A sala de estar contemporânea ampliou funções e também o repertório de materiais. Integrada à cozinha, à varanda e à sala de jantar em muitos projetos, ela passou a receber soluções que ajudam a criar continuidade entre os ambientes. Nesse movimento, o porcelanato deixou de aparecer apenas no piso e avançou sobre paredes, lareiras, painéis, bancadas e até mobiliário.
A Roca Cerámica reúne exemplos dessa transformação em projetos recentes. As propostas mostram como diferentes formatos e acabamentos podem criar pontos de destaque, reforçar a unidade visual ou introduzir novas texturas no living.

Paredes ganham novas possibilidades
A pintura e o papel de parede continuam presentes, mas o porcelanato passou a oferecer outra camada de composição.
Em paredes inteiras ou apenas em trechos específicos, o material pode valorizar relevos, desenhos e variações de cor. Além disso, a escolha do formato interfere diretamente na leitura do ambiente.
Peças menores, como bricks e ladrilhos, favorecem paginações mais marcadas. Assim, permitem trabalhar geometrias, diferentes alinhamentos e combinações cromáticas.
Já os formatos maiores criam superfícies com menos interrupções. Esse recurso funciona especialmente bem quando o projeto pretende destacar veios ou estampas inspiradas em pedras naturais.
Do móvel à lareira
Outra mudança está no uso do porcelanato em elementos arquitetônicos e peças de mobiliário.
Lareiras, tampos, bancadas e painéis podem receber o mesmo material aplicado em outras superfícies do ambiente. Dessa forma, o projeto ganha continuidade e reduz a sensação de fragmentação.
Os SuperFormatos aparecem como uma das alternativas para esse tipo de aplicação. As dimensões maiores ajudam a manter desenhos e texturas mais contínuos, sobretudo em propostas que reproduzem mármores, pedras ou superfícies metálicas.
Na Campinas Decor 2026, por exemplo, a arquiteta Ana Mitzakoff utilizou a série Athea Natural em um grande painel do living. Inspirado no mármore ônix, o acabamento explora veios e nuances que remetem às camadas da pedra natural.
Já na CASACOR Rio Grande do Sul 2026, Erika Listo utilizou a série Topázio na área da lareira e em um painel dedicado à exposição de rótulos de vinhos.
Formatos diferentes podem conviver
Peças pequenas e grandes não precisam ocupar projetos distintos. Quando proporção, cor, juntas e textura entram em equilíbrio, os dois formatos podem coexistir no mesmo ambiente.
Na CASACOR Paraná 2026, as arquitetas Bianca Gemin e Rafaela Romitelli trabalharam com diferentes escalas da série Granato. A proposta combina versões maiores e menores do revestimento, inspirado no terrazzo italiano, para criar diferentes ritmos visuais.
Em outro detalhe do projeto, um recorte irregular do porcelanato ganhou função semelhante à de uma moldura, mostrando como o material também pode assumir um papel mais gráfico e decorativo.

Texturas ampliam o repertório
Além das dimensões, os acabamentos também ajudam a definir o resultado.
Superfícies inspiradas em pedras naturais, chapas metálicas e outros materiais ampliam as possibilidades de composição. Ao mesmo tempo, a combinação com madeira, vidro e metais pode criar contraste e reforçar diferentes atmosferas.
Entre os exemplos apresentados pela Roca Cerámica está a série Fusion, que reproduz o aspecto de chapas de aço em tom grafite. Já a série Infinity aposta em fundo preto e veios suaves para criar uma superfície de leitura contínua.
Assim, a escolha deixa de considerar apenas onde o porcelanato será aplicado. Formato, acabamento, escala e relação com os demais materiais passam a fazer parte da definição do projeto.
Nas salas atuais, o resultado pode ir de uma parede discreta a um painel de forte presença, mostrando como o porcelanato passou a ocupar um espaço muito mais amplo dentro da arquitetura de interiores.

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