Quem gosta de moda e está planejando uma viagem ao Japão deve reservar algumas horas do roteiro para uma experiência que vai muito além das grandes lojas e dos endereços mais conhecidos: o garimpo em lojas second hand. O país tem uma cultura muito particular em relação ao mercado de segunda mão, com estabelecimentos organizados, enorme variedade de marcas e peças que, muitas vezes, parecem ter acabado de sair da loja.

Durante minha viagem pelo Japão, esse universo chamou minha atenção justamente pela possibilidade de encontrar peças que dificilmente apareceriam em uma seleção convencional. Bolsas, sapatos, acessórios, roupas de grandes maisons, itens vintage e modelos raros fazem parte desse mercado, e a sensação é a de estar diante de um grande acervo de moda em constante renovação.

Mais do que procurar uma peça específica, o interessante é entrar disposto a garimpar. Diferentemente de uma loja tradicional, em que existe uma coleção definida e uma grade de produtos, no second hand cada peça pode ser única. Você pode chegar procurando uma bolsa e sair com uma sandália que nem imaginava encontrar.

 

Onde começar o garimpo

Entre os endereços que conheci, a Kindal é uma das redes que vale colocar no radar. Com lojas em diferentes cidades japonesas, eles trabalham com roupas e acessórios de segunda mão e têm uma seleção especialmente interessante para quem procura peças icônicas bem antigas.

Outra parada importante é a 2nd STREET, uma das redes mais conhecidas do segmento no Japão. A marca tem unidades espalhadas pelo país e trabalha com diferentes categorias de produtos, de roupas e acessórios a bolsas e sapatos.

E aqui está uma das particularidades do garimpo japonês: não espere encontrar exatamente a mesma seleção em todas as lojas. Cada unidade recebe produtos diferentes e, por isso, pode ter uma personalidade própria. Uma loja pode ser mais interessante para quem procura marcas de luxo; outra, para quem quer peças vintage ou moda contemporânea.

Por isso, vale pesquisar previamente as unidades próximas aos bairros que você pretende visitar. Em uma viagem como essa, localização e tempo são preciosos, e saber quais lojas fazem sentido para o que você procura ajuda a montar um roteiro de compras muito mais eficiente.

O segredo está na pesquisa

Uma das minhas principais dicas para quem pretende se aventurar pelo second hand japonês é pesquisar antes. As redes possuem plataformas online que permitem conhecer parte do estoque e entender melhor a proposta de cada loja. Para quem está procurando uma marca específica, esse recurso pode ser especialmente útil.

Mas existe também o outro lado: não transformar a pesquisa em uma busca tão objetiva a ponto de perder a graça do garimpo. Afinal, uma das melhores partes desse tipo de compra é justamente encontrar algo inesperado.

Foi assim que encontrei algumas peças que considero verdadeiros achados durante a viagem, entre elas uma Courrèges e uma Chanel vintage.

E as marcas de luxo?

Para quem gosta de bolsas e acessórios de grife, o second hand japonês é ainda mais interessante. É possível encontrar nomes importantes da moda internacional e peças de diferentes épocas, inclusive modelos que já não estão disponíveis nas lojas atuais.

Louis Vuitton, Prada, Chanel, Fendi, entre outras marcas, aparecem nesse mercado, e é justamente essa variedade que transforma a experiência em uma espécie de caça ao tesouro fashion.

Mas é importante olhar com atenção. Mesmo em um mercado reconhecido pela organização e pelo cuidado com os produtos, estamos falando de peças usadas. Portanto, é fundamental observar o estado de conservação, detalhes, ferragens, forros, etiquetas e sinais de uso.

Não tenha pressa

Existe uma diferença importante entre fazer compras em uma loja tradicional e garimpar em um second hand: aqui, o tempo faz parte da experiência. Reserve algumas horas. Olhe araras, vitrines e prateleiras com calma. Pesquise tamanhos e modelos. Volte para uma loja se alguma peça ficou na cabeça.

Como o estoque é dinâmico, uma peça que está disponível hoje pode não estar amanhã. E, justamente por isso, o processo tem um componente de descoberta que considero muito mais interessante do que simplesmente entrar em uma loja e escolher algo da coleção da temporada.

Uma dica prática: dinheiro na carteira e passaporte na mão

Embora o Japão seja um dos países mais tecnológicos do mundo e os pagamentos digitais estejam cada vez mais presentes, eu gosto de viajar preparada para diferentes formas de pagamento.

Por isso, vale ter algum dinheiro em espécie disponível durante o roteiro de compras. As condições podem variar de acordo com o estabelecimento e, principalmente, entre diferentes lojas. É uma dica simples, mas evita aquela situação frustrante de encontrar exatamente a peça que você estava procurando e descobrir, na hora de pagar, que precisa de outra forma de pagamento.

Outra dica preciosa é ter o passaporte brasileiro em mãos na hora das compras. Como turista, você pode aproveitar o sistema Tax Free em lojas participantes e comprar determinados produtos sem o imposto japonês de consumo, que normalmente é de 10%.

Dependendo do estabelecimento, o valor do imposto já é descontado diretamente no momento do pagamento, tornando o processo ainda mais simples.

Second hand também é uma maneira de conhecer o Japão

Talvez o mais interessante seja perceber que o mercado de segunda mão japonês não funciona apenas como uma alternativa para comprar roupas por um preço diferente. Ele revela um pouco da própria relação do país com consumo, conservação e moda.

Existe um cuidado muito grande com os produtos e uma valorização evidente de peças que continuam tendo relevância mesmo depois de saírem das vitrines tradicionais. Para quem trabalha ou se interessa por moda, é também uma oportunidade de observar tendências, identificar modelos de diferentes décadas e entender como determinadas marcas atravessam o tempo.

E há algo particularmente divertido em viajar para o Japão sem saber exatamente o que você vai encontrar.

Meu conselho, portanto, é não colocar o second hand no roteiro apenas se estiver procurando uma bolsa específica ou tentando economizar. Vá pelo prazer do garimpo. Entre nas lojas, olhe sem pressa, pesquise as peças e esteja aberto aos achados.

Porque, no fim, talvez a melhor compra da viagem não seja aquela que estava na sua lista, mas justamente aquela que você descobriu por acaso em uma arara de uma loja de segunda mão no Japão.

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