Em meio ao ritmo da New York Fashion Week, a Montblanc escolheu olhar para um capítulo que começou muito antes das passarelas contemporâneas. Há cem anos, em 1926, a maison dava seus primeiros passos na marroquinaria com estojos pensados para proteger instrumentos de escrita durante viagens. Um século depois, essa relação entre couro, deslocamento e criação ganhou uma nova leitura em Nova York.
Para marcar a data, o Crane Club foi transformado em uma espécie de extensão do universo Montblanc. A arquitetura Art Déco do espaço recebeu instalações, objetos e experiências que aproximavam passado e presente, enquanto Honey Dijon, vencedora do Grammy, assinava a trilha sonora da noite.
Entre os convidados estavam Alexandra Daddario, Jamie Campbell Bower, Paul Anthony Kelly, Erica Pelosini, Bianca Brandolini e Olympia of Greece. Os embaixadores Rupert Friend, Seo Kangjun, Kerem Bürsin e Alfonso Herrera também participaram da celebração.
Quando uma pasta vira uma escrivaninha portátil
Uma das primeiras imagens da noite veio da Writing Traveler, apresentada em uma instalação de proporções ampliadas. A peça parte de uma ideia curiosa: transformar a intimidade de uma escrivaninha em algo capaz de acompanhar o movimento.
Inspirada nos antigos “gabinetes de curiosidades”, a pasta possui compartimentos para canetas, caderno, relógio e pequenos objetos pessoais. Mais do que organizar itens, o desenho recupera uma questão que acompanha a Montblanc desde o início de sua história com o couro: como levar consigo as ferramentas de criação?
Foi justamente esse desejo que impulsionou os primeiros artigos de couro da marca na década de 1920. À medida que escrever deixava de ser uma atividade restrita à mesa, surgia também a necessidade de proteger canetas durante deslocamentos.
O gesto de escrever à mão
Em outra área do evento, a Montblanc Desk, concebida pelo diretor artístico Marco Tomasetta, permitia personalizar pequenos artigos de couro.
Perto dali, uma experiência seguia na direção oposta à velocidade digital da semana de moda. Os convidados podiam parar, escolher um cartão-postal e escrever uma mensagem à mão antes de enviá-la.
O gesto simples funcionava quase como uma síntese da noite. Mesmo ao celebrar cem anos de couro, a Montblanc manteve a escrita como ponto de partida de sua narrativa.
Desde que chegou à direção artística, em 2021, Tomasetta vem aprofundando justamente essa aproximação. Bolsas e acessórios passam a carregar referências à cultura da escrita sem necessariamente reproduzir seus códigos de maneira literal.
Assim, um estojo criado para transportar uma caneta em 1926 encontra eco, cem anos depois, em bolsas, objetos e experiências pensadas para uma rotina em constante movimento. Em Nova York, a comemoração mostrou que, para a Montblanc, viajar, escrever e criar continuam fazendo parte da mesma história.
GLMRM mostra alguns cliques:
Fotos: Getty Images