Colômbia: uma viagem entre as paisagens de Guatapé e a cultura de Bogotá

Por Alan Victor

Bogotá

Voltar à Colômbia pela segunda vez significou descobrir um país que ainda tinha muito a me mostrar. Desta vez, escolhi dois destinos que ainda não conhecia e que revelam perspectivas bastante diferentes: Guatapé, com suas montanhas, águas e construções coloridas, e Bogotá, uma capital marcada pela história, pela arte, pela gastronomia e por uma vida urbana vibrante.

Entre passeios, descobertas à mesa, cafés de qualidade e hospedagens especiais, a viagem mostrou como diferentes regiões podem revelar identidades muito próprias dentro de um mesmo país.

Guatapé: um cenário de cores e natureza

A primeira parada foi em Guatapé, no departamento de Antioquia, a cerca de duas horas de Medellín. O destino chama atenção pelas paisagens formadas por montanhas, águas e pequenas ilhas que compõem o reservatório de Guatapé, um dos cenários mais conhecidos da região.

O reservatório de Peñol-Guatapé foi criado na década de 1970 a partir de um grande projeto hidrelétrico conduzido pelas Empresas Públicas de Medellín (EPM). A construção da barragem transformou a geografia da região, inundando antigas áreas rurais e parte do território de Guatapé.

O antigo município de El Peñol também foi submerso, e seus moradores precisaram ser transferidos para uma nova área. O projeto redesenhou a paisagem local e contribuiu para transformar Guatapé em um dos principais destinos turísticos de Antioquia.

Um de seus grandes cartões-postais é a Piedra del Peñol, imponente formação rochosa alcançada por uma escadaria de aproximadamente 700 degraus. Do alto, a vista permite compreender a dimensão da represa. Seus braços de água contornam as montanhas e formam um desenho singular na paisagem.

Os passeios de barco são outra maneira interessante de conhecer a região, passando por ilhas, pequenas construções e diferentes pontos que ajudam a perceber a extensão do reservatório.

No centro de Guatapé, são as cores que assumem o protagonismo. Casas e estabelecimentos comerciais exibem os tradicionais zócalos, painéis em relevo instalados na parte inferior das fachadas. Feitos em diferentes cores e desenhos, eles representam animais, flores, cenas cotidianas, profissões e referências à história local.

Vale caminhar sem pressa pelo centrinho, observar as fachadas e entrar nas pequenas lojas de artesanato, onde aparecem lembranças, peças produzidas por artesãos locais, objetos decorativos e produtos típicos da região.

Entre um passeio e outro, cafés e restaurantes acompanham o movimento tranquilo da cidade.

The Brown: uma hospedagem integrada à natureza

Para viver Guatapé com mais calma, escolhi o The Brown, Autograph Collection, hotel localizado entre as montanhas e as águas da represa.

A arquitetura procura estabelecer uma relação direta com o entorno, com ambientes que aproveitam a luz natural e, principalmente, as vistas para a paisagem.

O empreendimento conta com 116 acomodações, distribuídas em quatro torres que fazem referência aos elementos da natureza: água, terra, ar e fogo.

São diferentes categorias de quartos e suítes, incluindo opções com varandas voltadas para a paisagem, em uma proposta que combina design contemporâneo e conforto.

A gastronomia também ocupa espaço importante na proposta do hotel, que reúne dois restaurantes. O Pismo, principal endereço gastronômico da propriedade, trabalha ingredientes sazonais e combina referências da culinária local com influências internacionais. Já o Praia Beach Club, localizado próximo à represa, aposta em uma atmosfera mais descontraída, com pratos variados e vista para as águas.

O espaço conta ainda com uma área de praia privativa, permitindo contemplar o cenário por outra perspectiva. A estrutura inclui piscina ao ar livre, hidromassagem e academia, além de atividades como caiaque, stand up paddle e passeios pela região.

Entre as experiências que marcaram minha estadia esteve a degustação de rum promovida pelo hotel. A proposta apresenta diferentes rótulos e permite conhecer um pouco mais sobre uma bebida bastante presente na cultura latino-americana e caribenha. Ao longo da degustação, é possível perceber diferenças de aromas, sabores e características entre os tipos apresentados, tornando o momento especialmente interessante para quem aprecia destilados.

Outro elemento que não poderia ficar de fora é o café colombiano, reconhecido pela qualidade e presença constante nas manhãs da viagem.

Mais do que a estrutura, porém, o que chama atenção no The Brown é a maneira como a hospedagem se conecta ao destino. A represa está sempre presente, seja da varanda, dos restaurantes ou das áreas de lazer.

É um hotel que permite aproveitar Guatapé com calma, sem abrir mão de conhecer os atrativos da cidade.

Bogotá: uma capital de história, arte e gastronomia

De Guatapé, segui para Bogotá, capital colombiana e outro destino que conhecia pela primeira vez.

Localizada a aproximadamente 2.600 metros de altitude, a cidade reúne história, arquitetura, arte, gastronomia e uma vida urbana bastante movimentada.

Comecei pelo centro histórico, especialmente La Candelaria, região marcada por ruas de paralelepípedos, casarões coloniais e construções que preservam parte importante da história do país.

A Plaza de Bolívar, a Catedral Primada e o Museu do Ouro estão entre as visitas que merecem entrar no roteiro.

Outro endereço importante é o Museu Botero, dedicado ao artista colombiano Fernando Botero, reconhecido mundialmente por suas figuras de formas volumosas.

Para observar Bogotá do alto, o Cerro de Monserrate oferece uma das vistas mais bonitas da capital, com acesso por teleférico, funicular ou trilha.

Mas Bogotá também merece ser descoberta pelos sabores.

Entre as tradições locais está o bocadillo con queso, combinação de doce de goiaba com queijo, e o curioso chocolate quente servido com queijo. A mistura pode causar surpresa à primeira vista, mas faz parte dos hábitos colombianos e vale a pena experimentar. São preparações simples que ajudam a compreender a cultura do país também pela mesa.

A cidade reúne ainda bons restaurantes, cafés, lojas e bairros com personalidades diferentes.

Usaquén, Zona T e Parque de la 93 estão entre as regiões que merecem uma visita, seja para aproveitar a gastronomia, fazer compras ou conhecer um lado mais contemporâneo da capital.

W Bogotá: design, gastronomia e hospitalidade contemporânea

Na capital, minha escolha de hospedagem foi o W Bogotá, localizado em Usaquén, uma das regiões mais interessantes da cidade, conhecida pela concentração de restaurantes, bares, lojas e boutiques.

O hotel traduz a identidade contemporânea da bandeira W por meio de arquitetura marcante, ambientes modernos e referências à própria cultura colombiana.

Um dos conceitos que orientam o projeto é a lenda de El Dorado, antiga narrativa sobre uma cidade de ouro que integra o imaginário histórico da Colômbia. Essa inspiração aparece na decoração por meio de elementos dourados e referências visuais que aproximam a história local do design contemporâneo.

O hotel possui 168 acomodações, entre quartos e suítes, incluindo a Extreme WOW Suite. Os ambientes contam com janelas amplas, tecnologia e a identidade visual característica da marca.

Na gastronomia, o Jairo Restaurant destaca a culinária colombiana em uma proposta que combina ingredientes de mercados locais e técnicas contemporâneas. O cardápio homenageia os produtores rurais do país e valoriza a diversidade de sabores regionais.

O hotel conta ainda com o The Café, que reúne cafés, brunch e drinques, e o The Beer, voltado à cerveja artesanal e com opções de pratos para compartilhar. Já o W Lounge acompanha outro momento do dia, com coquetéis, música e encontros ao longo da noite.

Para os momentos de pausa, o AWAY Spa oferece tratamentos e instalações voltados ao bem-estar. A estrutura inclui ainda piscina coberta e a academia FIT, permitindo manter a rotina de exercícios durante a viagem.

Além da hospedagem e da gastronomia, algumas atividades permitem conhecer mais de perto a cultura colombiana.

Entre elas estão as aulas de preparo de arepas, tradicional pão de milho muito presente na alimentação do país, e as aulas de drinques colombianos, que apresentam ingredientes, combinações e referências da coquetelaria local. São atividades que acrescentam novas possibilidades à hospedagem e permitem conhecer hábitos locais de maneira descontraída.

O W Bogotá reúne, assim, diferentes possibilidades dentro do próprio hotel: gastronomia, programação ligada à cultura local e uma estrutura completa de lazer e bem-estar.

Uma nova maneira de descobrir a Colômbia

Uma segunda viagem a um mesmo país pode carregar uma sensação curiosa: a de voltar a um lugar conhecido e, ao mesmo tempo, ter uma vivência quase inteiramente nova.

Foi o que aconteceu desta vez.

Em Guatapé, encontrei uma paisagem moldada pela água e pelas montanhas, uma cidade colorida e um ritmo mais tranquilo. Em Bogotá, a viagem ganhou outra dimensão, entre a história preservada no centro, a arte, os bairros contemporâneos e uma gastronomia cheia de particularidades.

As hospedagens também revelaram duas formas bastante diferentes de se relacionar com os destinos: uma profundamente conectada à paisagem e à represa; a outra inserida no movimento cosmopolita da capital.

Entre cafés colombianos, degustação de rum, tradições gastronômicas, fachadas coloridas e novas paisagens, ficou a sensação de que voltar à Colômbia não significou repetir uma viagem.

Foi, na verdade, uma segunda visita marcada por muitas primeiras descobertas.

 

Fotos: Arquivo Pessoal

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