Há peças que deixam de pertencer a uma única temporada e passam a representar uma fase, uma lembrança ou até a própria identidade de uma marca. É justamente a partir desse arquivo afetivo que a Charth constrói “Icons”, cápsula criada para marcar seus dez anos de trajetória.
Em vez de simplesmente reproduzir modelos do passado, a marca mineira voltou a campanhas, desfiles e coleções para identificar criações que permaneceram na memória de suas clientes. A partir daí, atualizou proporções, materiais e técnicas, preservando os elementos que deram personalidade a cada peça.
“Mais do que revisitar os nossos clássicos, queríamos homenagear tudo o que construímos ao longo desses dez anos. Cada peça carrega uma parte da história da Charth, da nossa evolução e das mulheres que escolheram viver momentos importantes de suas vidas vestindo a marca. ‘Icons’ nasce desse encontro entre memória e futuro”, afirma Nastácia Schacht, fundadora e diretora criativa da Charth.
O artesanal ganha protagonismo
O trabalho manual ocupa um lugar central na coleção. Crochê artesanal, gazar e organza de seda pura, crepe de acetato com viscose, bordados feitos à mão e aplicações de plumas naturais de avestruz aparecem entre os materiais e técnicas escolhidos para as releituras.
Assim, o tempo necessário para construir cada peça também se torna parte de sua identidade. Alguns modelos exigem várias etapas artesanais e, por isso, a Charth optou por uma produção limitada, com boa parte da cápsula disponível somente sob encomenda.
A escolha dialoga com a própria evolução da marca. Ao longo da última década, modelagens femininas, acabamentos elaborados e técnicas manuais passaram a formar parte importante de sua linguagem. Em “Icons”, porém, esses códigos aparecem revistos a partir do repertório acumulado nesses dez anos.
Uma caixa de bonecas para guardar memórias
A nostalgia também orienta a campanha, mas aparece longe de uma reprodução literal do passado. Para apresentar a cápsula, a Charth transformou a ideia de uma caixa de bonecas em uma cenografia de acrílico com linhas minimalistas e arquitetônicas.
O cenário recupera uma referência ligada à infância enquanto coloca as roupas em uma composição contemporânea. Dessa forma, a imagem acompanha o mesmo exercício feito pela coleção: olhar para trás sem permanecer preso ao passado.
Peças que voltam com outra história
A seleção atravessa diferentes momentos da Charth e transforma o próprio acervo em matéria-prima criativa. O objetivo não foi escolher apenas os modelos de maior repercussão, mas aqueles que ajudaram a estabelecer códigos reconhecíveis da marca ao longo do tempo.
“A Charth sempre acreditou que uma peça especial é aquela que atravessa o tempo e continua despertando emoção anos depois de ser criada. Esperamos que cada mulher reconheça em ‘Icons’ muito mais do que uma roupa: que encontre uma lembrança, uma conquista, uma celebração ou um novo capítulo para viver. É uma coleção que celebra o passado, mas também aponta para tudo o que ainda queremos construir”, completa Nastácia.
Parte das criações chegará às lojas físicas no fim do ano, com disponibilidade prevista a partir do início de dezembro. Outros modelos, por sua vez, continuarão restritos às encomendas.
Ao completar uma década, a Charth escolhe, portanto, não apagar suas temporadas anteriores para começar outra. Em “Icons”, é justamente o que permaneceu delas que serve de ponto de partida para o próximo capítulo.
Fotos: Henrique Falci