Abel Castro: visão estratégica e expansão que redefinem a hospitalidade nas Américas

Foto Divulgação

Em entrevista exclusiva, Abel Castro, Chief Development Officer da Accor para as Américas, compartilha sua visão sobre o crescimento da companhia em um cenário cada vez mais dinâmico e competitivo. Com uma trajetória marcada por decisões estratégicas e olhar atento às tendências globais, o executivo destaca o avanço consistente da rede, impulsionado por um portfólio diversificado de marcas e pela forte aposta em experiências personalizadas que atendem aos novos perfis de viajantes.

Segundo Castro, o momento é de oportunidades para o setor, especialmente na América Latina, onde destinos urbanos e de lazer ganham protagonismo no mapa internacional. Ele reforça que a Accor segue focada em inovação, sustentabilidade e parcerias sólidas para expandir sua presença de forma qualificada, consolidando-se como referência em hospitalidade. “Nosso compromisso é crescer com propósito, gerando valor para investidores, parceiros e hóspedes, sempre elevando o padrão de excelência da indústria”, conclui.

Quais são hoje as principais prioridades estratégicas da Accor na América Latina?

Nossa visão de longo prazo está alinhada a uma estratégia clara de crescimento. Em 2026, seguimos reforçando nossa presença em mercados-chave para além do Brasil, como Colômbia, Peru, Chile e Argentina. Ao mesmo tempo, aceleramos a expansão no México, em todo o Caribe e na América Central, por meio de um modelo asset-light, liderado por franquias, que consolida nossas marcas já estabelecidas, expande o portfólio premium e lifestyle e escala desenvolvimentos de uso misto e lazer por meio de conversões, das capacidades do Accor One Living e das plataformas all-inclusive, sempre em parceria com desenvolvedores locais de excelência e sólidas empresas de gestão.

Como o senhor avalia o crescimento do turismo no Brasil e qual é o papel do país dentro das operações da Accor?

O Brasil tem um papel central dentro da operação da Accor nas Américas. No resultado da região, o país responde por 64% da receita de quartos, o que mostra seu peso para o desempenho regional. O mercado brasileiro vive um momento promissor, com crescimento de ocupação, avanço em diferentes segmentos e ambiente fértil para novos projetos.

Em outras palavras, o Brasil não é apenas o maior mercado da Accor na América Latina: ele funciona como motor de escala, laboratório de marcas e plataforma para inovação comercial, fidelidade e desenvolvimento.

Quais tendências estão moldando o comportamento do viajante de luxo e do viajante corporativo na região?

De forma geral, o viajante de hoje está mais exigente, mais informado e busca experiências que combinem conveniência, personalização e conexão real com o destino. Há uma valorização crescente de estadias que entreguem não apenas conforto e eficiência, mas também identidade, bem-estar e experiências mais relevantes ao contexto da viagem.

Como a Accor vem inovando para oferecer experiências cada vez mais personalizadas aos seus hóspedes?

A personalização hoje acontece em diferentes camadas do negócio. Existe uma frente de marca e produto, com reposicionamentos importantes no portfólio, como Pullman e Novotel, pensados para oferecer experiências mais conectadas ao estilo de vida contemporâneo.

Há também a frente de loyalty, com o ALL Accor e a oferta de experiências para clientes por meio de resgates e serviços de assinatura, que fortalecem a recorrência. Além disso, existe uma frente operacional e digital, com tecnologia aplicada tanto à jornada do hóspede quanto à gestão de receita e de serviços.

Nossa leitura é que precisamos responder, cada vez mais, a um hóspede mais fluido, que combina trabalho, lazer, bem-estar, sustentabilidade e conveniência em uma mesma viagem. É justamente essa mudança de comportamento que tem guiado a forma como desenhamos experiência, produto e relacionamento.

Qual é a importância da sustentabilidade dentro da estratégia do grupo e quais iniciativas o senhor destacaria?

ESG deixou de ser uma agenda reputacional e passou a ser um vetor estratégico para o setor. Na Accor, ela está diretamente conectada ao nosso propósito, à experiência do hóspede, à atratividade dos nossos ativos e à forma como conduzimos o negócio. Isso se reflete tanto no comportamento do consumidor quanto no dos investidores.

Hoje, os viajantes buscam cada vez mais opções sustentáveis, e ativos com certificações ambientais tendem a ser mais valorizados pelos investidores, alinhados às exigências do mercado.

Entre as iniciativas de destaque, já ultrapassamos 150 hotéis certificados em sustentabilidade nas Américas, com selos reconhecidos em diferentes países da região. Também avançamos em inovação com o piloto de medição da pegada de carbono dos alimentos no restaurante GREEM, do Novotel São Paulo Morumbi, posteriormente expandido para os hotéis da rede em Belém durante a COP 30.

Além disso, em 2025, a Accor Américas superou sua meta regional de eficiência hídrica, alcançando uma redução de 6,8% no consumo de água por quarto ocupado — o melhor resultado entre todas as regiões do grupo no mundo.

Como o senhor enxerga a recuperação e a expansão do setor hoteleiro após os últimos anos desafiadores em nível global?

Além da retomada do setor no pós-pandemia, enxergamos um crescimento estrutural do turismo no Brasil, tanto no segmento corporativo quanto no de lazer. O país vem se promovendo de forma mais consistente no exterior, o que aumenta sua atratividade para o turista internacional e gera oportunidades relevantes para o setor hoteleiro.

Quais destinos no Brasil e na América Latina apresentam maior potencial de crescimento para a rede Accor?

No Brasil, vemos grande potencial de crescimento em destinos ligados à natureza, ao lazer e ao ecoturismo, acompanhando uma demanda cada vez maior por experiências conectadas ao território e ao estilo de viagem do consumidor atual.

Estamos, inclusive, olhando para destinos menos óbvios, que têm forte vocação turística e espaço para desenvolvimento qualificado da hotelaria.

Na América Latina, seguimos avançando em mercados estratégicos como México, Estados Unidos e Argentina, tanto com novos desenvolvimentos quanto com conversões. Também enxergamos oportunidades relevantes de expansão em países como Chile, Colômbia e Peru, além de movimentos importantes de fortalecimento de portfólio no Caribe, como a estreia da marca Swissôtel na República Dominicana.

De que forma a tecnologia e a transformação digital estão impactando a experiência do cliente nos hotéis do grupo?

A tecnologia impacta tanto a eficiência do backoffice quanto a experiência visível para o hóspede. Em 2025, 100% dos hotéis PM&E gerenciados nas Américas passaram a operar com o IDEAS, sistema de revenue management baseado em IA e machine learning, focado em otimização de receitas.

O grupo também vem ampliando soluções como o auto check-in para digitalização de processos. Na prática, isso significa operações mais ágeis, melhor gestão de receita, mais segurança, menos fricção na jornada e uma experiência mais conectada às expectativas de um hóspede que valoriza autonomia e conveniência.

Que mensagem o senhor gostaria de transmitir a investidores e parceiros que consideram apostar no setor hoteleiro neste momento?

Em um cenário de maior seletividade de capital, os investidores tendem a priorizar projetos com fundamentos sólidos e previsibilidade de retorno. Na hotelaria da América Latina, alguns fatores têm se mostrado especialmente decisivos.

O primeiro é a força da demanda turística, que apresenta sinais claros de crescimento estrutural na região. No Brasil, por exemplo, o recorde de 9,2 milhões de turistas estrangeiros em 2025 reforça o cenário positivo para o setor.

Outro aspecto relevante é a presença de marcas reconhecidas e com sólida reputação, como as do portfólio da Accor. Estar conectado ao ecossistema de uma rede global, com forte capacidade de distribuição e programas de fidelidade, é outro fator que contribui para gerar demanda e otimizar os resultados operacionais.

Além disso, modelos de negócio mais eficientes, como franquias, têm ganhado espaço por oferecer um equilíbrio atrativo entre risco e retorno para os investidores. Por fim, a escolha de destinos com boa conectividade aérea, dinamismo econômico e oferta ainda limitada de hotéis de marca também é determinante para viabilizar investimentos sustentáveis e de longo prazo.

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