes simplesmente porque envelhecem.
Elas permanecem relevantes quando conseguem atualizar a maneira como contam a própria história.
A coroa pode continuar.
A faixa pode continuar.
A passarela pode continuar.
O ritual pode continuar.
O que precisa continuar evoluindo é a narrativa construída ao redor deles.
Na análise de Will, talvez o grande desafio do Miss Universe nos próximos anos não seja descobrir se concursos de beleza ainda possuem espaço. É entender como transformar décadas de tradição em uma propriedade cultural capaz de conversar diariamente com o presente.
Porque a coroa ainda chama atenção.
Mas, para Will, aquilo que sustenta uma Miss e uma marca como o Miss Universe depois que as luzes se apagam é tudo aquilo que não cabe dentro dela.