Ao longo de duas décadas, o DPNY Beach Hotel & SPA se consolidou como um dos endereços mais emblemáticos de Ilhabela, ajudando a redefinir a ideia de luxo à beira-mar no Brasil. Conhecido por sua atmosfera vibrante, arquitetura marcante e localização privilegiada diante da Praia do Curral, o hotel atravessa uma nova fase sem perder a essência que o transformou em referência na hotelaria nacional.
À frente desse momento estão os irmãos Mariana e Christian Napirei, representantes da nova geração da família fundadora. Com uma gestão que combina tecnologia, análise de dados e hospitalidade personalizada, eles conduzem a evolução do empreendimento enquanto preservam os valores que construíram sua história.
Nesta conversa com o GLMRM, os dois falam sobre sucessão familiar, o conceito contemporâneo de luxo, a ascensão do barefoot luxury e as tendências que devem moldar o futuro da hotelaria de alto padrão.
O DPNY completa 20 anos em um momento em que o conceito de luxo mudou muito. Como vocês definem o luxo hoje?
Hoje, luxo é ter tempo, privacidade e a possibilidade de viver experiências autênticas. Existe uma mudança para um luxo ligado ao bem-estar, à personalização e à conexão genuína com o lugar. No DPNY, acreditamos que o verdadeiro luxo está em fazer com que cada hóspede se sinta cuidado de forma única, em um ambiente onde natureza, conforto e hospitalidade se encontram de maneira muito natural.
O hotel ficou conhecido no passado pelo lifestyle vibrante e pelas festas icônicas. O que motivou essa transição para um posicionamento mais ligado ao wellness e ao slow luxury?
Na verdade, essa evolução aconteceu de forma muito natural. Nunca houve uma decisão de abandonar um conceito para adotar outro. A essência do DPNY sempre foi proporcionar diferentes formas de viver bem. Temos hóspedes que vêm em busca de um ambiente vibrante, música de qualidade e momentos de celebração, assim como recebemos casais em viagens românticas e pessoas que desejam relaxar, desacelerar e se reconectar com a natureza.
O que mudou ao longo dos anos foi muito mais a forma de comunicar essas experiências. O wellness sempre esteve presente no DPNY, assim como a gastronomia, a arte, o design, a praia, o spa e o contato com a natureza. Hoje entendemos que o verdadeiro luxo está justamente nessa liberdade: permitir que cada hóspede viva o hotel da forma que desejar, sem rótulos e sem extremos, encontrando o equilíbrio entre bem-estar, prazer, leveza e autenticidade.
Vocês cresceram literalmente dentro do hotel. Em que momento perceberam que estavam prontos para assumir a liderança do negócio familiar?
Mariana Napirei: Foi um processo muito natural. Desde cedo eu sabia que, em algum momento, faria parte da continuidade desse legado familiar. Por isso, fui estudar em Barcelona para ampliar minha visão de mundo, aprimorar meus idiomas e me preparar para essa responsabilidade. Durante esse período, fui aceita para uma oportunidade em uma venture capital, mas sempre soube que todo o conhecimento e as experiências que estava construindo seriam aplicados no negócio da nossa família.
Quando meu pai me convidou para participar mais diretamente da empresa, pouco antes da pandemia, aceitei sem hesitar. Eu já sabia que liderar e construir estratégias era algo que eu queria fazer, mas escolhi começar com muita humildade, aprendendo cada setor na prática. Acompanhei a operação de perto, do back ao front, entendendo os detalhes do negócio e observando atentamente as oportunidades de evolução.
Com o tempo, fui assumindo mais responsabilidades e contribuindo para a estratégia e o posicionamento do DPNY. Não houve um momento específico em que me senti pronta para assumir a liderança; foi uma construção natural baseada em aprendizado, confiança e propósito.
Christian Napirei: Acho que, quando se cresce dentro de um negócio familiar, não existe um único momento em que você acorda e diz: “agora estou pronto”. É um processo. Nós crescemos vendo o hotel nascer, evoluir, passar por fases diferentes e se tornar parte da história da nossa família. Isso cria uma conexão emocional muito grande, mas também uma responsabilidade natural.
No meu caso, comecei a perceber que estava pronto quando deixei de olhar o hotel apenas como algo da família e passei a enxergá-lo como uma empresa profissional, uma marca e uma plataforma para o futuro. Quando você começa a tomar decisões difíceis, analisar números, pensar em posicionamento, equipe, tecnologia, custos, receita e expansão e, ao mesmo tempo, preservar a alma do negócio, entende que está realmente assumindo um papel de liderança.
Quais foram as principais mudanças implementadas pela nova geração desde que vocês passaram a atuar mais diretamente na gestão?
Trouxemos uma gestão ainda mais orientada por dados, tecnologia e eficiência operacional, sem perder a essência humana que sempre fez parte do DPNY. Investimos fortemente em relacionamento direto com os hóspedes, marketing, análise de comportamento do cliente e aprimoramento de processos.
Ao mesmo tempo, reforçamos a personalização da experiência, porque acreditamos que excelência não está apenas na estrutura, mas principalmente nos detalhes e no cuidado com cada pessoa que passa pelo hotel.
O conceito de “barefoot luxury” vem ganhando força globalmente. Vocês acreditam que o DPNY ajudou a consolidar esse movimento no Brasil?
Sem dúvida fomos um dos pioneiros nesse conceito. Quando o DPNY foi inaugurado, há 20 anos, ainda era incomum associar luxo a uma experiência pé na areia com tanta personalidade, conforto e serviço.
Mostramos que era possível oferecer uma hotelaria de alto padrão sem abrir mão da leveza, da natureza e da autenticidade do destino. Hoje vemos esse movimento crescer globalmente e temos orgulho de ter ajudado a construir essa visão no Brasil.
O hotel tem uma identidade visual muito forte, quase cinematográfica. O design sempre foi pensado como parte central da experiência?
Sem dúvida. O design sempre foi uma parte central da experiência DPNY. Ao longo dos anos, o hotel passou por diferentes expansões, mas sempre tivemos o cuidado de fazer com que cada novo espaço conversasse com a arquitetura original e com o entorno.
Dos mosaicos pintados à mão às obras de arte, mármores, arcos e detalhes artesanais, tudo foi pensado para criar uma identidade única e coerente.
Acreditamos que as pessoas viajam para viver algo diferente do seu cotidiano. Por isso, buscamos criar ambientes que despertem emoções, curiosidade e encantamento. O design não está ali apenas para ser bonito, mas para transportar o hóspede para um universo próprio, criando memórias e sensações que permanecem muito além da estadia.
Vocês falam bastante sobre hospitalidade humana aliada à tecnologia e análise de dados. Como essa combinação funciona na prática?
A tecnologia é uma ferramenta extremamente importante para identificar oportunidades de melhoria, entender comportamentos e tornar os processos mais eficientes. Mas a hospitalidade continua sendo, acima de tudo, uma atividade humana.
Na prática, quem faz a diferença são as pessoas. Nosso time está muito alinhado à cultura do DPNY e genuinamente comprometido em cuidar dos hóspedes, antecipar necessidades e criar experiências memoráveis.
A tecnologia nos ajuda nos bastidores, mas o brilho da experiência está nos colaboradores, na atenção aos detalhes, no sorriso, na empatia e na capacidade de fazer cada pessoa se sentir verdadeiramente acolhida.
Qual foi a decisão mais difícil nesse processo de sucessão familiar?
Talvez o maior desafio tenha sido encontrar o equilíbrio entre preservar um legado muito forte e, ao mesmo tempo, implementar novas ideias e formas de gestão.
Existe uma enorme responsabilidade em dar continuidade a algo construído com tanto trabalho e paixão. Nossa prioridade sempre foi evoluir o negócio sem perder a identidade que tornou o DPNY uma referência ao longo de duas décadas.
Existe pressão em assumir um negócio tão consolidado e emocionalmente conectado à história da família?
Existe responsabilidade, mas encaramos isso mais como um privilégio do que como uma pressão. Crescemos acompanhando a construção do DPNY e entendemos profundamente os valores que deram origem ao hotel.
Isso cria um compromisso muito grande com a excelência, mas também uma motivação enorme para continuar escrevendo os próximos capítulos dessa história.
O que vocês enxergam como a próxima grande tendência da hotelaria de luxo?
Acreditamos que a grande tendência é a busca por autenticidade. Os hóspedes querem estar em lugares únicos, com identidade própria, que tenham alma, história e conexão genuína com o destino.
Cada vez menos as pessoas procuram experiências padronizadas e cada vez mais valorizam hotéis que oferecem algo que não pode ser replicado em qualquer lugar do mundo.
Ao mesmo tempo, vemos uma busca crescente por bem-estar, privacidade e qualidade de vida, mas sem abrir mão do prazer, da leveza e da convivência. O futuro da hotelaria de luxo não está nos extremos, mas no equilíbrio: oferecer espaços que permitam relaxar, celebrar, se conectar com a natureza, viver momentos especiais e criar memórias autênticas, tudo isso com elegância, conforto e personalidade.
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